Les clichés du métro

Ah, os clichês do metrô! (Aliás, é assim que se escreve?)

Vovó que não quer sentar no assento especial

Cutuco.

-Senta aqui, pode sentar.

Vovó se vira, agarrada à barra.

-Não, não, pode deixar – ela diz, tocando seu braço – eu já vou sair.

Você continua sentado. Três estações mais tarde, você sai. A vovó sai junto.

Velha do caralho.

Bonita de cara

Vagão lotado. Naquele jardim de braços, a cabeça de uma morena se destaca, vinda da baldeação. Do jeito que você gosta. Cabelos longos, rosto angular, cara de traveco. Brigadeiro. Você já vê a lapela da jaqueta de couro. A morena não está indo nada mal, nada mal. Trianon-Masp. O vagão esvazia ainda mais. Você dá um passo pro lado para averiguar a morena. Na calça de vinil, bunda nenhuma. Que coisa deprimente. E tem mais uma estação de sufoco com aquele traveco sem bunda por quem você se arrepende de um dia ter-se apaixonado.

Não fica muito claro se é um homem ou uma mina.

Consolação.

Sem bunda do caralho.

Vagões da linha verde

Têm cheiro de hipoglós.

Menina feia que quer ser encoxada

Segurando-se na barra, você evita contato com as pessoas. Especialmente com homens e mulheres feias. É impressionante, você pensa, como lêem em inglês no metrô. Você não está lendo nada. Bate o óculos na barra. Você é meio burro. Baldeação, o trem enche. Uma menina feia agarra a barra ao seu lado e, com isso, quase te abraça. Ela quer um pouco de amor no metrô, e olha pra baixo, para o seu pau. Você olha pra cima, para o seu deus.

-Por que não uma bonitinha? Pelo menos uma vez. Uma vez!

Na estação seguinte, mais gente. Ela aperta o corpo contra o seu, e isso não é legal. Você torce para chegar logo sua estação.

Estamos parados aguardando a movimentação do trem à frente.

Você olha pra cima.

Deus do caralho.

Loirinha gostosinha e mal educada

Você aguarda, como todo o resto da civilização que coincidiu de estar na plataforma ao mesmo tempo, atrás da linha amarela. Três trens já passaram pela estação, e você deu poucos passos em direção à sua casa. O trem chega, é a sua hora. Você foi escolhido por Deus para entrar neste vagão. Você também foi escolhido por Deus para ser o cara mais educado da plataforma (a competição é baixíssima). Aguarda, represando a horda de populares, as pessoas saírem do vagão. Uma senhora sofre para se desvencilhar do labirinto de braços e pernas do vagão e põe um pé na plataforma, o primeiro passo da liberdade. Uma loirinha baixinha gostosinha entra pela esquerda, agarra a mulher e, enquanto murmura “Sai daqui”, arremessa-a para a plataforma. Ninguém se feriu. Exceto a República.

Loirinha gostosinha e mal educada não merece perdão

Você e a loirinha gostosinha e mal educada estão comprimidos dentro do trem. Apertados um contra o outro, os seios dela esbarram no seu braço, que agarra a barra. Você foi escolhido por Deus para ser o cara mais educado do vagão. Você poderia largar a barra, procurar um outro lugar, simplesmente mover o braço. Mas você acha que não. A loirinha é gostosinha e mal educada – merece ser abusada, mesmo que acidentalmente.

Ela demonstra desconforto, mas não tem pra onde fugir.

Você não demonstra nada.

Apenas uma ereção.

A ereção da Justiça.

Loirinha 1, República também 1.

Trens da linha amarela

Parecem com o Ranger Branco.

Ranger Branco e Linha 4 - quem é quem?

Masturbação em público

Você está sentado, e há uma bundinha suculenta ao lado da sua cabeça. Não é a primeira ereção do dia, você quer se masturbar.

Você saca o pau e começa.

As pessoas se afastam.

O trem pára na estação.

Os policiais entram.

Você vai preso.

Com o pinto pra fora.

Ainda duro.

Ponto pra você.

Amor em três estações

Ela entrou pela porta automática e foi amor à primeira vista. Trocaram olhares, mesmo de óculos escuros. Ela não faz questão de desviar o olhar. O tempo voa, as estações passam. Você desce. Olha pra trás, ela ainda te observa, enquanto você vai embora, 45 graus, 0,75 metro por segundo. Em três estações vocês se conheceram, casaram, tiveram filhos, e agora nunca mais vão se ver.

Gordinho de roupa social

Está ouvindo metal no máximo, a caminho do trampo.

8 Comments

Filed under Bunda, Coitado do Manolo, Duplo sentido, Escrever, Maluco chato, Mulheres gostosas, Não foi bem assim, Peitos, Putaria e abominação, qq isos morena, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis

8 responses to “Les clichés du métro

  1. vittie

    Você é um gênio, cara! Puta merda.

  2. Raul

    Ereção da justiça! Eu rezo por um mundo mais justo, mas isso já é ridícul(amente demais!)0.

  3. Rafinha, esse teu texto ficou jóia viu? Teria apreciado mais se não estivesse com tanto sono. mas ó, irreverente, moleque, cheio de malemolência, da ginga do nosso brasileiro. Quase um messinho (nem tanto) da literatura alternativa. ó, JÓIA.

  4. Ah, e gostei dessa frase: Em três estações vocês se conheceram, casaram, tiveram filhos, e agora nunca mais vão se ver.” nossa, muito singela vou retwittar.

  5. F

    Esse ficou muito bom, realmente!

  6. stela

    Curti Rafa! Te amo!

  7. hominiscanidaeblog

    Ficou divertido, agora falta o do aniversario do corintians e do teu.

    uahuauahu

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