Minhas Copas do Mundo – 1998

A Copa da França foi minha última Copa ainda criança. Eu tinha 12 anos – vá, criança, vai?! Conta ainda!

Se a Copa de 94 foi um delírio estético para um menino de 8 anos, a Copa de 98 foi, foi o quê?!

Foi uma Copinha meio sem graça até. O Brasil era campeão, o time era mais ou menos o mesmo, mas tinha, ainda por cima, o Ronaldo como novo craque. Tava tudo certo pra ser campeão. Lembro das vitórias que não convenciam, das faltas criminosas no Ronaldo, e do frio que fazia aqui na época.

Já que falamos sempre dos mascotes, o mascote de 98 era o Pica-Pau© galinho Footix, que não convencia ninguém.

Footix se footeux

E o logo, apesar de ser em branco, azul e vermelho (sou tarado por essa combinação de cores, assim como todo o mundo ocidental), também não chegava aos pés do de 94. Tudo tinha um ar meio intermediário, nessa Copa. O uniforme do Brasil era da Nike, com aquelas listras nos ombros, tudo ficou marcado, pra mim, como algo que não deu lá muito certo (talvez porque realmente não tenha dado, hello?!?!).

Fuck the french

Essa Copa não me marcou com grandes emoções. Lembro claramente do gol do Ronaldo contra o Chile, que ele bate na esquerda e o goleiro cai pra direita. Tava em Campos do Jordão com meus pais, e fiquei imitando o lance umas mil vezes com meu irmão no gramado.

Minhas maiores emoções foram em França e Paraguai nas oitavas, e Brasil e Holanda nas semi-finais. Esses foram pura doideira!

FRANÇA E PARAGUAI

Mais uma vez, o Corinthians me orgulhava na Copa do Mundo! Gamarra foi representando o Timão, na defesaça do Paraguai, que tinha também Chilavert, o maior goleiro-artilheiro que o mundo já viu.

Gamarra jogava demais nessa época. Era uma coisa absurda. Ficou marcado na minha cabeça como o paradigma do zagueiro. Até hoje, quando, jogando bola, faço um bom corte, roubo uma bola, ou me posiciono inteligentemente atrás do meu goleiro que saiu e salvo o gol (aprendi com ele essa), eu penso, eu grito por dentro GAMAAAAAAAAARRRRRRRAAAAAAAAA!!

E foi esse Gamarra com o Chilavert mais 9 paraguaios que tavam segurando o empate em zero a zero com a França, e todo mundo sabia que, indo pros pênaltis, o Chilavert, no mínimo, ia pegar todas, além de bater com aquela categoria e correr pro abraço, como tantas vezes já tinha feito na Libertadores da América. O mundo inteiro sabia disso, e a França mais ainda. Gamarra, num lance de puro heroísmo, acabou caindo por sobre um francês e machucou a clavícula. Mas o maior zagueiro do mundo, da História, do Timão, não ia sair daquela Copa por uma lesão superficial como esta. Ele voltou, pra terminar sua exibição em alto estilo, sem cometer uma falta em todo o certame, com o braço imobilizado. Mas todo esse heroísmo, infelizmente, não foi o suficiente. Blanc marcou na prorrogação, morte súbita, e os brilhantes paraguaios voltaram para seu país de ruas de terra batida, carros roubados, bugigangas defeituosas, perecotecos inúteis, bebida falsificada e os mais diversos ítens contrabandeados.

BRASIL E HOLANDA

Esse foi um jogão! Foi uma desgraceira em forma de jogo de futebol! Os uniformes brilhantes da Holanda e do Taffarel estão marcados na minha retina, tal qual toda a pronografia que consumi incessantemente ever since – pensando agora, foi minha última Copa sem punheta. Não que eu bata punheta na Copa. NEM QUE EU NÃO BATA.

Tive uma recaída.

BOM!

Ronaldo, à época Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrronaldiiiiiiiiinho, marcou para os brasileiros (nós) (os de amarelo) (amarelo mesmo, não laranja), e o Galvão narrou assim:

Rrrrrivaldo, pra Ronaldinho, OLHA O GOL! OLHA O GOL! OLHA O GOL! OLHA O GOL! OLAH O GOAL! OGLHA O GOL! OGLHA O O! OLHA PO GOL! OLAH PO AOGL O9LHOAKJAHAP GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLL ÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉEÉÉÉÉÉÉÉÉÉééééeééééééééééééééé… É DO BRASIILLLLLLLLLLLLLLLLL (POING! Brasil sil sil sil!)

Aqui, em vídeo, pra vocês comprovarem que o que eu estou falando é verídico e classic:

Sentiram o drama?!

Mas nem tudo são rosas pro Brasil! Aos oitenta e sete minutos (vulgo quarenta e dois do segundo), Patrick Kluivert, que se tornaria companheiro e amante (?) de Rivaldo no meu, no seu, no nosso Barcelona. Ops, fechei a frase sem querer. Continuando: Patrick Kluivert, que se tornaria companheiro e amante do Rivaldo no Barça, saltou como Cuba Gooding Jr, parou no ar como um beija-flor, e cabeceou como um Jardel pruuuuuuuuufuuuuuuunnnnnnduuuuuuuduuuuuugooooooooooooool (Cléber Machado, né pessoal, por favor).

-Chicão, solta uma comparação entre o Kluivert e o Cuba.

Cuba Gooding Jr e Patrick Kluivert - quem é quem?!

-Agora solta o Kluivert flutuando no ar e mandando prufundudugol.

Ééé da Holanda! (Poing) Holanda da da da!

Neste momento eu, no auge dos meus 12 anos, quis arrancar minha roupa e fazer sexo com um bode, tudo por pura incredulidade. Foi aí que eu comecei a fazer sexo com animais. Culpa do Cuba Gooding holandês e meio gordo. Gol! Brasil 1, Holanda também 1. A coisa ficou feia. Foi pra prorrogação, aquela loucura, e, posteriormente, pênaltis. Esse menino, que quatro anos antes, sofreu com as cobranças do tetra já estava mais controlado. Mas isso não o impediu de pular junto com Taffarel, com sua camisa verde brilhante de seda e fazer aquela defesa no desgraçado do Ronald de Boer (já odeio gêmeos, ainda mais na colônia holandesa do Barça – aquilo me tirava do sério. Não que eu já torcesse pro Barça, NEM QUE DEIXASSE DE TORCER, mas já tinha em meu coração ódio pra dar e vender). E nem impediu o já mais do que marmanjo Galvão Bueno e gritar ensandecidamente.

SAAAAAAAAAI SAAAAAAAAAAAAI SAAAAAAAAAAAI SAAAAAAAI QUE É SUUUUUUUUUA TAFFAREEEEEEEE=´(E-E-E-ELL! BRASIL NA FINAL DE NOVO, BRASIL DE NOVO NA FINAL! (meo desu to infertano) SAI QUE É SUA TAFFAREL

Pra vocês que acham (como eu suspeito) que eu estou mentindo, o vídeo ACTUAL FOOTAGE:

A FINAL

A final começou muito suspeita. Estávamos na minha vó, tava muito frio, fizeram sopa mas não tinha mão. Tudo muito suspeito. Todos uniformizados, bandeirinhas, aquele sofá de couro pelando de gelado colado na parede externa daquele gélido condomínio na Chácara Inglesa, São Bernardo do Campo, toda essa comoção familiar pra ligar a tevê e dar de cara com o Galvão pirando na batatinha porque o Edmundo ia jogar! O Edmundo! Esse mesmo! O da reboladinha! Aquele mesmo que, num acidente de carro, munido de sua Cherokee, matou três pessoas e, tal Caim, ganhou do Senhor uma marca em sua testa, para lembrá-lo de seu crime e evitar que se alguém o encontrasse, alguém o matasse.

Mas seu maior crime não sou libidinoso nem assassino.

Edmundo dá cerveja pra macaco. Qual o sentido de se levar uma vida dessas!?

No final das contas, ele não entrou. Ronaldo jogou baleado. E no final das contas, Zinedine Zidane, Zizou, o argelino, marcou dois gols de cabeça. Emmanuel Petit fez o terceiro só pra comprovar nossa teoria de que a Copa tava comprada. Nada deu muito certo naquela Copa, e já era um sinal de que ninguém mais dava muita bola pra Seleção. Talvez pro Ronaldo, merecido. Mas a Seleção já perdia a graça.

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Filed under Capitalismo, Futebol, Punheta, Que papo é esse?

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