Flashback – Legalidade Anal

Que barulho é esse?

Seria um…

FLASHBACK?!

No Flashback, coloco aqui um texto previamente publicado no meu fotolog, já que vocês acham que tudo que eu escrevo agora uma bosta! Seus filhos das putas!

Isso mesmo, senhoras e senhores, nunca antes na história desse blog, dois dias seguidos de Flashbacks. Sexta-feira é o dia do Flashback, mas postei um ontem pra compensar minhas falhas pregressas.

E HOJE TEM MAIS! O de hoje é recente, viu. Se pá é o mais recente dos Flashbacks (tava pensando em fazer um Flashfoward, mas deu uma preguiça!).

Quando este texto foi publicado pela primeira vez, teve uma recepção fria do público, que chegou a dizer “You’re not a single lady, buddy”. Mentira, eles disseram: “Ele já fez melhor”, aterrorizando-me novamente pelo fantasma da decadência que não pára de rondar minha cabeça.

Filhos das putas!

Mas não é esse o sentido do Flashback?! Celebrar a morte do meu pau?! Eu acho que sim.

A questão é que esta belezinha aqui teve uma recepção fraca, mas acabou crescendo, tal qual um pênis viril dentro de uma boquinha quente e molhada – cara, calma! Chegando a ser considerado minha obra-prima, pelo crítico franco-cearense Georges Boris. O que, também, não sei se devo aceitar como lá um grande elogio – se isso é o máximo que eu consigo, então qual o sentido em continuar?!

Watch out, now! Take care, beware of faaaaaaaaaalling swingers

LEGALIDADE ANAL

Vamos falar da fronteira entre o legal e o não-tão-legal.

Por exemplo!! É legal dar o cu? Sim, é legal. Vamos pra próxima pergunta.

Não, voltemos à pergunta de dar o cu. Dar o cu é legal? Perante os olhos da lei, dar o cu, sim, é legal. A lei não apenas permite que um indivíduo ceda seu ânus a um negro lindo e forte portador de uma jeba enorme, como o apóia nessa decisão, e diz que, em seu lugar, se ela pudesse, ela mesma, a lei, também daria o cu gostoso.

Bom, isso passa longe de ser um absurdo, como ainda teimam dizer alguns conservadores. Para os conservadores, o Estado é laico, assexuado e os caralho. Mas, como sempre, esses conservadores querem é cortar o nosso barato e usam a imprensa para divulgar falsas verdades para benefício próprio.

Eu tive o trabalho de me debruçar sobre a Constituição para analisar essa questão. E logo depois, um homem forte e másculo teve o prazer de se debruçar sobre mim. Então, não consegui chegar a maiores conclusões sobre o assunto, exceto por este pequeno trecho que ficou marcado em tinta na minha bochecha, e que pude ler quando fui ao banheiro me retocar após a sodomia na biblioteca:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V – homens e mulheres são livres para dar a bunda, sendo veado aquele que gostar;

Acho que por este pequeno excerto podemos constatar uma verdade irrefutável: o Estado não apenas concede e assegura o livre-arbítrio anal, como também gostaria de participar desse papo, se não estivesse ocupado fazendo outras coisas lá em Brasília.

Na verdade, uma Constituição apócrifa de 1992 demonstra uma certa tendência homossexualizante que rondava os corredores da Assembléia Constituinte, como podemos ver a seguir:

I – fica liberado, para todos homens do meu Brasil varonil, o sexo anal;

II – nenhum homem ou mulher é obrigado a fazer ou deixar de fazer nada, mas você que começou com esses papos, então agora vai ter que pôr pra nois;

III – fica determinado que quem chupa um pau não é gay;

IV – fica muito bem em você esse robe rosa;

V – se quiser dar o cu, vai lá e dá, que se foda, num sou seu pai mesmo;

Apesar de confuso, podemos compreender nas entrelinhas uma discussão que, apesar de não aparecer na mídia, chegou até as mais altas camadas do legislativo: a legalidade do sexo entre homens. Enquanto a ala conservadora dizia que isso era coisa de veado, os partidos mais à esquerda diziam que a soberania do homem másculo deve ser respeitada, e que, afinal, o cu não é seu, então que que você tá me enchendo o saco?

Essa discussão pode parecer muito adiantada até para os dias de hoje, mas a verdade é que a legalidade de dar a bunda já é assunto de cientistas políticos e filósofos desde muito antes do termo “bichona louca” ser cunhado. Uma bicha avant la lettre é Voltaire, famoso iluminista francês, que já em 1759 escrevia, com a irreverência que lhe é peculiar:

Qual o problema em dar o cu? Eu mesmo já dei diversas vezes. Quer dizer, dei nada, estou brincando. Mentira, é sério, eu curto dar o cu. Estou brincando! Você deveria ver sua cara de espantado. Vou deixar essa no ar. Agora vou tomar meu banho… vou deixar a porta aberta, qualquer coisa. Ah, te peguei! Você é mesmo tão inocente quanto um botão de rosa. Agora eu vou. Se alguém me ligar, diga-lhe que estou no banho… com a porta aberta.

Com um ar mais comedido que seu contemporâneo, Jean-Jacques Rousseau também versou sobre o assunto:

A finalidade do corpo humano deve ser sempre respeitada. Da mesma forma que não se espera que um homem ande apoiado em suas mãos, e nem que faça suas refeições segurando os talheres com os pés, não podemos exigir que o ânus seja usado para fins que não a defecação. Não podemos, porém, incorrer na repressiva idéia de que um homem não é dono de seu próprio corpo – “seu corpo, como vaticina John Locke, é seu único bem irrevogável”. O homem é soberano nos seus domínios, e não há nada mais natural que experimentar, especialmente quando se é jovem. Não que eu tenha feito, mas conheço pessoas conceituadas que fizeram – e gostaram.

Em terras brasileiras, o assunto é discutido não nas altas rodas, mas pelas camadas populares, em conversas informais – que, apesar de não terem força de lei, determinam a conduta comportamental da população. O limiar entre o certo e o errado é exposto preto-no-branco por Tim Maia:

Só não vale dançar homem com homem. E nem mulher com mulher.

Já Gil, do Cruzeiro, é mais permissivo, apesar de delinear bem os limites de sua liberalidade:

Só não vale dar o cu. Mas o resto vale tudo.

Portando, chegamos a uma conclusão no mínimo ma-ra-vi-lho-sa para quem gosta de dar o cu: apesar de não fazer parte da política oficial, apesar do sexo anal não ser garantido por lei (como em países como a Holanda, e outras nações gays), ele tão-pouco é repudiado. Na verdade, a permissividade da lei e as vistas (e bengas) grossas das autoridades fazem com que o sexo anal seja uma prática comum e socialmente aceita por todos, sem inibições – especialmente no caso homem vs homem.

Durante a ditadura, dar a bunda era considerada atividade subversiva, e muitos dos que liberavam o brioco eram detidos e até mesmo torturados. A tortura, porém, acabou incorporando aspectos do sexo anal, e chegou-se a praticar, no Brasil e na América Latina em geral, o sexo anal como tortura. Tanto com o mais bem-dotado do quartel enrabando o preso político, como fazendo com que passivos comessem as bundas magras de seus interrogadores, que fingiam que não gostavam, mas estavam curtindo à beça. Não poderia ser diferente.

Sabemos que na visão do Estado, dar a bunda é legal, e você deveria dar também. Anota meu número aí, me liga se estiver a fim de experimentar.

Sabemos que na visão do Estado, dar a bunda é legal, mas até os dias de hoje ainda há muitos mitos envolvendo o sexo anal e a Igreja. Enquanto a Igreja Católica é totalmente permissiva e até mesmo instrui seus prelados a iniciar os mais jovens na sagrada arte de dar o cu, alguma facções ainda interpretam a Bíblia de maneira errada, a ponto de condenar o bom e velho backdoor fucking.

Uma leitura mais cuidadosa da Bíblia faria com que até os mais másculos dos homens amolecessem seus corações e abrissem seus rabos. Marcos 13:16-18:

Ai do homem que se envergonhar do que Deus lhe concedeu. Que a vontade dos homens seja plenamente satisfeita, que o orifício último verta não apenas excrementos, mas que nele seja vertido a semente da vida, só de sacanagem.

Assim, podemos chegar à conclusão de que não há nada te impedindo de dar o cu, e que você tá nessas só por medo de gostar. Pois não há nada a temer, não há nada a temer, meu filho. A verdadeira resposta para esta questão está dentro de você, dentro do seu coração. Basta observar os sinais que seu inconsciente lhe dá.

Por exemplo: você nunca quis engolir uma banana em uma mordida só? Você nunca ficou no vestiário tomando banho por 3 horas, só esperando o time de rúgbi entrar pra se lavar? Você nunca quis trocar sua namorada por um travesti lindo, aquele que outro dia você levou pra tomar um café na padaria, e ele foi supergentil com você, e ainda deixou o pênis cair por debaixo da saia, em sinal de gratidão pelo pingado pago? Nunca? Bom, então, foi mal, mas acho que você não é o meu tipo.

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Filed under Bunda, Duplo sentido, Flashback, Gay's the way, Traveco

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