Feliz aniversário, judeu!

Feliz aniversário, judeu!

É isso que muitas pessoas disseram no 24 de maio de 2010 (vulgo ontem), quando Robert Allen Zimmerman completou 69 anos de vida. E eu, como grande detrator fã, resolvi fazer uma  retrospectiva ilustrada e depreciativa da evolução estética desse judeu nascido em Duluth, Minnesota, no Anno Domini 1941.

Na verdade, eu nem lembrava que era aniversário dele (por que raios eu lembraria?). Vi no nick de alguém, no msn. O único artista de quem lembro (e comemoro) o aniversário é Freddie Mercury (vulgo Farrokh Bulsara). Isso porque Freddie e eu nascemos ambos no dia 5 de setembro! Eba! E, como diz a velha máxima: as coincidências não param por aí!

Another on bites the fronha

Mas voltemos ao aniversariante.

Sua voz não é a mesma, nem os seus cabelos, nem nada. Agora ele é um esqueletinho em roupas country folgadas, chapéu, e bigodinho fino. O que aconteceu com Bob Dylan?

Que merda foi essa que aconteceu com Bob Dylan?!

Apesar de sua aparência repulsiva dos dias correntes, Zimmerman nem sempre foi um velho enrugado. Não, muito pelo contrário: já foi um jovem viçoso, bochechudo. Chicão, solta o Bob Dylan novinho.

Yeah, I must be twenty...

Essas bochechas gordas – junto com algum talento musical – foram o que garantiram a ele um contrato com uma gravadora para, posteriormente, se tornar rico milhonário. Com o tempo ele foi melhorando, até se tornar o Rei do Folk, sendo paparicado por todos, estando, inclusive, na Marcha a Washington por Trabalho e Liberdade, em 63, quando Martin Luther King fez seu mais famoso discurso. O queridinho do Movimento pelos Direitos Civis fazia sucesso com aquelas musiquinhas: Blowin’ in the wind, The times they are a-changin’. E como todo rei tem que ter uma rainha, o queridinho tinha uma queridinha: Joan Baez.

Bob Dylan comia essa mina (ela era gostosa)

A masturbação coletiva estava em seu auge, mas ele decidiu virar artistinha. Parou de fazer música de protesto, começou a falar merda e incorporou o menino Rimbaud, só que de óculos escuros.

All I really wanna do

Robert também aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer, e resolveu tocar guitarra (de novo essa, Rafael?!). A criançada não gostou, mas as minas pagaram um pau. Going electric, ele com certeza comeu muitas muitas minas mesmo. Virou amigo do poeta gay (que com certeza gostaria de chupar seu pau circuncisado) Allen Ginsberg, e foi aprontar altas confusões na Inglaterra – D.A. Pennebaker foi lá e filmou tudinho. E foi esse Bob Dylan que nós aprendemos a gostar.

No more Mr. Nice Guy

Gravou 3 álbuns elétricos, pushed it to the limit, até o acidente de motocicleta que fez com que virasse bichinha de novo. Tornou-se um cara de família, começou a pentear o cabelo, viveu de renda por algum tempo e voltou mais suave do que nunca.

Meu amigo Johnny Cash

Ninguém reconhecia sua voz, nem seus cabelos. Foi uma guinada radical ao country, mas aos poucos ele foi retornando. Recolocou os óculos escuros, mas foram os óculos errados.

"You've changed... these new clothes, new car, theses shades"

Depois do Heath Ledger, ele decidiu virar artista, mas artista mesmo. Começou a groselhar pelos cotovemos, lançou Renaldo and Clara (um delírio cinematográfico em que um personagem, de fato, se chama Masked Tortilla). Mas houve a brilhante Rolling Thunder Revue – uma turnê junto com uma porrada de gente (inclusive a Joan Baez, que ele, com certeza, deve ter arranjado uma forma de comer – eu arranjaria -, apesar da presença da sua esposa – assim mesmo) (Ninguém é de ferro, porra!). Apresentava-se de chapelão e maquiagem. Irrepreensível.

Stop! In the name of love

Esse foi seu auge. E como se sabe, depois do auge vem a decadência. Com o fim do casamento, converteu-se ao cristianismo, ficou velho, enrugado, e rouco de tanto cigarro. Ainda conseguia manter a pose, mas era por pouco. Camisas, jaquetas de couro. Nada adiantava. Velho magro, já começou a sobrar espaço dentro das roupas. O declínio.

Forever old

Suas bochechinhas fofas caíram, seu nariz adunco tornou-se cada vez mais judio. Depois de cristão, voltou ao judaísmo, tornando-se half-sionista. Sem fôlego, partiu pro feijão-com-arroz pra continuar lançando álbuns. Envelheceu com dignidade até certo ponto.

Eu sou você depois de amanhã

Mas chega uma hora que a coisa degringola e o pau amolece. Cada vez mais conservador, cada vez mais chato, cada vez mais velho, assumiu a voz do Pato Donald e começou a ignorar sua aparência. Como bom judeu, seu único objetivo é ganhar dinheiro levar a felicidade às pessoas, e continua em turnê, deprimindo multidões. Que saudades dos wayfarers, das harmônicas, das mulheres, das ereções. A única coisa que sobrou de Bob Dylan foram seus olhos azuis.

Oh, where have you been, my blue-eyed son?

Se fosse crime ficar velho, Bob Dylan iria pra cadeira elétrica.

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Filed under Capitalismo, Maluco chato, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis, Zimmerman

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