Minhas Copas do Mundo – 1994

Rapaz, esse tic tac de cereja é gostosinho, viu.

Bom, qual é o papo?! Hoje fui ao shopping. Nenhuma menina gostosa, vê se pode. Passou uma que eu segui a bundinha com os olhos, mas quando fui ver, era meio gorda. Pior do que uma mina meio gorda, só uma gorda inteira. Não que eu suporte uma meio gorda – não, não suporto.

Mas o que eu ia falar?

Ah, é! Hoje é dia do SEGUNDO da série de 5 (eu disse ontem que seriam 4, mas obviamente eu não soube calcular) posts de aquecimento para a Copa do Mundo da África do Sul.

Hoje: Copa dos Estados Unidos, e Rafaelzinho torcedor fervoroso pelo tetracampeonato.

Diferentemente da Copa de 90, da qual não me lembro nada, a Copa de 94 foi uma loucura para um pobre menininho de 8 anos que era Rafaelzinho na época.

Veio a Veja especial da Copa do Mundo, e eu fiquei pirando naquela revista. Copiei todos os uniformes, as bandeiras, os estádios, ficava estudando a revista com tanta perseverança e tenacidade que lembro das páginas já gastas, quase se rasgando. Era maravilhoso.

Eu adorava especialmente os uniformes da Alemanha (aquele mosaico tricolor nos ombros me deixava maluco), dos EUA (especialmente o segundo, prateado com as estrelas), da Suécia (principal adversária do Brasil) e, claro, a clássica camisa da Seleção. Eu simplesmente copiava e desenhava tudo que havia para se desenhar naquela revista especial da Veja, e ficava decorando os países, as bandeiras, as sedes, tudo. Fora o logo oficial da Copa, que eu acreditava ser a obra de arte mais bem acabada da História da humanidade.

100% awesome

Muito bonitinho, né? Tem um quê de Kellogg’s. Eu, pelo menos, sempre associei a embalagem de sucrilhos com esse logo. Nossa, eu pirava. E copiava também o mascote, que era consideravelmente mais simpático que o 90. Era o cachorrinho Striker.

Striker, o cão

A Copa do Estados Unidos, como vocês podem ver, foi uma experiência de puro delírio estético para aquele pobre menino de 8 anos de idade, que folheava a revista em assombro com seu irmãozinho mais novo.

E a camisa do Brasil, meu amigo.

Dois clássicos, a amarela e a azul. Se hoje parece cafona, na época era o máximo do estilo. Os escudos da CBF estampados no peito faziam minha alegria na hora de desenhar o Romário ou o Bebeto.

Camisa 1

A camisa da final, e da maioria dos jogos. Foi com ela que o Leonardo quebrou a cabeça do Tab Ramos, e com ela que o Bebeto marcou contra os EUA, e declarou todo seu amor ao Romário, depois da jogadaça do gol. Lembro do desespero contra os Estados Unidos, aquele gol do Bebeto, o chute milimétrico! Eu ficava revendo o lance, simplesmente desesperado com a idéia de que por pouco não tinha ido pra fora – a sensação de que a vitória havia sido no limite, que se não fosse esse pequeno milagre, o Brasil nunca seria capaz de vencer aquele jogo. 4 de julho, Leonardo expulso, o sol implacável. Aquilo, pra mim, foi uma maravilha criada por Romário e Bebeto.

Camisa 2

A camisa azul foi usada nos jogos mais sofridos do Brasil. Se bem que todos foram sofridos! Meu Deus! Mas especialmente os dois jogos contra a Suécia e aquele 3 a 2 na Holanda. Meu Deus, que que foi aquilo? O primeiro contra a Suécia foi 1 a 1, no estádio coberto de Detroit, a cidade do Robocop!! Gol do Romário, claro, empatando depois do gol Kennet Andersson (que eu descobri agora que não é Kenny). O segundo, nas semi-finais, o também clássico (tudo é clássico agora!) gol de cabeça do Romário, como dizem: o baixinho Romário subindo no meio dos grandalhões da zaga sueca!

Mas aquele jogo contra a Holanda foi ainda mais absurdo. Lembro parcamente dos gols holandeses, mas dos brasileiros lembro tudo direitinho. O gol do Romário num salto sensacional, suave, depois do cruzamento do Bebeto; o do próprio Bebeto, rapidinho, driblando o goleiro e saindo pra comemorar ninando o neném; e o salvador do Branco, depois de meter a mão na cara do holandês, ele sofre a falta, pega a bola e manda um míssil no pé da trave – não sem antes, no caminho, o Romário desviar o que eu acreditava serem milímetros pra não interferir na trajetória perfeita da bola. Mais uma vez o Brasil no limite do suportável! Mais um milagre do Romário! Meu deus!

E a final todo mundo sabe como foi. De novo um sofrimento de fazer o cu cair da bunda. Benza Deus! FAZ ESSE GOL, ROMÁRIO! Puta que pariu! Depois desse jogo, eu, com oito anos, tive a mais absoluta certeza de que Brasil e Itália era o maior clássico do mundo, comparável com Corinthians e Palmeiras. Que desespero. Mas me lembro também da alegria desmedida quando o Viola entrou! Eu e meus primos, vibrando como se fosse final de Copa do Mundo, porque o atacante do Timão tava entrando em campo! Vibramos demais, lembro do Viola andando, cheio de marra! Agora vai! Agora o Viola vai resolver a Copa pro Brasil! Cacete, aquele foi um momento de extrema alegria.

E aí vocês sabem o que aconteceu. Mas não sabem, talvez, é de por que aconteceu. Viola revela o segredo do tetracampeonato:

Sensacional!

E, na hora dos pênaltis, lembro de não suportar a pressão e me esconder no banheiro, puro desespero. Escondi-me, só pra voltar correndo pra tevê pra ver as cobranças! Aquilo foi um desespero, uma loucura para um menino de oito anos. Que cacete, quanto sofrimento! Quando o Baggio perdeu o pênalti, mandou por cima, eu simplesmente não podia acreditar naquilo. Mais uma vez o Brasil se dava bem no limite, no impossível. Taffarel agarrando pênalti com autoridade. Mas, acima de tudo, Romário batendo com categoria, da trave pro gol. Foi só mais uma vez, a última vez, da Copa de 94 pro Brasil. Puro desespero, no limite do suportável. Mais um milagre do Romário.

Pras saideiras, o vídeo transmissão da Globo dos pênaltis. O Galvão era mais comedido, mas já era bem chato. Clássicos como o grito de “É tetra!”, o Pelé com a gravata dos Estados Unidos, e o cara da comissão técnica que dá uma cambalhota. CLASSIC:

Ps: num comentei a homenagem ao Senna, que morrera meses antes daquele mesmo ano. Foi muito emocionante aquilo. Eu tinha um pôster do Senna em cima da minha cama, na McLaren branca e vermelha. E eu deitei e chorei, naquele domingo, quando me disseram que o Senna tinha morrido.

Quanta emoção prum menininho, coitado de mim!

7 Comments

Filed under Coitado do Manolo, Futebol

7 responses to “Minhas Copas do Mundo – 1994

  1. Raul

    eu tinha 5 anos, eu lembro que eu tava dormindo, e fui acordado abruptamente pelo meu pai e meu irmão, me sacudindo e gritando, É TETRA, É CAMPEÃO, TETRAAA, dai agente foi comemorar na rua, com fogos de artificio, e meu pai nos deixando brincar com sua maquina de pregar, aquela que atira pregos, bons tempos, boas coisas

  2. Pingback: Balanço & Termos Mais Pesquisados « Rafael Zanatto

  3. Carlos Santos

    Em 94, a camisa da seleção tinha apenas 3 estrelas!

  4. Carlos Santos

    Para mim, foi a última Copa que prestou. Os Ronaldos e outros jogadores sem graça tiraram a graça das copas seguintes. Somente agora em 2014 a Copa volta a ser Copa!

  5. Xará, que publicação! Tão identificável que me levou ao êxtase a partir do “Veio a Veja especial da Copa do Mundo”, pois fiz praticamente o mesmo que você, só que na Copa de 2006, quando tinha 10 anos, e também lembrava pouco da de 2002, porém com devaneios místicos para toda criança apaixonada por futebol, pois o Brasil conquistou o título. Suas palavras me fizeram viajar ao já longínquo ano de 1994, em que eu ainda nem era nascido, e conhecer esta história de um dos meus “ídolos” (não gosto da expressão, pois dá a impressão de algo cego e irracional, por isso as aspas) no futebol, que é o Viola, pois este fanfarrão faz parte do folclore brasileiro! Avenida Brasil que nada! O precursor do termo “chupetinha” foi Paulo Sérgio Rosa, ao fazer o cracaço Roberto Baggio tremer e isolar aquela penalidade. Quero comprar a lendária camisa canarinho do Brasil desta Copa, e a 21 do Viola, a partir de agora, após descobrir esta até então inimaginável história. Parabéns pela postagem. Estou favoritando-a neste momento aqui no computador! A Copa das Copas foi realmente a de 2014, mas meu saudosismo faz com meu coração bata mais forte por esta de 1994. Grande abraço!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s