Saramago morreu!

Antes ele do que eu!

Essa é manjada, mas é também, acima de tudo, verdadeira

Eu ficaria tristíssimo caso eu morresse hoje. Especialmente depois de ter perdido a final da NBA ontem. E olha que eu também nem vi os gols da Argentina contra a Coréia. Acreditam nisso?!

Portanto, obrigado, Saramago, por ter morrido no meu lugar. Ele gostava de futebol!? Num tinha cara, tinha? Então tudo bem. Porque morrer numa Copa do Mundo deve ser uma tristeza. Como o Bussunda. Ou o Leandro, na Copa de 98. Lembro que ele morreu ainda na primeira fase, e o Zagallo falou “Nós vamos ganhar o próximo jogo pro Leandro!”

Resultado: Brasil 1, Noruega 2. A alma do Leandro foi muito mal encomendada pelo Zagallo, e se pá tá aí até hoje, penando. Culpa toda do Tore André Flo (aliás, que nome demais, hein?! Vou dar o nome do meu filho de Tore André Flo. Tore André Flo Jr. Preparem-se!).

Mas voltando ao assunto:

QUE PENINHA DE GALINHA, MORREU SARAMAGO

Agora vamos refletir sobre o assunto:

Isso é realmente tão ruim?! Bom, é melhor que morrer todo mundo, e só sobrar o Saramago. Aposto que até o finado concordaria com isso. Imagina só, de uma hora pra outra, morre todo mundo, e tá você sozinho nas Ilhas Canárias e nem punheta dá pra bater, já que com o colapso da humanidade, a internet caiu e não quer voltar. E sua mulher, aquela chata, jogou todas suas revistas de mulher pelada fora – até porque seu pau já não subia já fazia uma cara. E agora, José?

Pois bem, então, entramos num acordo: que bom que foi ele que empacotou, e que nós temos nosso direito (dever!) de bater punheta assegurado!

Muito bem.

COMO EU CONHECI SARAMAGO

Estava lá eu, na Bienal do Livro de 2004, por razão nenhuma, andando de lá pra cá, até que eu vi o amor da minha vida! Ai ai ai! Mentira, acho que àquela altura, ela já não era mais o amor da minha vida. Mas uma época havia sido. E, olhando agora, benza Deus, Rafael, vamos escolher melhor esses amores. Puta merda!

Estava pensando em fazer um post especial sobre todas as mulheres feias por quem já me apaixonei. Só quando eu fazia francês foram umas duas. Uma pior que a outra, que que é isso. A primeira era bonitinha, e logo na primeira aula, caí de amores, meu Deus, que menina linda. E, para minha maior surpresa ainda, ela estudava Guimarães Rosa! Eu e meus amigos ficamos todos babando. Aí o tempo foi passando, meu amor crescendo irresistivelmente (nunca troquei uma palavra com ela) a ponto de me fazer ficar bravo, filho da puta da minha cara, até que notei que gradualmente ela ia enfeiando. O nescau ia decantando, e à metade do semestre aquilo já era um copo nojento de leite sujo e quente com nescau depositado ao fundo, sedimentado. Benza Deus, como enfeiou. Até parei de ler Guimarães Rosa.

A outra do meu francês era uma magrinha, magrinha magrinha, que tinha um cabelo 100% reprovável. Mesmo nos momentos de mais tórrida paixão (também nunca troquei nenhuma palavra com ela), eu tinha total consciência de que aquele negócio era horrendo. Mas ela era magrinha, e isso, de alguma forma quase doentia (quase?) me excitava. Pra falar a verdade, ela parecia uma vassoura de ponta cabeça. Já o Si era apaixonado pela amiga dela. Na verdade, acho que uma vez ele fez dupla com ela em algum diálogo, e nós concluímos que aquilo, obviamente, se tratava de amor. Como chamávamos o Siola de Paiola (porque ele era um pai pra nós), batizamos a menina de Mãeola. Ah, bons tempos de amores incorrespondidos e piadas gratuitas!

-Rafa, o que isso tem a ver com Saramago?

Muito bem lembrado, loirinha! Nada!

SARAMAGO: O QUE TEM A VER?

Bienal do livro de 2004, 45 do segundo tempo. Eu zanzei pra lá e pra cá, e não tinha feito nada demais, além de encontrar o amor da minha vida (ou ex-amor da minha vida, vai saber, essas coisas são tão transitórias), e eu precisava adquirir um livro. Precisava! Vi um stand da Cia. da Letras e pimba! Ensaio sobre a cegueira. Não tinha desconto nem nada. O que é essa Bienal do Livro, afinal – eu me perguntei. Comprei, sem desconto nem nada- 33 reais.

Lembro-me como se fosse hoje.

Li o livro e, uma coisa que achei impressionante, e pude comprovar vendo Blindness, é que o livro inteirinho ficou muito bem marcado na minha cabeça. Lembro de praticamente todas as cenas. Vendo o filme (que eu não achei lá aquela coisa oh meu Deus vou bater uma punheta pra esse filme, nota: 5), eu me recordava de tudinho. E confirmava todas minhas memórias. Especialmente a de que a rapariga de óculos era muito da gostosinha! Uhm! Alice Braga! Benza Deus! Meua migo! Às vezes eu fico até em dúvida de quem é mais gostosa: Alice Braga, ou a tia dela, a Sônia Braga. A Sônia, né? Certeza. Puta merda. Tudo bem que eu tenho um arsenal quase infinito de taras, mas Sônia Braga, meu amigo. Aquela moreninha, cabeluda, os peitinhos pequenos!

COM QUAL VOCÊ GOSTARIA DE FAZER SEXO?

Entre a Alice e a Sônia?

É QUAL DELAS ESCOLHA

Sônia.

MAS ELA TEM 60 ANOS RAFINHA

It turns me on.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA: JÁ FALAMOS SOBRE ISSO?

Sim, já falamos!

OUTRAS OBRAS

Não sou grande conhecedor da obra de José Saramago. Li apenas, fora Ensaio sobre a cegueira, seu último lançamento: Caim.

É legal, Caim. Aliás, emprestei-o pro Fini. Mas o Fini é confiável. Emprestei outro dia o meu O Processo pruma menina, aqui em casa. Cheguei em casa, rolando mó festão. Cheguei, Linhares já totalmente alcoolizado, com um cigarro na orelha, derrubando um copo no chão, resmungando “Vou acender uma cerveja aqui, vou acender uma cerveja”. Cheguei de extremo bom humor, tomei alguns copos de cerveja, a galera ficou feliz com a minha chegada, gritaram meu nome, aí eu sambei na sala. Foi uma festa daquelas. Afastamos os móveis, dançamos todo mundo, perdi meu copo, cabei bebendo vodka com guaraná quente que tinham esquecido no balcão da cozinha, e aí entro no meu quarto pra me certificar de que tudo está certo, vem o Linhares e a menina atrás. Linha totalmente doidaço. Ela começou a ver meus livros, disse que não tinha gostado de Misto quente e eu e o Linha “Ahhhhh, que que é isso!” Ela não deu o braço nem o nariz a torcer e pediu emprestado meu O Processo. Eu falei “Ô, beleza!” Saímos do quarto, Linha acabou ficando e dormiu, capotou. Mais tarde, já jogando fora conversa na sala, toca um telefone. Fini, que se chama Rafael Fini, atende o telefone (por que atender o telefone dos outros?) e a mulher do outro lado da linha diz que quer falar com o Rafael (ela está brava). Fini, que é Rafael, me entrega o telefone “Ela quer falar com o Rafael!” Cacete! Você é Rafael também! Que que eu tenho a ver com o telefone dos outros? Atendi, a mulher possessa “Rafael! Quero você em casa em 10 minutos!” E eu “Ahhm, com quem você quer falar?” A mulher tava braba, viu.

Depois de confabularmos por alguns minutos e atendermos mais algumas vezes a ligação da mulher, lembramos que o Linhares também se chama Rafael! Ah! Tudo faz sentido! Levamos o celular tocando pro Linha, ele não queria acordar por nada. Depois de muita insistência, sentou na cama, pegou o celular na mão e levou-o à boca como se fosse um copo. Bebeu tudinho. Rafael Fini e Rafael Zanatto ficavam perplexos com Rafael Linhares, e riram, ah, como riram! Depois Linha pegou o controle da tevê e atendeu “Alô?”

Falando nisso, o Linha e o Xapeu chegaram aqui, pra miar minha arrumação de casa e ver o jogo da Inglaterra! Puta merda!

Mas então, voltando ao Saramago, vamos falar sobre

CAIM: GARANTINDO SUA VAGA NO INFERNO

Ateu declarado, Saramago escreveu Caim só pra deixar Deus puto. E pelo que pudemos comprovar pelos acontecimentos de hoje, ele conseguiu.

Caim é um livro legal, divertidinho, especialmente se você estiver lendo paralelamente Gênesis, por Robert Crumb, como eu fiz. Estava lá eu, lendo, bonito e feliz, com os pés em cima da mesa, Adão e Eva tinham acabado de comer o fruto proibido, e Deus chegou puto da vida e acabou a luz! Cabou! Tudo! Foi o dia do apagão.

Tremi, pensando que era a fúria divina, agora direcionada a mim, que adiantara o Juízo Final pra me pegar lendo aquela heresia de Saramago, sentado bonito e feliz, com os pés em cima da mesa, no meu próprio quarto. Depois de constatar que o Juízo Final não era direcionado a esta pobre pessoa que vos fala, mas, sim, um fenômeno quase nacional, fiquei aliviado. Para não perder o clima apocalíptico/demoníaco, acendi algumas velas e continuei a ler sob a luz vermelha e tremulante.

CONCLUSÃO: SARAMAGO MORREU, E AÍ?

Saramago morreu, e aí? Liguei pra Stela agora e disse “Ow, Saramago morreu” E ela “Putz, é mesmo?”, sem demonstrar a menor tristeza. E acrescentou “Meu primo foi ver ele ano passado” e eu “É, esse ano já não tem mais!”

Descanse em Paz, Saramago. Você foi ok.

1 Comment

Filed under Escrever, Maluco chato, Mulheres gostosas, Peitos, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis

One response to “Saramago morreu!

  1. pucca

    Sim, o ateu se foi, mais um né, são tantos, todos atrevidos, todos irritados com Deus, detestam ele, e até fazem livros mostrando Deus como homem e colocando Homens como se fossem Deus…
    Antes ele do que eu? Bem , a deixa é interessante, mas distoa quando agradece a ele por ter morrido em “seu lugar”… ao meu ver é inapropriado, e mais o ùnico que morreu no lugar de todos os homens foi Cristo, esse José ai é só mais um mané com uma caneta , pena, na mão…

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