Monthly Archives: July 2010

Flashback – Mar de ferro

Olá, amigos do meu flashbog!

Quê?!

Mas então, como eu vinha falando, hoje o Flashback é minúsculo!

O que é um Flashback?

No Flashback, coloco aqui um texto previamente publicado no meu fotolog, já que vocês acham que tudo que eu escrevo agora uma bosta! Seus filhos das putas!

Qualquer dia desses vou fazer um fleshback, e vocês vão ver como que vai ser.

COMO QUE VAI SER RAFINHA?

Vai ser normal, normal, fica quietinho aí.

OK

Então…

FOI MALZ

Tá bom! Quieto agora!

=o

Então. Flashback: quando onde como!

Não, não. To misturando as coisas. Confusão mental.

-Chefia, você disse que o Flashback vai ser curto. Vai precisar de foto, pra encher linguiça?

Vai, vai, prepara alguma coisa aí.

(Ai meu Deus, Rafael suspira enquanto coça a cabeça. Continua: Acho que o Flashback de hoje vai ser curto demais. Já avisei que ia postar, agora não posso dar pra trás. Que cagada que eu fiz, que cagada! Poderia fazer um Flashfoward, mas será que eles vão gosta? CLARO QUE VÃO RAFINHA Cara, eu to falando sozinho na minha aqui, que que você tá me atrapalhando? FFOI MAL PENSEI QUE NUM TIVESSE PROBLEMA Claro que tem, sempre tem! VOCÊ TÁ BRAVO RAFINHA? Nem tanto, nem tanto, só me deixa quieto, quietinho, preu poder enrolar mais um pouco, porque o Flashback de hoje vai ser curto, curtinho)

Ai meu Deus,

Ai meu Deus,

AI MEU DEUS!

Mas vamos lá, um Flashback que originalmente não tinha título, diretamente de 2006, mas que hoje eu decido chamá-lo de

MAR DE FERRO

Estávamos na casa do Gabriel, e eu pensei: “Porra, vamos tomar uma cerveja!”
Levantei-me, entrei no salão de jogos, completamente escuro, e passei ao lado da mesa de ping-pong. Ao passar, notei uma certa estrutura metálica. Supus uma armação de ferro sem sentido conhecido, e fui passar pela direita, apertado contra a parede. Passando apertado entre a estrutura metálica e a parede, pisei no não-chão. E pensei: “Isso nunca vai acabar?”


Caí num mar de ferro, um pesadelo sem-fim!


Enquanto meu corpo era moído naquela máquina medieval de tortura, eu me dei conta:
“Escada-caracol! Escada-caracol!” Até que o chão enfim chegou. Sem sentir meus dedos da mão direita, agarrava o corrimão e compreendia. Então, completamente arrebentado, agarrei o corrimão com minha mão direita sem sentir meus dedos, e pensando: “Quebrei os dedos! Quebrei os dedos!” Subi a escada, cheguei ao salão de jogos, olhei para a mesa de ping-pong, a sala agora era totalmente compreensível. Não precisaria nem de acender as luzes para compreende-la em sua totalidade. A escada-caracol, que antes era uma das maiores incógnitas, a tão misteriosa estrutura metálica, o poço de ferro sem-fim que me triturou, agora era clara e simples como uma folha de papel. Sem segredos, nem mistérios, nem discussão! Simplesmente era a escada-caracol, qual eu não me recordava, e que foi, por alguns segundos, na minha cabeça, meu túmulo férreo.


Agora, compreendendo a cena, recuperei-me, e conversei com a avó do Gabriel, que correu para a cozinha assustada com o barulho. Disse-lhe que havia tropeçado na escada, apenas. A vergonha era tamanha que só fui a revelar o que realmente aconteceu uma hora depois; somente depois que percebi que físicamente estava intacto, e depois ainda de recolher os cacos em que minha auto-estima tinham se partido. Recomposo, contei a todos minha grande aventura, e fui motivo de risadas a noite toda.

E tudo que trago desta aventura é este meu relato, minhas péssimas lembranças daquele segundo que durou anos enquanto caía aquele um metro que durou kilometros, e esta orelha roxa, que espero que melhore.

" Escada-caracol! Escada-caracol!"

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Rafael recomenda

Olá, meus amigos! Estão todos felizes?

É BOM ESTAREM, SENÃO VÃO FICAR NA MARRA!

Falando em fazer as coisas na marra, hoje me livrei de um vírus que ameaçava meu computador por meio de procedimentos rudimentares. Eu estava aqui, belo, belíssimo, vendo minhas pornografia online, mentira, não tava fazendo isso, na verdade, não tava fazendo nada demais! Estava lendo uma reportagem sobre uma professora americana condenada por enviar fotos nuas prum aluno – e ela era mó gatinha!

Fui ver, tinha uma lista com outras professoras condenadas por semelhante crime (isso, na minha terra, a gente chama de bênção), e todas eram gatinhas! Loirinhas, todas maníacas, presumivelmente bem piranhas mesmo! Porra! Isso sim é que é uma professora! Nossa, que que eu to falando? Já faz um tempo que eu queria escrever sobre professoras, e sobre como eu, invariavelmente, me apaixono por todas elas! Mas não, hoje não! Hoje é dia de

RAFAEL RECOMENDA

(cara, se vocês soubessem o quanto eu erro o atalho pra ativar o negrito aqui!)

Já que nos próximos dias eu provavelmente não poderei postar com a frequência desejada, vou recomendar algo que possa entretê-los durante esse pequeno hiato que se aproxima. Três recomendações!

Caiquems– (http://caoecaos.wordpress.com)

Eu sou fã do Caiquems, e temos muito em comum. Primeiro estudamos (ele ainda estuda), na mesma faculdade. Segundo, não nos conhecemos pessoalmente (é algo em comum, num é?). Terceiro, somos ambos corintianos (o que é excelente). No twitter, tenho que me segurar para não dar retweet em toda e qualquer merda que ele escreve. Aqui, alguns exemplos dos mais refinados de seu aforismo borderline:

vo dormir, amanha blog sobre o fim da copa e maconha comer todas burguesa na imaginação

Depois o cara tira o pau pra fora e bate punheta ali mesmo no busao e os direitos humanos vem e fala que é atentado violento ao pudor

So no brasil mesmo que a punheta no busao é desencorajada

quem nunca desejou morder a bundinha de uma menina de 14 anos? #eunaopoliciafederal

As vezes eu fico pensando “quanta bundinha pra se morder nesse mundo!” #pensamentos #quantabundinha

8 – beijo no cu

essa copa tá cheia de lesoes pq a africa é 1 continente amaldiçoado cultuadores do demonio atraves da macumba

vai tomar no cu essa bunda hein professora

Pagaria pra fazer sexo com ela

Pagaria pra me imaginar batendo uma punheta pra ela #nadaver #porranemetudoisso

Pagaria pra bater punheta pra ela #masissoeupossofazerdegraÇa

agora so praia e faculdade comer todas burguesa na cidade universitaria

vou me masturbar CONTRA TUDO E CONTRA TODOS

eu me masturbei para a pessoa errada

Caralho CARALHO Nunca o amor a primeira vista se levou tao a sério

Às vezes, quando escrevo no meu blog, eu penso Porra, to escrevendo igual ao Caique, e outras, lendo o blog dele, a mesma identificação. Fico confuso, se quem disse tal coisa fui eu ou o Caiquems. Temos tanto em comum, que às vezes nos misturamos. Mas há uma diferença básica: ele é negro, e eu sou branco. O que provavelmente lhe garante mais chance com as mulheres.

Senão com as mulheres, comigo.

Sexo gay!

SIGÃO: @caiquems

Godinho (http://www.god-inho.blogspot.com)

Godinho, assim como o Caique, também fez História, mas era meu veterano. A very peculiar looking gentleman. Recomendo, no blog dele, os textos da Esquerda Botequeira, movimento político criado na faculdade, que concorreu às eleições pro Cahis (Centro Acadêmico de História, caso você mula, não tenha sacado) com a chapa Último Foco de Resistência. No blog tem também os vídeos dos debates daquela eleição histórica (sem trocadilhos)! Havia alguns anos que o Cahis simplesmente não tinha diretoria. Eu estava no segundo ano quando começou a haver certa movimentação, e armaram uma eleição. Eram basicamente três forças: os comunistas que queriam a revolução na marra; o partido do menino malufinho (que queria anexar a Bolívia e meter polícia no campus); e o UFR, formado por veteranos, extremamente intelectualizado, que apostava todas suas fichas em piadas e cerveja. Foi, de longe, a articulação social mais autêntica e sincera daquela faculdade. Era uma coisa com a qual todos se identificavam, exceto os comunistas e os direitistas, que geralmente não têm o menor senso de humor.

Um trecho do texto Futebol e autonomia: uma leitura dialético-existencialista pós-estruturalista boleira, da Esquerda Boleira:

Futebol e Existência – Para a Esquerda Boleira, o futebol é uma prática social fundada em uma concepção materialista e existencialista do mundo. Karl Marx, que conheceu o futebol na Inglaterra, dizia que “os homens fazem o futebol, mas jamais o fazem com querem”, inaugurando assim uma extensa tradição político-boleira que interpreta a práxis nas quatro linhas como a dialética entre ação humana e condições históricas. Uma leitura existencialista da prática boleira leva-nos a perceber ainda mais o papel do ser humano e o caráter existencial do futebol. Sartre deixou claro em “A Bola e o Nada: Para Uma Fenomenologia do Futebol Arte”, que o futebol transcende a contingência apenas quando reconhece a existência do boleiro para além das estruturas técnicas, jurídicas e táticas.

Enfim, o Godinho sempre foi um cara demais, e mesmo sem vê-lo há muito tempo, acredito que permaneça um ser humano acima da média (e de chinelo).

Roesler (http://marbleshrine.blogspot.com)

Diogo Roesler sei lá como apareceu. Mas como apareceu, desapareceu. Menino lá do Sul, ficou um bom tempo no meu msn basicamente me xingando e garantindo que nunca, em hipótese alguma, batia punheta. Eu achava aquilo estranho demais, e nunca aprovei. Inclusive, sempre que ele vinha me chamar de “Zanatto Merda”, eu reprovava aquele comportamento desviante dele, e reafirmava não apenas os prazeres, mas as vantagens de se tocar uma bela bronha. Até que certo dia ele simplesmente disse que tudo era mentira, que ele batia punheta sim. Bom, sei lá, né! Então começamos a conversar mais normalmente, e ele era ligado em literatura, e começou a escrever. Conversávamos sobre o assunto. Ele sempre vinha com dúvidas malucas, como se eu pudesse respondê-las! Um menino genial. Mostrou-me a geração beat, que até então eu ignorava. Nesse blog dele há alguns textos sensacionais, num estilo que tentei em vão copiar. Genial. Ele disse que gostava de escrever bêbado – o que geralmente não consigo fazer.

Um chorinho do Roesler pra vocês:

Me joguei na banheira. Mas não foi uma simples entrada, praticamente estatelei meu cadáver naquele gigante vasilhame gélido e duro, que estava prestes a presenciar uma sopa morna de órgãos genitais. Geralmente fico absorto nessa hora, e deleito ao máximo de meu spa particular. Foi quando olhei pra lua, aí depois olhei pra janela, a qual lhe faltava um pedaço de vidro levemente fumé em seu canto superior esquerdo, provavelmente fruto de alguma brincadeira mal-sucedida de meus vizinhos, envolvendo bolas. Depois meus olhos alcançaram os frascos de shampoo de todas as cores do mundo, que ela costuma comprar quando em promoção. Sabe como é, eu aumento o preço, você leva 2 mas paga 1, e todo mundo sai legal. Percebi logo que os frascos de shampoo travavam uma luta de vida ou morte pelo repouso absoluto! Um interessante fato no mundo da beleza, uma peleja diríamos que memorável! Abruptamente desclassifiquei o Shampoo de Frutas Cítricas do combate quando levei uma ínfima quantidade (We are in crisis, come on!) daquela cremosidade ao meu cabelo. Depositei suavemente o shampoo ao seu lugar inicial, mas este já foi um Shampoo de combate. Não mais.

Depois de um tempo, ele simplesmente sumiu.

Aliás, nem terminei de contar como eu me livrei do vírus aqui no meu computador. O vírus tava maluco, e muito malandro, enchendo meu saco – sei lá como ele apareceu aqui. Mas tava doidinho pra ser executado. Ficava uma mina falando “Você está infectado”, e subiam avisos falando que meu computador havia se transformado numa máquina de enviar spams e que eu seria processado por enviar spams! Ele se passava por um antivírus intrometido, e falava até que meu Facebook seria usado para operações ilegais, e eu não queria que isso acontecesse, queria? AH ACHO QUE NÃO!

Bom, em resumo, era um vírus extremamente babaca que estava torrando meu saco. Por um bom tempo brincamos de gato e rato, mas ele, como sabonete molhado, sempre escapava das minhas mãos na hora h! Tentei exlcuir o programa, fiz de tudo, mas nada resolvia. Então localizei o desgraçado e, enquanto meu computador o distraía, arrastei-o para a lixeira e o excluí permanentemente!

Por algum tempo duvidei da efetividade do meu procedimento – era como capturar um mosquito e jogá-lo pela janela, não poderia ser tão simples! Mas foi.

Então, Rafael 1, Interweb 0.

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Top 5 Jimi Hendrix

Hoje falaremos sobre um homem que transcende a própria natureza humana. Se, como dizem, a arte é o caminho para compreender e se aproximar do divino, Jimi Hendrix é dos músicos que mais chegaram perto de Deus.

Eu gosto de Bob Dylan, vocês sabem. Eu gosto e eu ouço a ponto de realmente odiá-lo! Bob Dylan tem músicas maravilhosas, letras excelentes, mas nada que se compare ao peso e à beleza da música do Jimi.

E agora, com toda autoridade que me foi conferida pelo WordPress, e obrigado pela tradição opressora de Nick Hornby, vou lhe presentear com a lista das 5 melhores músicas de James Marshall Hendrix.

5. CASTLES MADE OF SAND

Uma pequena obra-prima de 2:46 minutos sobre fracassos. Jimi conta três pequenas histórias: a primeira sobre um marido bêbado trancado pra fora de casa; a segunda, os planos (e o desfecho trágico) de um pequeno índio; e a terceira, sobre uma menina aleijada que pretende se matar. Apesar do tom triste da música, o final é esperançoso:

She drew her wheelchair to the edge of the shore
And to her legs she smiled you wont hurt me no more
But then a sight she’d never seen made her jump and say
“Look a golden winged ship is passing my way”

And it really didn’t have to stop, it just kept on going…

And so castles made of sand slips into the sea, eventually

4. ALL ALONG THE WATCHTOWER

Bob Dylan e Jimi Hendrix - quem é quem?

No final dos anos 60, a influência estética de Bob Dylan era enorme em todo o mundo, especialmente no rock. Os cabelos enrolados daquele judeu de Duluth fez com que muitos branquelos fizessem permanentes, mas nem por isso Jimi ficaria de fora.

É, meu amigo! Não foi só o cabelo que Jimi pegou emprestado do Bob Dylan! All along the watchtower é composição de Dylan, lançada no John Wesley Harding, de 67. A versão original tem um ritmo reto e direto, que destoa e salienta a bela letra – que é uma história, baseada em um trecho do livro de Isaías sobre a queda da Babilônia, que começa pelo fim e é carregada até o desfecho onde a ação se inicia. Ou isso, ou é o Bob Dylan falando altas merdas enquanto toca aquela porra de violão dele.

Mas nada disso importa quando falamos da versão do Jimi. Com camadas e mais camadas de sons, Jimi criou uma música totalmente diferente da que Bob Dylan concebeu. Em contraste com a monotonia da versão original, Jimi faz de All along the watchtower um cenário caótico para um solo de guitarra que queima e explode como fogos, aliando-se perfeitamente à letra misteriosa de Bob Dylan. Não tem nem discussão de qual é a melhor.

Esta versão ao vivo de 1970 não faz jus à maravilha criada por Jimi em 68. Já no fim da sua curta vida, ele não era mais o mesmo. Olha como erra a letra enquanto canta. Mas, ainda assim, podemos ver neste vídeo toda a eroticidade e beleza de Jimi Hendrix. Como disse Pete Townshend, na lista dos 100 maiores guitarristas de todos os tempos da Rolling Stone:

Onstage, he was very erotic as well. To a man watching, he was erotic like Mick Jagger is erotic. It wasn’t “You know, I’d like to take that guy in the bathroom and fuck him.” It was a high form of eroticism, almost spiritual in quality. There was a sense of wanting to possess him and wanting to be a part of him, to know how he did what he did because he was so powerfully affecting.

3. THE WIND CRIES MARY


A maravilhosa letra de autoria do próprio James Marshall, cantada na sua voz suave e cativante, é cheia de belas imagens, sempre culminando no refrão de uma frase só (comum em suas músicas). Escolher apenas um trecho para representá-la é mais difícil que se decidir por apenas 5 canções para a lista.

After all the jacks are in their boxes
And the clowns have all gone to bed
You can hear happiness staggering on down the street
Footprints dressed in red
And the wind whispers Mary

A broom is drearily sweeping
Up the broken pieces of yesterday’s life
Somewhere a queen is weeping
Somewhere a king has no wife
And the wind, it cries Mary

A beleza das suas canções está na tristeza e na melancolia de suas letras, voz e dedos. Aliadas às suas referências transcendentais e sutilezas sinestésicas, temos as principais marcas da arte de Jimi.

2. LITTLE WING

Ela começa suave, e vai evoluindo sutilmente, enquanto, na versão de estúdio, um glockenspiel (um instrumento parecido com um vibrafone) coincide notas com a guitarra, como sinos. Extremamente curta, logo se eleva num solo que não chega a ter fim – a música termina antes. Não tem nem o que fazer, a música é linda.

Well she’s walking through the clouds
With a circus mind that’s running wild
Butterflies and zebras and moonbeams and fairy tales
That’s all she ever thinks about
Riding with the wind

When I’m sad, she comes to me
With a thousand smiles, she gives to me free
It’s alright she says it’s alright
Take anything you want from me, anything
Anything…

Fly on little wing,
Yeah yeah, yeah, little wing

1. VOODOO CHILD (SLIGHT RETURN)

O que mais impressiona em Voodoo Child, é a quase fusão que há entre Jimi e a guitarra. Como uma extensão do seu corpo, uma extensão eminentemente sexual, Jimi eleva o som de forma divina, e arremessa-o ao chão violentamente.

Jimi não era um letrista literário como Bob Dylan. Ele falava as palavras como se tocam as notas. Sem tanto rigor técnico, suas letras se aproximam em estilo, por exemplo das de Jorge Ben Jor, pelas sutilezas e pela imensa capacidade de fazer com que qualquer relato, corriqueiro ou extraordinário, se torne algo bonito. Era extremamente imagético.

Inclusive, uma das imagens mais bonitas de suas canções está aqui:

Well, I stand up next to a mountain
And I chop it down with the edge of my hand
Well, I pick up all the pieces and make an island

Might even raise a little sand

Sobre a destreza apresentada em Voodoo Child, Kenny Wayne Shepherd diz:

This is pretty much the guitar anthem of all time. From that amazing opening riff to the way he breaks it down in the middle and gets funky, the whole thing is incredible. There are things Jimi did on the guitar that humans just can’t do. You can try all day, even if you’re playing the right notes, it’s not the same. It definitely seems as if he was coming from a higher place when he played

Dizer apenas que Jimi é o maior guitarrista de todos os tempos é subestimar sua capacidade lírica, seu estilo altamente sedutor de cantar e, especialmente, sua desenvoltura física com a guitarra nas mãos. Novamente, Pete Townshend, na lista da Rolling Stone:

I feel sad for people who have to judge Jimi Hendrix on the basis of recordings and film alone; because in the flesh he was so extraordinary. He had a kind of alchemist’s ability; when he was on the stage, he changed. He physically changed. He became incredibly graceful and beautiful.

O primeiro single da Jimi Hendrix Experience foi Hey Joe, lançado em 16 de dezembro de 1966. Em 18 de setembro de 1970, Jimi Hendrix morreu afogado no próprio vômito. Foi uma carreira curta, mas com álbuns brilhantes e músicas geniais. Assim como Little Wing, Jimi Hendrix acabou bem antes do final. E foi lindo.

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