Votuporanga te odeia

Hoje eu vou falar sobre Votuporanga, e, mais especificamente, como a cidade fez com que eu a odiasse.

TE ODEIO, VOTUPORANGA

Meu pai (Inri Cristo) mora em Votuporanga, por obrigações profissionais, assim como já morou em Presidente Prudente. Presidente Prudente é na casa do capeta, é longe, viu, e faz um calor que parece que o sol tá cansado e resolveu se apoiar no seu prédio pra dar uma descansada e, meua migo, o negócio é quente. Uma madrugada estava lá, lindo e belo, no quarto de computador do professorizinho (meu pai morava lá num apartamento alugado, totalmente mobiliado, de um professor universitário que foi para o Canadá com a família por obrigações profissonais também. E não gostávamos deles, pois além do professorzinho ser um mala que não queria nem que meu pai trocasse o monitor do computador arcaico dele, também eram cristãos fervorosos. A mulher do professorzinho disse ter orado muito [não eram evangélicos, eram católicos, mas oravam] quando pegou dengue, certa vez, e funcionou, tava lá vivona e vivendo – em favor de Cristo, lógico. Mas o que eu mais odiava na casa do professorzinho era que no quarto dos filhos [tinha dois filhos que dividiam o mesmo quarto, enquanto o outro era destinado apenas ao computador, vai vendo], nas paredes ao lado de cada uma das camas, presos por um prego vacilante e frouxo na parede, havia um terço. Acordava de madrugada e via as contas brancas e o crucifixo mínimo, o pequeno Jesus na cruz, que, quando eu adormecia, entrava na minha cabeça pela minha orelha pra fuçar nos meus arquivos de mulher pelada – e nem se dava ao luxo de arrumar nada) com a janela totalmente aberta (lembram do que eu tava falando?) e me entra num vôo erradio uma barata, barataça! Entrei em pânico, puro desespero, meu coração disparou, saí do quarto suando frio e percebi que teria que assumir controlo da situação eu mesmo. Peguei meu tênis e quando a besta selvagem tentava se evadir pela porta do quarto em direção ao corredor, eu, que já gritava de desespero e horror, lancei-me num golpe de pânico com meu Vans como arma e foi uma arma letal, golpeei a fera com diversas soladas off the wall, e o bicho foi reduzido a um display de entranhas que agora todas fora do lugar já não funcionavam mais, mas mantive miha fúria, e o pânico, soluçando “Filha da puta… filha da puta”. Naquela noite não consegui dormir no quarto do computador (tínhamos levado uma cama pra lá, fazendo justiça onde o professorzinho não conseguia) e tive que deitar-me ao lado do Seu único filho, crucificado, mínimo, branquinho, que horror.
 
COSTUMES COMERCIAIS
 
Na rua Amazonas, a rua principal de Votuporanga, o centro popular que abriga lojas como Ponto Frio, Magazine Luiza e Casas Bahia, há uma faixa pendurada na fachada de uma farmácia que diz “Queremos trabalhar ininterruptamente todos os dias, 24 horas por diante”. Uma lei municipal pretende obrigar a farmácia rebelde a fechar as portas aos sábados à tarde, e aos domingos após as 23. Do site Votuporanga Tudo:
 
A Droga Raia, integrante de uma rede nacional, pede a liberação para abrir 24 horas. A faixa convoca os vereadores e autoridades para o debate da questão. Por outro lado, as farmácias locais seguem lei municipal, aprovada mediante lobby do grupo, há vários anos, que estabelece um rodízio nos plantões. A ordem do calendário de plantões é definida por decreto municipal. Todavia, é comum a concorrência no setor motivar descumprimento dos horários e deixar a população sem alternativas em horários considerados de baixa demanda, geralmente em madrugadas.
 
RSRS MANO QUE É ISSO
 
Não é?!
 
RS NADA A VER
 
Porra se é!
 
VOTUPORANGA APÓIA A REVOLUÇÃO
 
Estive aqui no início do ano, e como meu pai se tornou amigo do dono de um dos jornais daqui, acabei indo ver qualé que era lá. Passei um tempinho na redação e fucei nos arquivos com fotos antigas de Votuporanga, desde sua criação em 1937, até os dias presentes. Vi um monte de gente em chapéus observando o início da construção de uma estrada de ferro, pessoas andando nas ruas de terra batida, um monte de japonês pra todo lado (a colônia japonesa é enorme aqui). Mas uma me chamou a atenção em particular: uma pequena parada passa pela rua, e numa arquibancada improvisada, uma faixa: Votuporanga apóia o presidente Costa e Silva e a Revolução. EU, HEIN!
 
GASTRONOMIA VOTUPORANGUENSE
 
Não que eu odeie Votuporanga, mas eu odeio Votuporanga. Não que eu odeie o interior de São Paulo, eu, hein! Eu gosto de tudo, de todo mundo. Mas tenho experiências interioranas com Presidente Prudente (onde, como eu disse, meu pai morou e onde, como eu ainda não disse, ams vou dizer, Ronaldão marcou seu primeiro gol pelo Corinthians, naquele jogo contra o Palmeiras. MEU DEUS LEMBRA DAQUILO?) e RIbeirão Preto, onde meu irmão mora. Ambas cidades prezam principalmente pelo consumo desmedido de cerveja e carne – que são duas coisas que eu adoro. Prudente nem tanto, mas Ribeirão só tem gatinha. É coisa linda de se ver. Ok, nas duas cidades há a elite que torce o nariz pra todo mundo, é verdade, mas isso tem aqui também. Não que haja uma elite como a de Ribeirão, que roda só no ar condicionado dos carros, mas Votuporanga tá cheio de dono da cidade, o que é triste. Isso, na verdade, acontece em qualquer cidade do interior, e é sempre deprimente. Mas pelo menos você pode encher a cara com cerveja geladíssima e comer do bom e do melhor, não é? Em Votuporanga, não, não é. A cerveja, ok, rola. Mas a comida, benza Deus. O que deu nessas pessoas? Onde está a comida? O feijão é amarelo, a carne é dura. Intragável, absolutamente intragável. Acabei de voltar da padaria, a padaria Ki-pão, que merecia ser chamada de Ki-bosta. É a padaria mais bem apresentada da cidade, com banca de revistas, geladeiras (tinha até Heineken), doces a rodo, tudo que uma padaria boa tem. Mas as aparências enganam. O serviço letárgico é o trunfo do estabelecimento, que conta com aproximadamente dois funcionários para coordenarem pedidos de 20 clientes ao mesmo tempo. Chegamos, pedimos um lanche, a menina disse que ficaria pronto em 30 minutos, pois o chapeiro tinha acabado de chegar, e a chapa estava desligada. Meua migo, eu faço um lanche, partindo do zero, em 10 minutos lá em casa, no máximo. Mas não, a mesma leseira que impede o comércio de manter as portas abertas aos sábados depois do almoço é a que faz o queijo não derreter nem em meia hora numa chapa. Meu Deus, que é isso! Mostarda, ketchup, maionese, tudo da pior qualidade. A comida de Votuporanga parece atender à mesma regra do tal “rodízio de plantões” das farmácias – não há interesse em melhorar coisa alguma, já que este mundinho funciona muito bem do jeito que está.
 
Nada contra, pessoal, mas come-se mal em Votuporanga.
 
Na verdade, eu tenho tudo contra, sim! Vai se foder, caralho!

9 Comments

Filed under Capitalismo, Coitado do Manolo, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis

9 responses to “Votuporanga te odeia

  1. F

    Nossa, hoje em dia eu penso em Presidente Prudente com certo carinho, mas na época só sentia que era mais quente que o inferno….

  2. Mariana

    Tente abrir um estabelecimento gastronômico apresentável em Votuporanga e você falirá em 6 meses. Votuporanguense não quer pagar por comida boa, só quer comer. O problema não está nas pessoas que tentam e não conseguem, mas na população, que com tantas opções que já surgiram, enfiam-se nos espetinhos de 5ª.

  3. Angelo

    sou Votuporanguense e tens razão no que dizes!

    Povoque se acha muito..rs, galera mediocre, acham que aqui é o ápice de td!
    oO.

  4. Cris Pereia

    Estão dizendo que vai ter Shopping em Votuporanga….kkkkkk……piada boa…..agora conta a do papagaio ok.

  5. Joaquim

    Descordo completamente do que voce disse…
    Cheguei aqui atraves de um link de outro blog (http://cozinhadacreo.blogspot.com.br/2012/07/come-se-muito-bem-em-votuporanga.html) e, concordo muito mais o que ele disse quanto à comida.
    Acredito que voce não tenha ido nos lugares bons da cidade e, fez uma critica super ruim a respeito da gastronomia da cidade dando como unico exemplo algo que comeu na padaria Ki-pao.
    Não vou a Votuporanga a alguns anos, mas quando ia sempre encontrava excelentes opções para comer e beber (neste ponto cervejas e chopps mais populares já que não me recordo de algum lugar que eu tenha ido para apreciar vinhos na cidade).

  6. dunha

    Sinceramente, comentários desprezíveis………..existem lugares bons, o que acontece com vocês turistas, que são um antro de bêbados, que só visitam a cidade com a finalidade de se esbaldar em carnavais fora de época e emporcalhar as ruas da cidade com latas vazias de cerveja.
    Nasci em São Paulo, e já passei até uma temporada nos Estados Unidos, e posso falar com certeza, que pessoas como você são meramente exclusas do bom convívio social e pensam somente em encher a cara para incomodar os outros. Foda-se.

  7. gata

    Ola pessoal, moro no alemão r.j. e naum gosto de paulitas em geral, mas tenho de tirar chapel pra cidade de votup. la tem muitos lugares pra comer o pessoal de votup. são pessoas normais, naum são ipocritas como essa turma q estão coment.
    Vão la curtir e depois sai falando mau, pra terem ideia la tem, subway, Bob’s, e agora parece q vai ter tbm Habib’s, esse pessoal brega foi comer sei onde, so naum vou citar nome!!!
    kkkkkkkk
    aff

  8. Vai se foder

    Medinho de barata?!?!?!?
    Vaaaai o viadinho!

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