Salame Pepperoni Picles Pepino

Ou: Eat Fresh – A História de um Restaurante Gay

Na fila, um negão gay se vira pro seu companheiro – não tão negro, nem tão gay – e pergunta, maliciosamente:

-Você quer  15 ou 30 centímetros?

A risadinha é inevitável, e até eu, que não sou negro, tampouco* gay, rio, e imagino aquela pica enorme e gay do negão, enquanto ele continua com o duplo sentido. Salame? Haha. Pepperoni? Hehe. Picles? Hihi. Pepino? Huhu.

Sem falar no cookie.

Resolvi, então, investigar esse terreno tão fértil de conceitos e refeições ambíguas. Uma breve pesquisa revelou informações interessantes sobre a história desta cadeia de lanchonetes famosa por promover o estilo de vida gay.

O Subway foi fundado em 1965, por um casal gay, em Connecticut. O que muitos desconhecem é que o nome atual só foi estabelecido seis anos mais tarde, em 71, após diversas batalhas judiciais que acabaram derrubando o nome original. Concebida como uma alternativa gay para “os sanduíches excessivamente heterossexuais” da época, segundo o fundador, Peter Buck.

Criado sob o nome de SassyAss,  a lanchonete oferecia basicamente refeições fálicas, desde o mais básico cachorro quente, até seu primeiro grande hit, o lanche de almôndegas com salame. O slogan, diferentemente do natureba de hoje em dia, entrava na onda contestadora dos anos 60 e anunciava “Eu como a sua bundinha, e você come a minha”. Apesar de não fazer nenhum sentido, mercadologicamente falando, o slogan provocou frisson, trouxe notoriedade ao SassyAss.

A notoriedade trouxe também contestação dos meios conservadores, que não queriam ver suas filhas, muito menos seus filhos, enfiando salsichas goela abaixo – havia uma espécie de promoção happy-meal que incitava crianças a engolirem salames sem mastigar, e que foi amplamente apoiada pela Igreja Católica e por facções mais taradas do Partido Republicano. A controvérsia levou Peter e seu marido Fred de Luca a uma batalha judicial que acabou não apenas por mudar o nome de SassyAss para Subway, mas também fez com que todos os salames oferecidos na rede fossem previamente fatiados, não mais sendo servidos “de forma viril, fálica e vigorosa”, nas palavras do juiz Charles O’Faggot, que pronunciou a sentença não sem lágrimas nos olhos. Morria ali, um estandarte da refeição gay.

PORÉM, a morte, como sabemos, nunca é definitiva (quê? qual o sentido disso?), e a lanchonete achou meios de se manter ativa e continuar dando a bundinha. Seguindo a onda gay dos anos 60, logo se tornou ecológica e natureba, o agora Subway decidiu apostar na comida saudável – o que, por si só, já é totalmente gay.

Eat fresh foi escolhido como slogan, ganhando por um voto de diferença do concorrente Fuck my ass & Cum in my face, para evitar novos processos. O sucesso da lanchonete dentro-do-armário foi enorme em cidades gays como São Francisco e Nova York. Afinal, Subway não passa de uma menção ao caráter, agora subterrâneo, homossexual da empresa.

A Holanda, uma das primeiras nações declaradamente gays do mundo, fez um acordo em 1993 com Peter e Fred de Luca para fazer com que a marca SassyAss fosse resgatada, e a cadeia se tornou a fornecedora oficial das escolas públicas holandesas – mantendo os salames fálicos em suas receitas.

Agora vocês se perguntam: mas que papo é esse? Que que você tá falando?

Bom, sei lá! Só sei que o mundo é assim, altamente sexual, e todas as piadas de duplo sentido estão lá por alguma razão. Se não fosse pra ser assim, Deus não teria criado uma fruta como a banana, nem um animal como a cobra. Todo mundo quer ficar falando sobre sexo, e todo mundo quer FAZER sexo com todo mundo. Pais querem comer as filhas, netos encoxam as vovós, genros ficam ligadinhos nas sungas apertadas de seus sogros, tentando, por um instante, divisar a grande pica que se insinua pelo tecido. É isso que as pessoas querem, é isso que elas fazem! Os moralistas apenas dizem que não, que ai, meus Deus, falar sobre pinto na mesa, eles só fazem isso porque acham errado e tentam reprimir suas mais primordiais e autênticas pulsões, seus delírios deliciosos de pintos, peitos e bundas. Mas quanto ninguém tá vendo, eles batem punheta vestidos com a lingerie da sua mulher, vendo catálogos de roupas infantis.

Então, chegamos à conclusão óbvia de que se você for ao Subway com seu amigo, e ele pedir um lanche de 30 centímetros de salame, pepperoni, picles e pepino, e ainda por cima te dar uma piscadinha e soltar uma risota, meu amigo, é bom você estar disposto, porque ele vai comer uma bundinha hoje, e não adianta correr, não adianta se esconder, ele sabe onde você mora.

*Tampouco? Eu quis dizer TO-TAL-MEN-TE.

6 Comments

Filed under Duplo sentido, Gay's the way

6 responses to “Salame Pepperoni Picles Pepino

  1. (PAPA SEGURANDO UM LIVRÃO)

    LEGENDA: TLDR

  2. juliana

    Quando eu cheguei em “Sem falar no cookie.” dei uma risada das boas!
    hauhuaha

  3. É! Eu já tinha pensado nisso, mas minha memória não colaborou com minha curiosidade!

    Muito boa história!

  4. lulu

    ASHUHAUSAHUEHAEUHSUEAHEUEA
    TE AMO FAFIS!!!!!!!!!!!!

  5. Brisa

    nem curti

    melohra fas favô

  6. Raul

    faltou ainda o trocadilho com 4 queijos, ‘me vê de quatro por favor’

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