Minhas Copas do Mundo – 2006

A Copa da Alemanha foi um sofrimento pra chegar. Todo dia, passando pela marginal pra ir rpa faculdade, aquele outdoor enorme da Sony, gigantesco, com uma tela que contava os dias – um a uma! – que faltavam pra Copa. Começou desesperançoso, faltando mais de duzentos dias, e toda vez que passávamos apertados no carro, suando com o sol no lombo, o trânsito parado, poluição, sujeira, barulho, duzentos e tantos dias pra Copa.

-Quem faz um negócio desse? Pra que torturar a gente assim?!

E era uma temporada brilhante pro futebol, todo mundo queria logo ver aquela Copa do Mundo. O Barcelona estava impossível. Messi estava começando mas, acima de tudo, Ronaldinho estava no auge da sua forma, e se ele continuasse a jogar bola daquele jeito eu não sei o que faria, mas com certeza envolveria atear fogo nas minhas roupas e fazer sexo com um travesti (isso é o básico). Ronaldinho era incrível, e eu dava saltos de pura loucura aqui, especialmente naquele Chelsea e Barcelona, lá em Londres, pelas oitavas de final da Champions League 05/06, quando Messi com muita garra amor e paixão roubou a bola do zagueiro, meteu um rolinho na linha de fundo e pulou para a entrada criminosa de Del Horno, que foi expulso sem cerimônia. Isso não aplacou o time de azul, que veio com tudo pra cima da equipe catalã que, naquela altura, vestia o maravilhoso segundo uniforme num amarelo fluorescente, e o Chelsea abriu o placar cruzando uma bola que o néscio Thiago Motta converteu em autogolo. Barcelona, melhor time do mundo ontem hoje e sempre foi pra cima e John Terry, zagueiro trambiqueiro talarico, não suportou a pressão e marcou também um autogolo, agora empatando o jogo. A pressão continuou e um contra-ataque violentíssimo puxado por Ronaldinho e Rafa Marquez (corrijam-me se eu estiver errado) cruzou na cabeça de Samuel Eto’o, o Etodinho, que mandou pro gol e eu pulei pra cima da cadeira, o punho fechado no ar, enquanto o camaronês foi pra galera, louco de pedra, doido varrido Barcelona 2 a 1 de virada lá na Inglaterra. Tudo perdido pro Chelsea, no jogo de volta em plena catalunha foi só passar o tempo até 0s 77 minutos quando Ronaldinho pegou a bola e foi direto e reto em direção à área, derrubando John Terry no peito, pura potencia fisica, e mandando pro gol. Chelsea ainda faz um gol de pênalti, mas não fez diferença alguma.

Era nese ritmo alucinado do maior jogador do mundo no meior clube do mundo campeões europeus e o outdoor da Sony contando lá “faltam 140 dias pra Copa do Mundo”. Aquele desespero, contando os dias, já matando aula pra ver a Champions League, então quando, naquela quinta-feira, a Sony me dizia “Faltam 1 dias para a Copa do Mundo” a correção gramatical não foi obedecida, eu subi na ponte Cidade Jardim, vendo a estação de trem adornada com um enorme outdoor da Adidas representando vários craques Beckenbauer, Zidane, Zico, Messi (notem que é antes da Lei Cidade Limpa), eu disse pro Siola, meu amigo:

-Si, você não vem pra aula amanhã, né?

-Eu venho, sim.

-Não! Vamos matar aula! É a abertura da Copa!

-Não, não, eu vou.

-Mas assina pra mim então.

-Beleza.

Fiquei em casa e vi Alemanha 4 Costa Rica 2, sastisfeito de não ter ido à aula de História Medieval. A Copa seguiu com completa cobertura de Rafael Zanatto. Certo dia enchi a cara e dormi na casa do Renê. Acordamos lembrando que a nossa Argentina jogava, ligamos a tevê e passavam o replay do grande gol football association que resultou no arremate certeiro de Cambiasso depois da ajeitada de calcanhar do Crespo, golazo, golazo, vamos vamos, Argentina!

Oitavas de final, sexta-feira, eu tinha prova de História Medieval. Já chegavam duas horas e Argentina e Alemanha continuavam a jogar. 1 a 1. Pekerman, ganhando de um a zero, me tira o Crespo pra colocar Julio Cruz, o cone, enquanto Lionel Messi, a estrela ascendente do futeobl mundial, sentava no banco. Quase matei o Pekerman! Só não matei porque ele tava lá na Alemanha e eu tava lá na FEA. Era hora de ir pra FFLCH. Fui, correndo enquanto os pênaltis não começavam. Eu já estava atrasado. A faculdade vazia com todos em suas salas e eu no xerox, vendo na tevezinha as cobranças. Mais uma vez a sorte nos traiu.

Entrei na sala, triste, puto, deprimido, todos já faziam a prova e atrás de mim entrou Marcelo Cândido, professor de Medieval (a prova unia as turmas dele e da Ana Paula, minha professora), e o babaca (conhecido por sua babaquice) (“O mais novinho e o mais escrotinho”, segundo recado deixado na parede do banheiro) comemora com um sorriso:

-Argentina perdeu!

Meu humor era horrível, fiz a prova, tentei colar (quase fui pego) entreguei de qualquer jeito e, era de se esperar, bombei.

Dia seguinte, um FLASHBACK!

UM FLASHBACK TEM CERTEZA RAFINHA?

Certeza absoluta!

VOCÊ TÁ COM PREGUIÇA DE ESCREVER?

Não enche, agora é hora de FLASHBACK!

CABARAM AS IDÉIAS RAFINHA?

Cedo, chegamo. O mesmo hospital onde eu nasci. No estacionamento, tinha uma BWM, e eu pensei “Hã, olha lá o cara”. Chegamos na sala de visitas da maternidade, e tava lotado. Naquela hora eu pensei “Que diferença da sala de visitas da UTI. Lá estão morrendo, e aqui, nascendo. Isso conta no bom humor da galera”. Olhei pra entrada da maternidade, e lá tava o cara. Cutuquei os que estavam ao meu lado, e falei “Olha lá o cara, hã”. Cumprimentamos todos que conhecíamos, e até alguns que não conhecíamos. Portugal e Inglaterra. Cumprimentamos o papai, e fomos visitar a mamãe. No caminho, vimos, pelo vidro, o rebento. Recém-nascido, mas eu fiquei impressionado em como ele não era horrível! Em como não tinha cara de joelho! Era bonitinho! É bonito! Falei isso pro papai. Fomos visitar a mamãe, e não havia muito que se pudesse falar com ela, né? Assinamos o livrinho de recordação. Que mais tem pra se fazer por aqui? Voltamos pra casa, e eu assisti ao final de Portugal e Inglaterra. Vibrei quando Ricardo pegou o pênalti. E quando Cristiano Ronaldo converteu, eu falei “Hã, o cara se acha”. Dormimos, creio. À tarde, a grande atração: Brasil e França. O que é essa faixa na cabeça do Ronaldinho? Que ridículo. Num jogou nada até agora. Será que agora vai? Até tive boa vontade com o Brasil, especialmente com o Ronaldinho, que, havia apenas um mês, dera a mim e a toda a torcida blaugrana, a maior alegria que se pode ter. A boa vontade trocou de lado quando Zinedine acabou com o jogo. Já ao final da partida, eu tava cantando A Marselhesa. Saímos pro hospital novamente. “E o Brasil, êh?” era o comentário geral, mas eu, da minha parte, dizia “Esse menino pode ter dado azar pro Brasil, mas deu sorte pro futebol. Onde já se viu alguém jogar daquele jeito, hã?”. Entramos pra visitar a mamãe, e agora o rebento estava disponível também. Quando ele chegou, apagaram as luzes. Minha vó pegou o menino no colo, eu e meu irmão olhamos pra criatura. Meu irmão olhou pra câmera, e tiraram a foto. Saímos, estava frio. Mesmo assim, o papai distribuiu charutos. Fomos comemorar. Eu, meu pai, meu irmão, meu tio, e o papai. Sentamos no banco do estacionamento, e fumamos. Que frio fazia. Relembramos velhos tempos, e como havia rumores que um primo meu pegaria o tiro de guerra, os mais velhos contaram histórias do tiro deles. Saímos de lá para uma lanchonete. Comi um lanche enorme e tomei uma Erdinger. A janela tinha uma camada de uma tinta plástica, e lá as pessoas deixavam mensagens. Deixei a minha: “Allez les bleus!” Saímos de lá e vim pra casa. Peguei o telefone, fiz uma ligação, e fui pra uma festa junina numa praça próxima. Tinha comida e bebida aos baldes. Literalmente aos baldes. Fiquei com nojo de participar daquela extravagância gastro-colifórmica. Eu disse “E o Zizou, hã? E que vamos fazer, hã?” E o loirão disse “Me ligaram. Tem um pessoal lá na casa de uma das meninas”. Êh, vamos lá. Fomos lá. Subimos, e tudo estava à meia luz. Entramos pela porta e, ato-contínuo, smoked a joint. O irmão da anfitriã estava alterado. Não apenas pelo THC, mas, aparentemente, ele era um dos maiores entusiastas da nossa pátria de chuteiras. A anfitriã disse que ele jogou uma corneta pela janela, quando o jogo acabou. A vista da varanda era uma beleza. Você conseguia ver toda a cidade. Olha aquela avenida que segue reto, bem na nossa frente, parece a Champs Elysées. “Chans o quê?” Nada, nada, to viajando. Entramos na sala, e eu dei em cima de uma amiga minha que estava sentada no sofá. Depois disso, cantamos algumas músicas que não prezavam pelo sentido. O irmão da anfitriã, alteradaço “Ei! Quem rir aqui hoje, é françois!” E eu disse, baixinho “François é Francisco”. O cachorro da família apareceu, e a anfitriã falou que ele tinha uma pata torta. Todos notamos a pata torta, e nos afligimos com a história de que o cão pulou da cama, quando pequeno, e abriu todas as patinhas na aterrissagem. Então ela desatou a falar de todos os problemas que o cachorro já teve, e até contou sobre o treinamento ao qual o cão foi submetido para obedecer melhor seus donos. Era o papo menos interessante da história, mas toda a platéia mantinha-se em silêncio e observava a palestrante com uma obediência canina, encantados pelo efeito da droga mais famosa do mundo. Eu estava sentado no chão, como de costume, e meu amigo ao meu lado, ele estava ajoelhado. Ela falava olhando nos meus olhos, e eu pensava “Cara, quem quer saber do seu cachorro? Escreve uma biografia dessa porra e bota pra vender! Cacete!” Ela resolveu fazer uma pequena demonstração. Mandou o cão sentar. Ele sentou. Mandou dar a pata. Ele deu. Eu apontei pro meu amigo que estava ao meu lado, e disse “Agora faz com ele!” Todos rimos, e falamos que um homem de terno, na Paulista, chega e fala prum pé-rapado qualquer “Senta! Isso! Dá a mão agora! Isso! Bom menino!” Faz carinho na cabeça do cara, e dá um real pro sujeito. Rimos bastante. Depois disso, não lembro mais nada do dia

ISSO FOI O FLASHBACK?

Foi, ué!

MEIO SEI LÁ MEIO ESQUISITO NADA A VER

Ah, mano, que que tem de nada a ver?

SEI LÁ ACHEI MEIO NADA A VER UM PARÁGRAFO SÓ E TAL

Ah, e você tem história melhor pra contar?

TENHO

Qual?

DA FINAL

Conta aí, então.

NA FINAL EU ESTAVA COM UNS AMIGOS MEUS FAZENDO CHURRASCO E TINHA UMAS GOSTOSAS ATÉ AÍ EU PEGUEI UMA LINGÜIÇA E FALEI OLHA AQUI VOCÊS NUM QUERIAM LINGÜIÇA? E AS MINAS FICARAM TIPO EEEEEWW MAS A GENTE RIU MESMO ASSIM R SRSSSSSSSS

Nossa, essa história foi muito ruim.

É QUE VOCÊ NUM TAVA LÁ

Graças a Deus.

=(

Pode ficar triste. E pode ir embora também.

VOCÊ VAI FALAR DA FINAL?

Num tem muito o que falar.

A FINAL

Para assistir à final, fomos à casa do nosso amigo André Metal, comemorar, concomitantemente, seu aniversário. Era um churrasco, mas tava um frio do caralho. Ficamos jogando pebolim e tomando cerveja. Na hora da Marselhesa, o pai do Metal, carinhosamente chamado de Hitler por nós, abaixou o som, só porque íamos cantar. Ele, assim como o Metal, torce pra Itália pois (fato raro) são descendentes de italianos (difícil mesmo encontrar um tipo desse por aqui) e apóiam o estilo de vida fascista. Assim que você reconhece um ser humano com do qual você gosta e quer ver. AÍ, METAL, MANDA SEU PAI SE FODER, NA BOA.

Zidane marcou aquele gol de pênalti que me fez suar aproximadamente uns dois litros em 5 segundos, e berrei como se fosse morrer (e talvez fosse mesmo). ALLEZ LES BLEUS, cantamos a tarde toda, mesmo depois do gol de empate do mau-caráter. O sofrimento se estendeu, e a Itália, que havia vencido a Alemanha na semi-final de forma nada menos que brilhante (eu mesmo, apesar de ser anti-italiano, comemorei como um tarado) (abusando sexualmente de alguém – é assim que os tarados comemoram), especialmente por aquele passe do Pirlo, o John Malkovich italiano.

John Malkovich e Andrea Pirlo - quem é quem?

Zizou foi expulso por dar uma cabeçada no mau-caráter, mas acho que ficou barato. Zidane deveria ter dado um murro na boca daquele filho da puta, arrancado sua cabeça, bebido seu sangue e comido suas tripas NO MÍNIMO!

Verme do caralho

Aí a Itália foi campeã e os babaca ficaram felizes êê vai se foder todo mundo!

Um pecado o Zizou não ter sido bicampeão.

Sabe o que mais é um pecado? O que o tempo fez com a Kelly LeBrock – a musa de 10 entre 10 garotos rapazes rapazotes e rapazinhos do planeta Terra.

É pecado bater punheta pruma mulher que engordou tanto?

Porra, Kelly.

=´(

8D

=(

8=D

=/

8==D

=o

8===D

=)

8====D

=D

OPS

1 Comment

Filed under Flashback, Futebol, Mulheres gostosas, Não foi bem assim, qq isos morena, Que papo é esse?, TL;DR

One response to “Minhas Copas do Mundo – 2006

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