Monthly Archives: May 2010

Masturbação, o guia completo

Estou vendo que o que vocês gostam é quando lhes digo o que fazer. Vocês têm dúvidas, anseios,  idéias cretinas na cabeça, e querem alguém para guiar o caminho, para derramar aquela doce groselha em seus ouvidos. Pois bem, preparem-se, pois hoje o tema é mais um tabu! Na verdade, tudo é um tabu pra vocês. Sexo entre homens, drogas intravenosas, lanches da copa, tudo é um tabu hoje em dia! Mas, vamos falar do meu tabu preferido, o tabu que estou quebrando agora mesmo, enquanto converso com vocês, minhas crianças. Hoje vamos falar da forma mais elevada de amar. O sexo com a pessoa que você mais ama na vida, como diria Woody Allen.

MASTURBAÇÃO, O GUIA COMPLETO

1 – Como saber se eu me masturbo

Pelo amor de Deus, né! Se você não sabe que se masturba, então as coisas vão mal.

2 – Como falar com os meus pais sobre o assunto

Por que no mundo você quereria falar sobre bater punheta com a sua mãe? Me diz! Agora no rádio, ouvi lá, umas dicas sobre educação sexual, que uma vovó dá aos ouvintes. O rapaz enviou um email dizendo que  gostaria de ter mais conversas sobre sexo com os pais, mas tinha receio de constrangê-los. Perguntou se, para falar sobre masturbação com o pai, seria uma boa tática mostrar um artigo sobre o assunto para o velho. A vovó achou que sim, o máximo, é isso que se deve fazer. Bem, Rafaelzinho aqui tem uma opinião altamente conflitante com a da vovó permissiva do rádio.

Código de conduta do masturbeiro:

– Tranque a porta

– Não responda, se alguém tentar entrar

– Depois de terminar, dê um tempo, não saia direto pro banheiro

– Coloque Jimi Hendrix no máximo antes de abrir a porta (eles vão achar que você… vão achar nada, eles sabem que você tava batendo punheta, mas também vão saber que você, pelo menos, teve a decência de tentar disfarçar)

– Lave as mãos antes de cumprimentar sua vó

Pronto. E nunca, em hipótese alguma, fale sobre bater punheta com o seu pai. Ele tem umas revistas que você quer emprestado?! Não peça: roube. Ele não vai chegar no jantar e falar “Amor, você viu minhas revistas pornográficas?” e te dar um olhar fulminante, do tipo, “Eu sei que foi você que pegou minhas revistas pra bater uma punheta”. Não. Ele sabe que você pegou, e ele já esperava isso. Ele sabe que o punheteiro viciado é como um usuário de crack, sem limites nem escrúpulos. Você vai bater sua punhetinha, nem que tenha que matar um parente no caminho. Então ele deixa lá, as revistas, filmes, tudo numa gaveta, meio pro fundo, mas sem esconder demais. Ele sabe que quando sua mãe sai de casa, você vai lá, com as calças nas canelas já, com o pau duro, batendo punheta enquanto procura o material erótico. Isso aí, ele sabe, você sabe, mas não toque no assunto.

Se você quer conversar sobre masturbação, converse com seu irmão, seus amigos, sua namorada, o pároco local (ele vai adorar ouvir suas histórias mais safadinhas).

Se seus amigos dizem que não batem punheta, então parem de andar com eles. Um homem que não bate punheta é como um homem que não gosta de futebol: o que ele está fazendo, afinal?! O cara tem que fazer alguma coisa! Ele fica em casa fazendo o que o dia inteiro?! Montando lego? Escrevendo num blog? Não! Batendo punheta e ouvindo Jimi Hendrix no máximo pra disfarçar.

3 – Devo bater punheta mesmo namorando?

Claro.

4 – Mas eu tenho namorada, não preciso ficar batendo punheta igual vocês, crianções, pois eu faço sexo!

Bom, primeiro, grande babaca pra dizer uma coisa dessas. Sexo e punheta são coisas diferentes (caso você ainda não tenha percebido), e não apenas podem, mas como devem ser praticadas, senão simultaneamente, logo em seguida.

5 – Eu não bato punheta, eu não preciso disso

Você, meu amigo, tem é medo de dizer que bate punheta, pois você acha que é pecado.

EU ACHO LEGAL BATER PUNHETA

Tá, eu também, mas deixa eu terminar aqui.

EU GOSTO DE SENTAR NA MÃO PRA DEIXÁ-LA ADORMECIDA E AÍ BATER PUNHETA COMO SE FOSSE A MÃO DE OUTRA PESSOA

Porra, pára de dizer essas coisas, nada a ver fazer isso.

EU GOSTO, ÀS VEZES EU ATÉ PINTO AS UNHAS DA MÃO ESQUERDA, PRA FINGIR QUE É UMA MINA QUE TÁ BATENDO PRA MIM

Nossa, que pervertido! Você faz isso pra pintar as unhas mesmo, não ponha a culpa na punheta!

RSRSS É VERDADE, EU SÓ QUERIA TOCAR NO ASSUNTO MESMO. VOCÊ FAZ ISSO TAMBÉM?

Não, claro que não.

AH ACHO QUE VOCÊ FAZ SIM

Não, claro que não, de onde você tira essas coisas?

EU VI, SUA UNHA TÁ PINTADA OLHA AQUI

Sai daqui, deixa eu terminar o post!

VOCÊ JÁ USOU A TÉCNICA DA SEREIA PRA BATER PUNHETA?

Sereia?! Que que você tá falando?!?!

AQUELA TÉCNICA QUE VOCÊ PEGA AS DUAS MÃOS –

Shhhh!! Fala baixo!! Tá bom, já usei, mas fica quieto, deixa eu terminar isso aqui, depois a gente se fala..

TÁ BOM TO ESPERANDO VOU DAR UMA OLHADA VER SE ACHO ALGUMA NOVA TÉCNICA PRA HOJE À TARDE RSRSSSSSS

Maluco mala.

Pois bem. Vamos a mais uma daquelas listinhas Legal & Não tão legal!

Bater punheta vendo softporn na tevê a cabo – LEGAL

Bater punheta junto com seus primos – NÃO TÃO LEGAL

Bater punheta com o seu cachorro no quarto – LEGAL

Bater punheta pro seu cachorro -NÃO TÃO LEGAL

Bater punheta no ônibus – LEGAL

Bater punheta pro ônibus – Quê?!

Tirar fotos de si mesmo batendo punheta – Por que você faria isso?!

Enviar fotos de si mesmo batendo punheta para – rafaelzanatto@gmail.com

TÁTICAS DE PUNHETA QUE EU APRENDI COM UM CARA GAY

Uma vez esse cara gay veio falar comigo no msn. Eu tinha um blog de sucesso, e o sucesso se resumia a esse cara gay que queria ver meu pau – cacete!

FLASHBACK?!?!

Uma vez ele disse que tinha ido à casa dum amigo dele, e eu “Ahm… tá”. E ele disse “A gente foi jogar play2” e eu “Ahm.. tá” e ele “Depois de jogar eu chupei o pau dele e ele gozou na minha cara” E eu

Hey!

NOT THAT COOL!

Go on…

Mas o que esse cara gay me ensinou sobre punheta?!

Graças ao bom Deus, nada.

Mas o que esse cara gay me falou sobre punheta?!

Ele me falou sobre o punhetão!!

Isso aí! Punhetão! Aposto que vocês, jovens, estão loucos para saber mais sobre esta técnica tão perigosa quando prazerosa! Muitos de vocês já abriram a bragilha e começam a acariciar seus pênis ainda adormecidos! Sem contar os que já sacaram a pistola logo quando abriram o blog – e os outros que abriram o blog exatamente por terem suas pistolas previamente sacadas. Bom, quê?!

PUNHETÃO

Punhetão é uma técnica de masturbação gay

-Eba!!!

Que consiste em bater punheta enquanto, com a outra mão, você enfia o polegar – ou outro(s) dedo(s) de sua escolha – n0 cu. Isso aí. Punheta com dedo no rabo! Foi o que o cara gay me falou.

Eu já bati um punhetão?! Difícil dizer.

Eu quero bater um punhetão? Certamente.

Eu vou trancar a porta pra bater meu punhetão?! Claro.

VOCÊ VAI PINTAR A UNHA PRA BATER O PUNHETÃO?

Shhhhh!

SHH FOI MAL MAS VAI OU NÃO?

Vou, vou, mas fica quieto!

BLZ

Ahem.

PUNHETÃO: BOM OU NÃO?

Dos nossos ouvintes, 70% disseram já ter batido um punhetão, e desses 70%, 95% gostaram – nessa turma tava você. Portanto, não negue os seus instintos mais primividos! Tudo que você precisa está logo ali, ao alcance da sua mão! E lembre-se: papel higiênico. Não vá sair por aí gozando na cadeira do seu irmão, só porque a sua quebrou.

QUEBROU MESMO NÉ, VOCÊ NÃO IA ARRUMAR?

Eu ia, mas me deu aquela preguiça, e ele num tá usando mesmo.

O QUE QUE QUEBROU?

O espaldar quebrou, caiu, Preciso parafusar de novo.

UHMM

É.

FALANDO NISSO, FALA AQUELA FRASE DO SEU IRMÃO, SOBRE MASTURBAÇÃO.

Boa, vou falar.

PRAS SAIDEIRAS

Aforismo de Bruno Zanatto, meu irmão:

Piroca no cu dos outros é punheta

BOA VOU PEGAR O ESMALTE JÁ VAI SENTANDO EM CIMA DA MÃO

Próximas emoções:

Masturbação feminina!

Mulheres gostosas!

Quem é esse cara que fala em caps lock?

Todas as respostas para estas perguntas

AS DUAS PRIMEIRAS NEM ERAM PERGUNTAS

Shhh fica quieto!

Todas as respostas para estas perguntas ALL NEW TUESDAY AT 9/8 CENTRAL, ON ABC!

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Flashback – Dias de Presidente

Opa! Hoje é sexta! E sexta é dia de…?!?!

DORGAS MANO

Não intendeu

?!

Mas é mentira, hoje não é dia de drogas! Pelo menos não aqui no meu blog. Hoje é dia de Flashback!

No Flashback, coloco aqui um texto previamente publicado no meu fotolog, já que vocês acham que tudo que eu escrevo agora uma bosta! Seus filhos das putas!

(Mas eu to atrasado então vamos correndo com isso!)

O texto de hoje é um texto meio merda e que ninguém gosta! Mentira, ele é legalzinho, mas legalzinho tipo aquele amigo do seu primo, que você vê de vez em quando, quando vocês saem é legal, ele é simpático e tal, mas jogando futebol o maluco é chato pra cacete! Num toca bola nenhuma, fominha pra cacete, não volta pra marcar e ainda reclama! Se tivesse que definir o texto que vou postar hoje com apenas uma palavra, seria essa: Não volta pra marcar e ainda reclama!

Quê?!

Seja como for, este eu escrevi enquanto passava uma temporada em Presidente Prudente, a capital mundial do calor. Dias de marasmo. E o sofá da sala ainda grudava. Você deitava, todo belo e sem camisa, e logo o sofá aderia à sua pele de forma indissociável. O texto é pequeno, e não tem título nem nada, então vou batizá-lo como

DIAS DE PRESIDENTE

Eu abro os olhos e eu vejo a arara cheia de camisas, calças e casacos e por um instante eu penso que tem alguém no quarto, de pé em frente à minha cama me observando dormir.

Mas então eu acordo e percebo que é só a arara cheia de camisas, calças e casacos e que este não é o meu quarto e que não tem ninguém aqui além do meu irmão dormindo na cama ao lado, então eu levanto e vou até o banheiro e a porta está encostada e eu não quero que esteja trancada, pois eu realmente estou apertado e não quero ir até o outro banheiro pois é muito longe e eu estou morrendo de sono e não quero zanzar por aí sem lavar o rosto nem escovar os dentes.

Mas para minha sorte a porta está aberta, então eu entro e lavo o rosto mas nem enxugo, e vou direto, levanto a tampa da privada e começo e é uma delícia e eu penso que isso não faz sentido, pois eu não tomei água ontem à noite e ainda por cima fui ao banheiro antes de dormir, e que há algo de estranho, mas então eu dou a descarga e ignoro todos esses pormenores e abro a torneira e lavo a mão e seco a mão e torno a lavar e molho mais o rosto já úmido e passo sabonete na mão e passo a mão na cara e com os olhos bem fechados eu pego e enxáguo as mãos e passo as mãos enxaguadas no rosto e enxáguo o rosto e me levanto abro os olhos e me vejo no espelho e passo as mãos pela barba, e os fios se abaixam com o toque dos meus dedos que passam, e logo se levantam, e nesse chicoteamento jogam gotículas de água no espelho, então eu pego minha escova, passo minha escova na água, pego pasta, passo pasta na minha escova, e passo novamente minha escova na água, e agora eu fecho a torneira e escovo bem os dentes e depois cuspo a espuma e escovo a língua e cuspo novamente e cuspo novamente e cuspo novamente e abro a torneira, lavo a escova, guardo a escova, encho as mãos d’água e com as mãos encho a boca d’água e então eu cuspo, e encho as mãos d’água e agora jogo água no rosto e me levanto abro os olhos e me vejo no espelho e passo as mãos pela barba, e os fios se abaixam com o toque dos meus dedos que passam, e logo se levantam, e nesse chicoteamento jogam gotículas de água no espelho, então eu fecho a torneira, enxugo o rosto e as mãos na toalha e me viro e abro os olhos e me vejo no espelho e passo as mãos pela barba, e os fios se abaixam com o toque dos meus dedos que passam, e logo se levantam, secos, e eu estou pronto para ir até a cozinha, para sentar no sofá e assistir tevê e enrolar o tempo que for até que me bata um sono suficiente pra me fazer dormir até o dia seguinte e ainda acordar ébrio o suficiente para abrir os olhos e ver a arara cheia de camisas, calças e casacos e por um instante pensar que tem alguém no quarto, de pé em frente à minha cama me observando dormir.

Mas então eu acordo.

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E se Ulisses quisesse cagar

Sobrou pizza de ontem, e depois de um copo de café, comi dois pedaços, acompanhado de guaraná – eram nem 7 horas da manhã. Outro dia, jogando bola, estava na banheira, como é de meu feitio, e o rapaz me lançou uma bola impossível. Um míssil que passaria por sobre minha cabeça, não importa o que eu fizesse. Quis desafiar o INDESAFIÁVEL mentira, era desafiável, tanto que desafiei, mas era inútil: impossível pegar a bola. Dei um salto preguiçoso pra trás, à la Ronaldão, e, quando aterrissei, esqueci as mais básicas leis que regem a física, especialmente a minha própria, e caí com os calcanhares primeiro, sem flexionar os joelhos para amortecer a queda. A catástrofe foi terrível e instantâneo seu efeito. Toda a força foi refletida bem na base da minha coluna, o que me trouxe grande dor e certa limitação de movimentos por, até agora, já dois dias.

Fui pra Puc mesmo assim. No metrô, fingi que não era comigo, e fiquei muito bem quietinho de óculos escuros no meu assento, lendo, enquanto mulheres, crianças, portadores de deficiências e idosos se amontoavam, sem ter onde descansar as pobres pernas. Mentira, não foi tão dramático assim. Uma menina ficou parada, de pé, bem ao meu lado, e em dias comuns eu cederia meu lugar. Era uma moça negra de forma física inquestionável, e enquanto o livro permanecia aberto sobre o meu colo, e eu fingia que corria meus olhinhos inocentes sobre as letras impressas, eu observava de rabo de olho a virilha da moça, fantasiando que ela, num arroubo de de rafaelidade, trazendo meus sonhos para a realidade, me desse uma bocetada na cara. A possibilidade existia, sempre existe – but it was highly unlikely. Mas, se pode ser feito, um dia será feito, e vivo mirando este dia.

Subi no ônibus, para minha surpresa, atrás de uma bundinha linda, que rebolava dentro de uma maravilhosa calça legging, e tinha uma espécie de vestido cinza, apertado, a cobri-la. Coisa linda. Paguei a tarifa ao cobrador e sentei ao primeiro lugar vago, só pra observar de uma altura adequada aquelas pernas andando a caminho do Mackenzie. Todas as gatinhas que descem a Consolação, àquela hora, são alunas do Mackenzie. Na hora da porta abrir, pensei em deixá-la passar na frente, a morena, de cabelos lisos, nariz grande, e dona da bundinha que me hipnotizava. Mas achei muito pala. Desci primeiro, e, debilitado, fui andando mais devagar, subindo até a faixa de pedestres. Ela me ultrapassou, e eu vi sua silhueta esguia rebolando, as pernas que engrossavam, a bundinha presa, apertada, desesperada dentro daquela fralda de uma camisa excessivamente comprida. Ela esperou o semáforo abrir do lado do Mackenzie, eu esperei do lado da Puc. Ficou verde para os pedestres, mais um último olhar antes da separação. We were never meant to be.

A aula acabou abruptamente quando o professor, um sujeito extremamente simpático que ria como um personagem do Sacha Baron Cohen e me chamava de “Companheiro Rafael”, atendeu o telefone, falando em italiano, e disse preocupado “Chiama… chiama 192!” E a aula acabou 20 antes da hora. Espero que não tenha sido nada demais.

Saí, subi a Consolation Row e decidi, afinal, ver qual é que era a da nova estação Paulista de metrô. Meu plano era, na verdade, entrar na novíssima Paulista (que fica na Consolação) e ir, subterraneamente, para a manjadíssima Consolação (que fica na Paulista) – e, quebrando o paradoxo, ir pra casa. Chegando lá, já sacando meu pobre bilhete pra enfiar goela abaixo da catraca, descobri que a interligação não estava aberta ainda, e que o metrô tava saindo de graça. Descendo as escadas, vi um velho que freqüentava a História, cujo apelido era Fuinha. Era um velho maluco, aposentado da Fea, sem o menor senso de discrição, que vomitava seu conhecimento enciclopédico e inoportuno a qualquer momento, sem aviso – produtos de uma mente maluca. Acho que nem ele tinha controle sobre as coisas que fazia mais. Um dia, aliás, na aula de História dos Estados Unidos, a professora Mary Anne Junqueira (quem ele chamava de “Mariana”) (e por quem eu sentia certa atração, sabe-se lá por quê. Talvez porque eu me apaixone por todas minhas professoras?! Que tal?!) estava contando sobre Washington, cidade que ela havia morado e, num lapso, não se recordava do nome do bairro em que morou. Fuinha, que era cortado diariamente pela Mariana, disse, sem titubear:

-É ooooooo Colonial Village.

A sala já preparada para ver o pobre velho delirante ser repreendido pela professora, quando ela levanta as sobrancelhas e diz pausadamente:

Exatamente.

Um dos grandes momentos de toda minha graduação, com certeza.

Pois bem. Vi o pobre e delirante Fuinha andando como maluco, com um cinto afivelado por sobre o suéter (isso mesmo), corcunda e com o pescoço projetando a cabeça pra frente. “Ei, ele vai pra Cidade Universitária! Vou também!”

Para meu engano, os trens iam da estação Paulista pra Faria Lima (que fica na Faria Lima) e vice-versa, só de farra, pois a Faria Lima e a Paulista eram as duas únicas estações abertas.

Hesitei em fazer a viagem. Pensei “Mas por que eu vou pra Faria Lima?” E, logo em seguida, refiz a pergunta “Por que não?!” E como eu adoro fazer algo estúpido só pra ver no que vai dar, fui pra Faria Lima.

A modernidade do metrô é a mesma encontrada na também nova estação Sacomã, mas a estação é bem menor (haha e nem terminada tá). A grande diferença são as paredes elípticas do corredor (Stela que me introduziu esse vocabulário). Coisa fina.

Os vagões são interligados, e você pode zanzar de uma ponta a outra. Os bancos estão dispostos de forma diferente da que estamos acostumados, além de serem brancos e (parcamente) acolchoados, com um tecido como veludo, coloridinho (amarelo predomina). Ao ver os bancos, pensei no Power Ranger Branco. Todo mundo, bando de desocupado, tirando foto, olhando maravilhado o novo metrô. E eu lá, com esse celular que mal tira foto. Saindo da estação Faria Lima, Márcio Canuto fazendo a festa com os populares! Que alegria de viver! Como é bom não ter absolutamente rumo nenhum!

Encontrei com a Stela e almoçamos. Já pra pegar o Faria Lima de volta, comecei a fazer cálculos pensando MEU DEUS ONDE É QUE EU POSSO CAGAR?

Puta que pariu! Aí minha vida tomou ares de thriller, uma batalha entre um homem e seu intestino, vida ou morte, glória ou humilhação! Quase me cagava inteiro! Aqueles bancos novinhos, branquinhos, e eu imaginando aquela onda de merda líquida varrendo tudo e todos, passando por todos os vagões, acabando com a linha amarela! Falando sozinho, pra tentar controlar essa força primordial que rugia dentro de mim. Vou cagar na Cultura!

Chegando à Paulista, porém, pensei Vou pegar o metrô rapidinho, ir pro Ipiranga, pegar o carro e cago em casa mesmo. Quando entrei na estação Consolação, já estava fora de mim – e a merda quase saía também. Cacete, que desespero! Fui de pé, suando, falando sozinho, tentando pensar em coisas diferentes MEU DEUS! BRASIL E ARGENTINA SE ENFRENTARAM UMA VEZ SÓ EM COPAS DO MUNDO? UM A ZERO PRA ARGENTINA EM 90 RAFAEL QUEM VOCÊ QUER ENGANAR? VAMOS CAGAR! CAGAR! CAGAR! VIVA OU MORTE! VIVA CAGANDO OU MORRA BORRADO! VAMOS, RAFAEL! VAMOS!

Puro delírio. Suava em bicas naquela linha verde. Eu era o desespero em pessoa. Tentava afastar os pensamentos escatológicos mas não conseguia. Aquilo virava uma Odisséia. E se Ulisses quisesse cagar?

Não deveria, pensa Ulisses, ter comido aquele Big Tasty em Tróia.

Sem saída, Ulisses (louco pra cagar a esta altura) e seus companheiros se disfarçam de ovelhas e enganam Polifemo, o ciclope cujo olho foi perfurado. Saindo de gatinhas, Ulisses tenta dar um peido pra aliviar, mas tem a nítida impressão de que se borrou.

-Porra – diz Ulisses – acho que me caguei.

-Quem se cagou? – indaga Polifemo.

-Ninguém. Ninguém me caguei, porra!!

Ulisses corre para Ítaca, onde sua latrina o espera pacientemente.

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