Dia do Trabalho – por um desocupado

Acordei tardíssimo no sábado, mas não de ressaca, como vocês, pobres sacanas, devem estar pensando. Eu, hein!

Acordei, lavei o rosto, comi umas bolachas e vim pro computador. Aqui em casa estavam também meu irmão e o Jairo. Eles, sim, tavam de ressaca. Inclusive, meu irmão só descobriu que o Jairo estava com dor de cabeça e, sim, aceitaria uma aspirina quando se sentou ao seu lado no sofá, e viu que o Jairo estava no twitter reclamando da dor de cabeça. Demos algumas boas risadas com essa situação cômica que apenas a modernidade e a crise das relações humanas podem nos proporcionar. Depois o Jairo postou no twitter dizendo que estava com fome e tava só esperando a galera se arrumar e ir pro carro.

Foi o que fizemos, e o Paço tava cheio de gente! Deus do céu! Tinha esquecido que era Primeiro de Maio! Pra mim, um feriado de sábado é totalmente irrelevante. Mas para uma cidade operária como São Bernardo, não, senhor.

A cidade do Partido dos Trabalhadores e casa do nosso presidente Lula não poderia deixar passar em branco um dia glorioso para todos aqueles que dão duro todos os dias, inclusive de sábado. Então, a CUT armou o pagodão, acendeu a churrasqueira, gelou a cerveja e disse “Operários de São Bernardo do Campo, Mauá e Diadema, uni-vos!”

Um espectro certamente rondava o Paço Municipal, enquanto eu cortava centenas de desavisados domingueiros que passeavam tranquilamente pelo asfalto em seus carros cretinos. Fui rebentando, parando ocasionalmente em faróis vermelhos, só pra ver, pra atravessar a rua, um trabalhador sarado, de bermuda jeans afivelada de forma obscena pouco abaixo da linha daquilo que muitos considerariam o meu deus aceitável. De óculos escuros espelhados e nenhum sinal de cueca, o sujeito andava exibindo seus pêlos pubianos para quem quisesse ou tivesse a infelicidade de ver. Qual o próximo passo, pergunto eu: andar só com a glande dependurada pra fora da calça, seduzindo legiões de mulheres por aí?

Chegamos ao shopping, onde intencionávamos comer no Burguer King, e foi isso que eu fiz. Nada demais o lanche novo. Mas a praça de alimentação estava tomada por seres humanos reprováveis que não se dignavam a retirar as bandejas sujas das mesas, deixando habitual sensação de um chiqueiro naquela porra.

Puta que pariu, abarrotada aquela merda! Quem vai ao shopping de final de semana? E que feriado é esse de sábado que chama tanta atenção? Criançada bebendo desavisadamente vinho e pinga nas entradas principais do estabelecimento, uma coisa triste de se ver.

(Outro dia eu estava almoçando neste mesmo shopping e tinha uma torre de chope dando sopa numa mesa, e dois moleques, duas crianças de meu Deus, com seus lá 12 anos, chegaram de fininho com copos plásticos, encheram os recipientes com o líquido dourado e quente da Kaiser e saíram apressados, diante dos olhos de vários adultos responsáveis, só pra voltar de novo dali a 2 minutos e completar o refil. Eu, por mim, deixo a criançada beber. Me deixaram fazer isso AND I GREW UP JUST FINE. Na verdade, deu no que deu. Então, vê aí, como diria o Pelé em seu milésimo gol Pensem nas criancinhas)

Onde eu estava? Bom, que se foda onde eu estava. O que importa é onde eu gostaria de estar. Pra lhes dizer a verdade, estou só de toalha aqui, são quase duas da manhã de uma segunda-feira (domingo pra segunda, não seja ridículo, não se engane), e estou pensando seriamente em fazer-me um lanche de presunto e queijo no tostex (que, assim como Muhammed Ali, é extremamente superior à[o] George Foreman)

(Aliás, continuando na superioridade Tostex/Ali em relação ao George Foreman, vale lembrar que o Foreman vai com tudo pra cima, desce a porrada, em grande forma, tosta o pão, escorre toda a gordura, mas, no final das contas, a comida nem fica tão boa, fica seca, dura, queimada. Enquanto com Ali/Tostex, é só na maciada, segurando aquela merda em cima da boca do fogão acesa, com o braço já cansado para, DO NADA, comer seu lanchinho quentinho e gostosinho, sem as hediondas marcas de grelha que o George Foreman imprime a toda e qualquer comida colocada sobre sua chapa)

(Tipo: quê?)

Pois bem, foda-se. Estávamos subindo a escada pra dar o fora, cruzamos com duas pessoas conhecidas: Márcia e Fernanda, mãe e filha, respectivamente, amigas de longa data de nossa família, e ex-vizinhas nossas. Márcia ficou particularmente alarmada com o tamanho dos pêlos faciais meus e do meu irmão. Se bem que quando fui buscar o Bruno no metrô, sexta-feira, eu pensei “Olha lá, ele tirou a barba”. Pra você ver que uma coisa pra uma pessoa não é a mesma coisa pra outra pessoa.

(Só perguntar, por exemplo, o que é sexo comigo. Eu, provavelmente, vou dizer “Putz, é mó dahora”. Mas meus adversários na cama serão unânimes a afirmar “Don’t go there” em clima de escarninho) (Filhos das putas, né?)

Enfim, minha barba está grande, e isso pode querer dizer muitas coisas sobre o Dia do Trabalho – especialmente se você não tiver absolutamente nada pra falar sobre o Dia do Trabalho. E mais especialmente ainda se você não tiver absolutamente trabalho nenhum pra comemorar – nem se lamentar. Então, é isso aí, como diria Karl Marx:

Lendo este texto os proletários não têm nada a perder, exceto tempo.

1 Comment

Filed under Capitalismo, Seres Humanos Reprováveis, TL;DR

One response to “Dia do Trabalho – por um desocupado

  1. stela

    que dia do trabalho legal! o jairo é de longe o personagem mais legal do post!

    o meu dia, em contrapartida, fez jus ao feriado, fazendo trabalho o dia inteiro! mó bosta! acho que só eu honrei o nome desse dia trabalhando, porque o resto do mundo ficou lá, fazendo nada! bom, beleza, considerando-se que era sábado, e a errada de passar o dia fazendo trabalho em pleno sábado era eu.
    elere!

    beijos lovez!

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