Flashback – O banho

Hoje resolvi fazer um favor a mim e a vocês: coloquei o título do texto no título dos posts de Flashback, aqui do meu blog. Outro dia fui procurar um, tava lá: Flashback Flashback Fashback e eu, puta merda, quem foi o idiota que fez isso? e no final das contas, como no final de todas as contas, o idiota era eu!

BUT NEVERMIND, porque hoje é dia de Flashback!

No Flashback, coloco aqui um texto previamente publicado no meu fotolog, já que vocês acham que tudo que eu escrevo agora uma bosta! Seus filhos das putas!

Yes! O Flashback de hoje eu escolhi em homenagem ao meu finado “amigo” Felipe Floresti, que morreu pra mim já faz uma cara (uns 6 anos, mais ou menos) (logo depois daquele episódio da pizza) (a pizza deu uma sobrevida ao nosso relacionamento, mas morreu logo em seguida, quando você comprou o play 2 enquanto estávamos brigados e aí a amizade voltou, mas eu fingi tudo só por causa do play2 – ela tava morta mesmo).

A homenagem não tem o menor sentido, mas escolhi este texto porque acho que ele disse que tinha gostado. Ele nunca gostou de nenhum, na verdade. Fazia, no máximo, comentários genéricos, como Ah, outro dia eu li alguma coisa legal. Agora não lembro de era seu fotolog ou a bula de um remédio. Ah, lembrei, era a bula de um antiinflamatório, entre outros similares mimos.

Então, eis a vocês, a homenagem ao meu ex-amigo.

O banho. O banho é o momento maior na vida de um homem. Ou isso, ou eu ando valorizando demais os meus banhos! De qualquer forma, metódico e sistemático como sou, meu banho é sempre baseado numa rotina estrita que raramente permite desvios (só quando eu esqueço de lavar o cabelo, ou coisa do tipo. Coisa que acontece com uma freqüência alta demais pro meu gosto). Primeiro, que eu ouço música tomando banho. Depois do meu celular novo, não tomo banho sem. Só lá em Itupeva. Tava tomando lá, aí sei lá o que eu fiz, derrubei um frasco de xampu, bati com a mão, sei lá o que foi, sei que a parada saiu voando, e eu fui mais rápido que a gravidade, e peguei o frasco ainda no ar! Pra comemorar meu feito, eu gritei “Hoomem-Aranha!”, e enquanto eu ainda celebrava minha demonstração de pura destreza nua, ouvi uma voz grossa falando “SPIDER-MAN!”, na janela do banheiro! Cacete, que susto! Era o Renê, que, por algum motivo desconhecido, espiava meu banho pela janela! Mas eu dei o troco nesse veado! Eu tinha esquecido minha toalha, e pedi que ele fosse buscá-la pra mim, e que me entregasse pela janela. Quando ele chegou pra me entregar, eu tava com o box aberto, peladão. Toma essa, arrombado!

Bom! Tenho minhas playlists favoritas. Geralmente, ouço Jimi, ou Led, Zappa, Queen, George Michael (gay bath!). Mas ultimamente tem sido Bob Dylan. E ouvir música é uma boa, porque te dá uma noção do tempo que você gasta no banho. Começo com Blowin’ in the Wind – é quando eu ligo o chuveiro, me dispo, entro debaixo d’água. Até The times they are a-changin’, é o preâmbulo: eu me molho, molho o cabelo, penduro o espelho na parede (mesmo quando eu não faço a barba, porque eu gosto de me observar), lavo o rosto (sempre o rosto, primeiro), e ao final de Times they are a-changin’, é uma boa hora pra lavar o piercing. Então começa Hurricane, e é o grosso do banho. É quando eu ensabôo todo meu corpo e passo xampu no cabelo. Só de vez em quando eu passo condicionador. Tenho mó preguiça. Quando todos os criminosos estão com seus casacos e suas gravatas, livres pra tomar martinis, e ver o sol nascer, eu começo a me preparar pra parte final do banho. Enxáguo meu cabelo, dou uma olhada no espelho, abro a janela, dou uma olhada na galera lá fora. Se estiver sol, deixo tudo aberto desde o começo, senão eu fecho, porque sempre faz frio aqui em São Bernardo, e começa Subterranean homesick blues, e essa música é muito boa, mas eu já ensaio uma saída. Lavo minhas partes íntimas – diferentemente de certas pessoas que eu conheço (ps: eu tenho novo de vocês, NOJO! – essa história, aliás, é boazinha. Depois eu conto). Feito isto, dou mais uma ensaboada em todo meu belo corpo, e o banho é mó alegria, mas geralmente eu tenho que fazer alguma coisa. Não tomo banho de graça. Geralmente to lá no banho porque vou sair, ou vem alguém aqui em casa, ou alguma ocasião especial. Então, eu estou atrasado, geralmente. Mas Subterranean é bem rápida, então começa Like a rolling Stone, e é definitivamente hora de sair do banho. Fecho o chuveiro, pego minha toalha, e passo-a envolta da minha cabeça. Enquanto me seco, vou pensando. Cubro toda minha cabeça, e vou pensando. Pensando em como seria se as coisas fossem diferentes. E penso no que seria legal que acontecesse, em como seria bom se as coisas saíssem como planejado. Ou em como seria o máximo se tudo se encaixasse da forma que eu gostaria que se encaixasse, e penso em drogas, em dinheiro, em bebidas, em sexo, em livros, e penso que eu poderia ser um cara legal, e que seria legal se eu conseguisse fazer alguma coisa legal, e eu penso em tudo que já passou, e em como minha vida é uma sucessão implacável de acontecimentos circulares insignificantes, como se tudo já fosse marcado, e só mudassem as personagens e circunstâncias, e penso na previsibilidade da minha vida e em como eu não tenho a menor importância – e isso me entristece. Então eu termino de me secar e penso que eu, pelo menos, penso. Tem gente que só se seca. What do you want? A cookie? Não, po. Mas.. bom… Se a vida é só um segundo, então que se foda tudo.

Se começou a tocar All along the watchtower, então eu to realmente behind schedule. The hour is getting late. Me enrolo na toalha e vou pro meu quarto. Eu gosto de me secar ao natural, como o tio Zima, do Renê e do Felipe. Então eu tranco a porta, pego a guitarra, e me sento pelado e toco um pouco de AC/DC, como se eu soubesse tocar, pensando em todas as meninas bonitas que já me deram mole e eu não peguei. Fico pensando um bom tempo nisso, e lock up your daughter, lock up your wife, então eu lembro de algum sonho que eu tive, e penso Isso quer dizer alguma coisa, e penso um pouco no assunto, mas nunca faz o menor sentido. Nada faz. E mesmo se fizesse, e daí?

1 Comment

Filed under Maluco chato, Não foi bem assim, qq isos morena, Que papo é esse?, Zimmerman

One response to “Flashback – O banho

  1. “…pego minha toalha, e passo-a envolta da minha cabeça.”

    envolta? ¬¬

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