Review: Misto-quente

Não o lanche, o livro do Bukowski, sua mula.

Pois bem, é assim: o livro se chama, em inglês, Ham on rye, que seria o nosso bom e velho pão com presunto, mas os tradutores resolveram mandar um Misto-quente ao invés, e já que essa discussão é totalmente irrelevante, continuemos.

Misto-quente foi o primeiro livro do Bukowski que eu li. Foi no Natal de 2007, lá em Santos, que descobri Charles Bukowski.

Minha tia Cristina (que, há coisa de 5 anos, no máximo, descobri que se chama Maria Cristina. Num é doido, isso? Simplesmente não sabia que ela tinha Maria como primeiro nome. E pior que descobri num vídeo de um aniversário remoto do Marcelo, meu primo. A abertura era tipo: Os papais Ronaldo Zanatto e Maria Cristina apresentam… e eu tipo: “Maria Cristina? Quem é essa?” Igual quando meu tio Ronaldo tirou a barba (a qual sempre portou) e meu primo chegou na sala, viu um homem imberbe deitado folgadão no sofá, voltou até a cozinha e perguntou “Vó, quem é aquele cara que tá vendo tevê na sala?” Ah, que coisa, né?)

Pois bem, no Natal de 2007, Maria Cristina me presenteou com dois primos já marmanjos. Mentira, vocês acham que eu ia lançar essa aqui? E outra, Maria Cristina me presenteou com apenas um primo já marmanjo, o Mama, que de fato me levou prum puteiro. A vida acha sua forma de ajeitar as coisas, né?

Nada a ver esse papo. Continuenos.

Maria Cristina me deu um livro chamado Labirinto, e isso eu sei porque escrevi no meu diário que estou checando agorinha mesmo – dia 29/12/2007, um sábado. Lendo meu diário, olha o que eu acho, do mesmo dia:

Ontem, aliás, sonhei que tinha um bigode ruivo; muito farto e elegante. Então acordei com uma dor de cabeça dos infernos, e depois desisti de dormir, fui cagar. Enquanto cagava, vomitei na banheira; me limpei, dei a descarga e vomitei na privada. Deitei, levantei e não consegui vomitar. Deitei, dormi e acordei tarde. Foi um dia escatologicamente produtivo.

Pois bem. Fui ao shopping com Labirinto debaixo do braço, mas aquela merda de livraria estava abarrotada, sem contar um adolescente muito muito porco que ficava espirrando, fungando, coçando o nariz de forma muito pouco higiênica, e soltando ruídos animalescos do fundo dos seus seios paranasais. Espetáculo deprimente, e eu tinha medo de que toda a loja estivesse coberta por ranho. Perguntei pro atendente onde ficava a outra loja e ele me disse que eram 15 minutos andando na avenida da praia. Eu perguntei:

-De cara pro mar, vou pra direita?

-Sim – ele respondeu.

Acho sensacional poder se orientar usando esquerda e direita tão facilmente.

Fui pela avenida da praia, e de alguma forma conversei com uma MILF de Curitiba. O estranho é que depois da conversa, seguimos o mesmo caminho, então um de nós teve que apertar o passo, pra não tornar a situação ridícula. Não sei quem o fez.

Cheguei na livraria depois de meia hora, camelando naquele calor de 36 graus de Santos. Cheguei com o cérebro derretido escorrendo pelas orelhas e a menina que me atendeu era uma negra bonita, encorpada, olhei pro seu crachá: Sol. Ah, Sol!

Vi logo em destaque o Misto-quente, com aquela capa que já vinha flertando comigo fazia tempo. Não fazia idéia de quem era Charles Bukowski, mas me sentia irremediavelmente atraído por aquela capa ilustrada pelo Robert Crumb, de um homem e uma mulher entrelaçados de forma animal no chão sujo, brigando pelo telefone.

Misto-quente, Bukowski

Mais uma amostra do Crumb:

Girls, girls, I love 'em, I love 'em, wanna do stuff to 'em!

O livro me olhava lá da prateleira, mas eu estava cansado demais pra pensar e pedi pra Sol, meu amor, um copo d’água, por favor. Ela entrou rebolando aquele traseiro por uma portinha e voltou, simpática que um amor, me deu o copo de água gelada, eu queria era que ela me pegasse no colo, tirasse toda minha roupa e me jogasse dentro de um copinho d’água. Depois me levasse, ainda no colo, pros fundos, pro estoque, com meu pau meio mole pendendo pro lado, e eu agarrando feito um tarado aquela bunda maravilhosa, mordendo os bicos do seu peito por cima da blusa, e ela colocando meu pau na sua boca. Eu daria um pulo, esparramaria aquele meu amor negro em cima dos livros, com o bundão virado pra mim, enfiaria a cara naquele cu, e depois meu pau, bolinando feito um maluco, um animal, como nos desenhos do Robert Crumb. E ela, com aquele corpo enorme, olhando pra trás, rindo, passando a mão na minha cabeça, muito superior a mim, mas ao invés disse eu falei:

-Quero trocar esse livro aqui pelo Misto-quente.

E foi o que eu fiz, e assim conheci e aprendi a amar, Bukowski, e este mesmo exemplar de Misto-quente usei pra espalhar a palavra e doutrinar meus amigos a amarem o velho Charles.

Um clássico, uma maravilha de leitura, a infância de Henry Chinaski, o personagem autobiográfico do Bukowski. Mas pensando no livro eu só penso na Sol, em seu nome, seu sorriso luminoso, sua simpatia. Vi essa mulher uma vez só na minha vida, e to aqui, 3 anos mais tarde tendo fantasias sexuais com ela. IMAGINA VOCÊS QUE EU VEJO DIRETO.

6 Comments

Filed under Bukowski, Bunda, Crumb, Mulheres gostosas, Peitos, Putaria e abominação, Ressaca, Review, TL;DR

6 responses to “Review: Misto-quente

  1. hominiscanidaeblog

    Mermao fafa, que final bem bolado, tu pensou nisso?!😛

  2. Pingback: Balanço « Rafael Zanatto

  3. Li, este e outros do velho Buk… recomendo para os leitores inteligentes.

  4. Pingback: Review: Double Rainbow « Rafael Zanatto

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