Falta de gasolina e pessoas sem cérebro

They say ev’ry man must need protection

O QUE MAIS?

They say ev’ry man must fall

-E daí, chefia?

Yet I swear I see my reflection

Hein?

Some place so high above the wall

Quem tá cantando isso?

VOCÊ QUE TEM QUE SABER RAFINHA VOCÊ QUE TÁ ESCREVENDO TUDO ISSO

É verdade. Falando nisso, fiquei comovido no último post, quando briguei com o Homem do Caps Locke

É VERDADE RAFINHA?

Fiquei, quando ele começou a ficar triste, eu não consegui mais brigar. Fiquei com dó do coitadinho. Coitadinho, né?

COITADINHO DE MIM RAFINHA RS

Pois é! Fiquei com dó, mesmo sendo ele um personagem criado por moi-même.

COMO ASSIM O QUE VOCÊ QUER DIZER COM ISSO?

Ontem, por força da falta de gasolina, conhecemos outra cidade do interior de São Paulo. Na ida paramos em Jaboticabal, pra abastecer e conferimos não uma, mas DUAS bundinhas joviais, que deixaram Jaboticabal com gostinho de quero mais. Mas eu não quero mais, não. Fui até o final da avenida, fiz o contorno não uma, mas DUAS vezes na ilhota, e peguei a estrada para nunca mais volver, buh-bye Jaboticabal!

E sabe como chama quem nasceu em Jaboticabal? JABOTICABAÇO! hahaha Mentira, pessoal, vamos respeitar todas as etnias, por mais merda que elas sejam.

Na volta, peguei a Bandeirantes dois quilômetros antes de um posto, com o carro já na reserva. Naquela pista imensa de não ter fim, me sentia Cosmo Kramer, rodando no vapor. Só o otimismo mantinha o carro andando (o otimismo e a inércia) (e um tiquinho assim de gasolina) (etanol, na verdade). Nenhum posto chegava. Uma placa: Santa Barbara D’Oeste 19 km. Eu pensei “Não vai dar, não vai dar”. Abaixei a velocidade dos costumeiros e excessivos 140 para o moderado e álcool-friendly 80 por hora. Arrastávamo-nos pela pista e nada. Depois de um tempo, uma placa: Posto 14 km. Mas nisso Santa Bárbara D’Oeste já estava mais próxima, pegamos a saída.

Caímos numa estrada e logo chegamos, vagarosamente, numa incipiente civilização. Entrei e avistei um posto da pior qualidade do outro lado da avenida. Fiz a conversão já sem dó do combustível e foda-se! 60 por hora na terceira e quando eu vi, tava na rua errada – um canteiro nos separava do posto. Parei no acostamento e meu irmão pulou o guardrail para buscar a gasosa. Fechei o carro e resolvi dar uma mijada ao ar livre. Por pudor – tinha uma casa logo ali – fui atrás duma árvore. Saquei e comecei. Ah, que delícia, mijar ao ar livre. A brisa soprava e acariciava minhas intimidades. Ah, como é raro o sopro suave do vento no meu pau, no meu saco, e eu mijando. Ah, que gostoso, e quando eu percebi, aquilo estava ficando agradável até demais, e falei “Epa, péra aí, ereção em público também não”, olhei, e o menino estava ligeiramente maior do que quando começou a mijar. Bom, pelo menos se alguém viu, não viu aquela tristezinha – viu uma tristeza respeitável, um pesar decoroso. Guardei a pistola e comecei a mexer na tampa do tanque.

Não conseguia abrir de forma alguma, meu irmão chegou e abriu num instante. Despejamos a garrafa pet cheia de álcool no buraco (do carro) e eu disse “Sabia que é proibido transportar combustível em garrafa pet?” Ninguém se importou.

Foram R$2,50 de álcool.

Liguei o carro, e a setinha estava mais pra baixo que meu pênis (mas eu acabei de falar que ele tava subindo!) e nem tchum. Pus o carro em marcha, peguei a estrada que cortava a cidade, segui uns 2 quilômetros e peguei a saída para um bairro mais adiante. Entramos, as casinhas, tudo na mais perfeita paz, e eu perdido. Desci uma rua, não via ninguém. Uma loirinha passava, no princípio da adolescência, e não tive nenhum pensamento impuro. Parei o carro e perguntei “Oi, você sabe onde tem um posto por aqui?” Ela olhou, nem parou de andar, respondeu “Não” e continuou. Olhei pro meu irmão “Não?!, como assim não?!” Ela foi embora. Vagabunda! Vai se foder!

Hospitalidade do caralho. Como em Votuporanga. Pedimos uma pizza e eu mostrei minha garrafinha de cerveja pro garçom: “Tem algum lixo por aqui?” E ele “Não”. Não?! Não, mano?! Ele apontou pro bar do outro lado da rua “Deve ter ali”. Balancei a cabeça negativamente, decepcionado com o ser humano, especialmente o ser humano cordial do interior de São Paulo, e coloquei minha garrafinha vazia em cima da mesa. Pronto, foda-se então!

FODA-SE! A GARRAFINHA É SUA AGORA!

Caralho. Em Santa Bárbara d’Oeste, segui até o final da rua, virei à direita e achei um posto de gasolina. Meu irmão falou bem: deveríamos ter comprado um pouco a mais de álcool pra jogar em cima da loirinha e depois meter fogo! Filha da puta. Obrigado, obrigado Santa Bárbara D’Oeste, obrigado garçom da pizzaria de Votuporanga, obrigado a todos os retardados com quem já conversei.

Pra não falar que tenho algo contra excluvisamente o interior de São Paulo (tenho contra o mundo todo), uma história de São Bernardo. Entramos num bar, e só depois de entrar notamos que se tratava de um bar vanguardista – vendia bebidas alcóolicas a crianças, e agrigava aquilo que nos meses seguintes viria a se tornar notório como a Família Restart. Eu que já não tenho mais saco pra MERDA NENHUMA falei “Fui!” Falei pro cara da saída: “Cabei de chegar, já vou embora, não vou pagar a entrada né?” Ele falou pra ver com o cara do balcão. Cheguei, o balcão era uma orgia de crianças e eu não conseguia identificar o adulto responsável no meio daquela festa infantil. Vi um gordo encostado na parede, e eu sou muito educado: “Por favor, você trabalha aqui?” Ele hesitou, e respondeu “Por quê?” Minha visão além do alcance permitiu que eu visse o vácuo dentro da cabeça daquele ser humano, balancei a cabeça negativamente, também decepcionado com a humanidade, e falei, com a comanda na mão “Você trabalha ou não?” “Ah, fala ali com aquele cara”. Falei e fui embora, para nunca mais voltar.

Adeus Santa Bárbara D’Oeste, adeus Pizzaria de Votuporanga, adeus Pub/ Creche Retrô. Adeus a todos.

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Filed under Capitalismo, Coitado do Manolo, Maluco chato, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis

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