Monthly Archives: August 2010

Les clichés du métro

Ah, os clichês do metrô! (Aliás, é assim que se escreve?)

Vovó que não quer sentar no assento especial

Cutuco.

-Senta aqui, pode sentar.

Vovó se vira, agarrada à barra.

-Não, não, pode deixar – ela diz, tocando seu braço – eu já vou sair.

Você continua sentado. Três estações mais tarde, você sai. A vovó sai junto.

Velha do caralho.

Bonita de cara

Vagão lotado. Naquele jardim de braços, a cabeça de uma morena se destaca, vinda da baldeação. Do jeito que você gosta. Cabelos longos, rosto angular, cara de traveco. Brigadeiro. Você já vê a lapela da jaqueta de couro. A morena não está indo nada mal, nada mal. Trianon-Masp. O vagão esvazia ainda mais. Você dá um passo pro lado para averiguar a morena. Na calça de vinil, bunda nenhuma. Que coisa deprimente. E tem mais uma estação de sufoco com aquele traveco sem bunda por quem você se arrepende de um dia ter-se apaixonado.

Não fica muito claro se é um homem ou uma mina.

Consolação.

Sem bunda do caralho.

Vagões da linha verde

Têm cheiro de hipoglós.

Menina feia que quer ser encoxada

Segurando-se na barra, você evita contato com as pessoas. Especialmente com homens e mulheres feias. É impressionante, você pensa, como lêem em inglês no metrô. Você não está lendo nada. Bate o óculos na barra. Você é meio burro. Baldeação, o trem enche. Uma menina feia agarra a barra ao seu lado e, com isso, quase te abraça. Ela quer um pouco de amor no metrô, e olha pra baixo, para o seu pau. Você olha pra cima, para o seu deus.

-Por que não uma bonitinha? Pelo menos uma vez. Uma vez!

Na estação seguinte, mais gente. Ela aperta o corpo contra o seu, e isso não é legal. Você torce para chegar logo sua estação.

Estamos parados aguardando a movimentação do trem à frente.

Você olha pra cima.

Deus do caralho.

Loirinha gostosinha e mal educada

Você aguarda, como todo o resto da civilização que coincidiu de estar na plataforma ao mesmo tempo, atrás da linha amarela. Três trens já passaram pela estação, e você deu poucos passos em direção à sua casa. O trem chega, é a sua hora. Você foi escolhido por Deus para entrar neste vagão. Você também foi escolhido por Deus para ser o cara mais educado da plataforma (a competição é baixíssima). Aguarda, represando a horda de populares, as pessoas saírem do vagão. Uma senhora sofre para se desvencilhar do labirinto de braços e pernas do vagão e põe um pé na plataforma, o primeiro passo da liberdade. Uma loirinha baixinha gostosinha entra pela esquerda, agarra a mulher e, enquanto murmura “Sai daqui”, arremessa-a para a plataforma. Ninguém se feriu. Exceto a República.

Loirinha gostosinha e mal educada não merece perdão

Você e a loirinha gostosinha e mal educada estão comprimidos dentro do trem. Apertados um contra o outro, os seios dela esbarram no seu braço, que agarra a barra. Você foi escolhido por Deus para ser o cara mais educado do vagão. Você poderia largar a barra, procurar um outro lugar, simplesmente mover o braço. Mas você acha que não. A loirinha é gostosinha e mal educada – merece ser abusada, mesmo que acidentalmente.

Ela demonstra desconforto, mas não tem pra onde fugir.

Você não demonstra nada.

Apenas uma ereção.

A ereção da Justiça.

Loirinha 1, República também 1.

Trens da linha amarela

Parecem com o Ranger Branco.

Ranger Branco e Linha 4 - quem é quem?

Masturbação em público

Você está sentado, e há uma bundinha suculenta ao lado da sua cabeça. Não é a primeira ereção do dia, você quer se masturbar.

Você saca o pau e começa.

As pessoas se afastam.

O trem pára na estação.

Os policiais entram.

Você vai preso.

Com o pinto pra fora.

Ainda duro.

Ponto pra você.

Amor em três estações

Ela entrou pela porta automática e foi amor à primeira vista. Trocaram olhares, mesmo de óculos escuros. Ela não faz questão de desviar o olhar. O tempo voa, as estações passam. Você desce. Olha pra trás, ela ainda te observa, enquanto você vai embora, 45 graus, 0,75 metro por segundo. Em três estações vocês se conheceram, casaram, tiveram filhos, e agora nunca mais vão se ver.

Gordinho de roupa social

Está ouvindo metal no máximo, a caminho do trampo.

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A musa de Rafael

Qualquer lugar que você vá, qualquer lugar, você precisa, e rápido, arranjar uma musa. Rapidamente. Pois a vida é como um tubarão. Ou tudo, ou nada! Quer dizer. Então, você tem, você deve encontrar uma musa, assim que chegar. Pois a vida humana, quer dizer, a mente humana, ou os seres humanos em geral, mesmo os sem mente, todos nós (ou eles) são (ou somos) um místéríó, quer dizer, não era essa palavra que eu queria (ou quero) usar. A questã (faltou um o) é que todos nós (ou a gente ) (menos agente, num fala assim que é feio) (falando em menos, nem mais, quando for mas) (isso é muito feio e faz meu pau ficar mole) (isso e mais milhares de outras coisas) (quer dizer) como vínhamos falando: o mundo humano, ou o homem mundano (aka: nós) é tem a imensa capacidade (i.e.: a imbecilidade) de se adequar ao ambiente (sem h), e isso é por um lado (terrível) e por outro (muito bacana). Quero dizer (ou queremos): se voce não se decidir logo e fincar sua bandeira, fazer seu statement (isso é inglês) (em inglês, isso quer dizer o mesmo que declaración quer dizer para nós) (ou para eles) ou seja: você tem que julgar todo livro pela capa, e isso especialmente (e.g.: agora) quando você estiver falando de mulheres (mulheres).

Então foi assim que logo que cheguei averiguei todos os lados, as bundinhas, cintura, braços (finos ou não), cabelos, sorrisos e tive, DEVI chegar a uma conclusão: um homem tem de ter uma musa (e tem mesmo). Então eu me decidi, e vocês dizem “Mas esse Rafael”, e fazem com a língua tsc tsc tsc (sem vírgula) e eu tipo “Quê? Que tem eu?” e vocês “Não, num é de você que eu to falando”. Então vou ver seu twitter, você postou “Esse Rafael (Zanatto – puta babaca)” e eu “Mano! Eu to do seu lado, eu to vendo a tela do seu pc” mas você é muito mais esperto e diz “Então porque leu na internet e não aqui?” e eu não vou ter muito o que falar, vou?

Talvez.

Vocês dizem (agora é em forma de diálogo):

-Esse Rafael…

-Num acredito!

-Ele tem namorada! Num acredito que ela deixa ele falar essas coisas.

Non sequitur

Levantei os olhos por um segundo do meu livro (Cortázar) e vi passando aquela bela, aquela linda (vocês sabem), aquela bunda, a bunda de uma geração. na calça preta (agora sem maiúsculas, como Bukowski) de moletom (como Ice Blue) a bunda de uma geração.

na calça preta
de moletom
a bunda
de uma geração

segui
com os olhos
aquela
menina
(te
peguei
você
achou que eu
ia falar bunda)

(sincera
mente
eu também achava
mas que coisa
né?)

non ducor
duco
balbuciei
e segui
a bunda
de uma generación

de perfil
lendo
não, esse era eu

de perfil
vendo
a vitrine e a bunda
linda
sorria pra mim
que lia
nada

pensei comigo
que bunda
meua migo

maravilhosa
enorme
abrangente
maravilhosa

de novo?

Sequitur

Eu tinha dois lados pra ir: o certo, e o da bunda. Não foi nada fácil escolher. Escolhi o certo – mas quando fui ver, estava seguindo aquele pedaço de bunda, aquela bunda inteira, pra ser sincero, a completude de uma bunda, a totalidade de uma vida, de uma existência, de moletom. E eu fechando o livro e colocando-o debaixo do braço, preparado pra correr – e corri atrás, tentando compensar o tempo perdido (escolhendo qual lado ir, escolhendo errado – o certo – e pagando agora pela minha hesitação).

fui ver
tarde demais

a bundinha
quero dizer
a menina
subia a escada rolante

ninguém porém
atrás dela
exceto pela bunda
linda
maravilhosa

de novo
mano?

pensei
se eu correr
eu pego o degrau
imediatamente
sequente à bunda

mas não
não sequitur

um rapaz
pensei que era uma criança
era só um cara
baixinho

pegou meu lugar
desejado
de direito

e pra minha
surpresa
não olhava
pra bunda

Aí eu fiquei bravo, com a humanidade, com Deus, com tudo! Como um cara daquele consegue subir uma escada tão assexualizadamente?

Peguei uma cerveja, apesar de lá dentro estar muito mais frio – mas não sou um cara vão, ignorante, não ia deixar me enganar por um ar condicionado qualquer, desrosqueei tampinha no antebraço e guardei-a no meu bolso
como é
do meu
feitio

inacreditável
aquela criança
anã
infantil
pré-púbere
não olhava
secava
aquela bunda
que coisa triste uma bundinha daquela ser ignorada (e digo bundinha carinhosamente, porque de inha não tinha nada; era uma senhora bunda (mas aí fica estranho))

Na plataforma, desviei o olhar do livro pela segunda vez, pra ver aquela esfera, amarela, linda, que o sujeito carregava nua debaixo do braço, apesar da sacola de  loja de materiais esportivos a tiracolo
vazia

nos cruzamos e mantive os olhos grudados naquela esfera maravilhosa, gomada, amarela, maravilhosa de novo, rafael? o cara andava com o próprio sol, o sentido, razão e provedor da vida, debaixo do braço. magro, careca, as roupas folgadas, a cara cansada, com a bola tinindo de nova, nua, em plena plataforma do metrô. encostei-me na parede balançando a cabeça reprovando os restos dos homens (e mulheres) daquele lugar que não davam valor à beleza que transbordava daquele ato simples e puro, de uma bola de futebol amarela em meio à apatia geral, só eu sou brasileiro nessa porra agora?

uma musa

li mais um pouco, esquecendo do mundo até que o trem parou bem na minha frente e vomitou tooodaquelagalera proecupada em ir embora pra algum lugar e eu entrei, quase vomitei com o último gole, seca, mas linda noite, de pé li mais um pouco, mulheres de calcinha e sutiã, magrelinhas, dançando na minha cabeça, olho pro lado, está lá, o cara, com a bola, no mesmo vagão que este
que vos fala

essa é muito manjada, não gosto muito de usar
mas uso
e falo
merda
pra caralho

-Esse Rafael…

sentei-me pedindo licença e não conseguia tirar os olhos da bola amarela linda que o cara careca observava como se fosse uma bola amarela linda razão de viver e morrer, com as pernas cruzadas, ninguém mais olhava aquela maravilha criada pelo homem (a mando de Dios) um absurdo só eu (e ele) sou (e somos) brasileiro nessa hora.

a bola amarela, coroada, o mesmo desenho elegante e clássico da tango, a sucessora da paradigmática telstar, tantas bolas, com tantas histórias, tantas bundas, com tantos caminhos, tanta gente, e eu aqui, e eu nessas.

A verdade é que foi um dia genial e brilhante. Ou geniante e brilhal. É difícil precisar…

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Flashback – Vocês já sabem…

Olá, amigos, hoje eu tenho duas notícias, uma boa e uma ruim, a ruim é que hoje tem post, e a boa é que o post é uma merda viva!

Todo mundo feliz? Sim, senhor! Mas felizes com quê?! Sei lá, mano! Como eu vou saber uma porra dessas?!

Nossa, que eu to falando?! Difícil saber. Impossível. Talvez seja possível, se eu realmente prestar atenção no que escrevo, aí pode ser que tire algum sentido desses meus toques maravilhosos no teclado tec tec pec tec. Vejamos.

Hoje é dia de Flashback, manolo! E só é um Flashback porque to com sono demais pra escrever alguma coisa de verdade verdadeira do fundo do meu coração sobre bundinhas que eu am. Outro dia estava subindo a escada rolante do metrô e quando dei por mim, estava olhando pruma bundinha numa calça jeans e a bundinha parecia que sorria pra mim, e eu sorria pra bundinha, foi um momento mágico, a mais pura expressão desse sentimento nobre que é dos mais nobres existentes no Universo todo (e olha que o Universo é grande que só a porra), que é esse sentimento que existe entre um homem e uma bundinha.

E pior que quando eu tento reduzir a situação a puro funcionamento biológico, entendendo a bundinha como um simples fenômeno que ocorre nos corpos das fêmeas dos seres humanos, quando os sexos se diferenciam, e as coxas delas ficam mais grossas, crescem os seios, etc., quando eu faço isso, eu fico com tanto mais tesão que é uma coisa que vou te contar, meua migo, é tipo, sétima série, batendo punheta pra folhetinho de educação sexual, sabe como é?

Bom, nem eu hehe.

Agora, com vocês, o Flashback mais esperado do século (eu disse “século”?, queria dizer “sexo”, por nada mesmo, só pra dizer), esse texto de 2008, que não tinha nome, e de agora em diante atenderá pelo nome de

VOCÊS JÁ SABEM…

Se fosse um número: zero. Uma palavra: nada. É assim que eu definiria esta vida.

E é isso que eu faço todos os dias. Nada. Zero. Fico por aí, sentado, assistindo tevê, comendo. Tomando água, cerveja. Qualquer coisa. Totalmente sujo, sem ânimo pra tomar banho nem nada. Fico deitado. E não converso com ninguém.

Talvez eu devesse encontrar algo pra fazer, me ocupar. Arranjar qualquer coisa que me faça ajeitar o despertador, prestar atenção nos ponteiros. Qualquer coisa que me motive a entrar debaixo do chuveiro, colocar um tênis e sair andando pela porta. Fazer alguma coisa, ao invés de ficar parado, o dia todo, me sujando por simplesmente estar vivo.

Eu tenho dor em todo lugar. Nos pulsos, nos dedos, nos pés, nas costas. E qualquer distância que eu caminhe, minhas pernas doem. E meus braços ficam fracos e tremem com qualquer peso que eu levante.

É sempre a mesma coisa. Exatamente a mesma coisa. Eu acordo, fico o dia todo vendo tevê. Sem nem prestar atenção no que passa. Só fico o dia todo olhando pra tevê, pensando em como esses programas são ruins, em como essas pessoas conseguem bolar piadas tão sem graça. Como alguém se dá ao trabalho de fazer algo que ninguém queira ver?
É! Essa é uma questão interessante pra quem está escrevendo algo como isto.

Mas pelo menos eu não obrigo ninguém a ler nada. Não como na tevê. Você se senta, você deita, e é obrigado a engolir aquele monte de merda. Em 24 de programação de merda, eles conseguem fazer 30 minutos que prestem.
Fascinante é que todas as emissoras escolhem os mesmos 30 minutos pra transmitir seus programas interessantes. Então você fica perdido. Trinta minutos em que a televisão é brilhante. E você troca de canais nos intervalos, e a cada novo caminho que você faz pelas teclas, encontra um novo programa que vale a pena ser assistido.

Assim, a meia hora termina, e você não assistiu nada. 30 minutos de uma colagem de programas que juntos não vale 1 minuto do meu tempo. Ou não valeria, caso eu tivesse algo com que gastar meu tempo. Na situação atual, essa colagem vagabunda de programas vale meu dia. 30 minutos fulgurantes de programas que você gostaria de ver, mas não viu. 30 minutos de oportunidades perdidas. E, por incrível que pareça, você continua deitado na cama, e mesmo assim, parado, inerte, zero, nada, você conseguiu estragar um dia de merda. É incrível o que uma pessoa cretina consegue fazer quando não se tem absolutamente o que fazer.

A única coisa certa é que se dorme. E você pode até sonhar algo interessante. Sonhos de sexo – com mais de uma mulher até. Sonhos de aventuras, que fazem você entrar debaixo do chuveiro, calçar um tênis e sair andando pela porta. Sonhos, sonhos. E então você acorda, às 8 da manhã. Sem o menor propósito. Você se levanta e vai ao banheiro, para mijar e poder continuar a dormir. E você mija, apoiado na parede. Ocupando a cabeça com qualquer coisa. Pensando nessa vida miserável que é a sua. Pensando em como você sempre quis tanto, sempre pensou em tudo, e em como nada disso faz a menor diferença.

O importante é continuar pensando. Caso contrário, vocês já sabem… Fico calado o dia todo, vendo tevê. Um cara tem que se ocupar. Caso contrário, vocês já sabem… Mesmo que for pra pensar na inércia dos dias, no potencial desperdiçado, você continua com a cabeça ocupada. Caso contrário, vocês já sabem… Cabeça vazia… É melhor ficar assim, conversando sozinho. Caso contrário, vocês já sabem… Na próxima vez que você se levantar pra dar uma mijada, vai ouvir uma voz na sua cabeça, conversando com você. E você precisa tomar cuidado. Porque pode ser Deus. E se Deus conversa com você, o negócio não deve estar muito bom. Você não deve estar batendo bem. Então é melhor manter a cabeça ocupada. Caso contrário, vocês já sabem…

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