Monthly Archives: September 2010

Anotações

Arrumando a bagunça que me sufoca, encontrei um post-it antigo com as seguintes mensagens,

felipe come cachorro

11:25 e minha vó acabou de me ligar perguntando se hoje é quinta ou sexta! Inusitado!
Sexta, aliás.

Anotações, pequenos fragmentos de tempo guardados sem razão objetiva para o futuro e, quem sabe, para a posteridade. Não lembrava desse sonho que tive. Uma vez sonhei que meu companheiro de faculdade Felipe A. S. Motta simplesmente comia cachorrinhos. Engolia filhotinhos, que choravam. Acordei e resolvi anotar no post-it, para contar-lhe mais tarde. Não lembro se contei, mas agora posso dormir tranquilo com a idéia de que nada disso será esquecido! Agora, aqui na internet, meu sonho em que FASM engolia sem dificuldade cachorros de perros.

E quanto à ligação da minha vó, que papo foi esse! Nem lembro disso, mas achei uma excepcional recordação.

Essa minha tara colecionista, de não deixar escapar nenhum detalhe passar, faz com que eu guarde, compulsivamente, todos meus cadernos da escola e faculdade, e quaisquer outros registros em papel de qualquer coisa. Fico aflito em pensar que, meu Deus, vou ter de me livrar dessa anotação sobre caudilhismo que eu fiz de cola pra prova de América Independente I, ou como poderia eu me separar desse pedaço de folha sulfite que meu irmão escreveu “Mãe, me acorda pra tomar banho amanhã antes da prova? Valeu, Bruno”?

Hoje peguei meus cadernos e fiz uma seleção de trechos irrelevantes do meu dia a dia que foram imortalizados a caneta no papel para todo o sempre, nunca esquecidos!

APROVEITANDO A FACULDADE

Caderno de História do Brasil Independente 1, 19/04/05, entre enotações dispersas sobre a consolidação da economia brasileira no exterior, lê-se

1910 – são fundados Corinthians e Botafogo, dois grandes clubes do futebol brasileiro. Os destaques dos clubes são Marc. Carioca, Neto, Túlio Maravilha, Sócrates, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Desespero em sala de aula, 8/11/05,

São duas horas e cinquenta e sete minutos do dia oito de Novembro de dois mil e cinco, terça-feira, e estou numa aula do Marcos Napolitano. (Aula de Brasil Colonia, aliás. Minto! Escrevi errado. Corrigindo: Brasil Independente 2). Thiago Montanari e Ricardo Di Carlo estão apresentando um seminário sobre a luta armada na Ditadura Militar, e eu estou com sono! Mas tem uma menina muito bonita na sala, muito bonita. Aliás, hoje eu e o Siola conversávamos sobre meninas bonitas e bundas gostosas, e sobre como somos feios e chatos, só nos fodemos e nunca teremos uma bundinha gostosa em nossos colos! Mas que bosta de vida é essa – foi a conclusão que chegamos!
-é muito mais fácil ficar escrevendo bobagem sobre a vida, aqui, que prestar atenção no seminário.

Reflexões de Rafael com comentários em japonês de FASM,

“Você certamente morrerá!”

Em plena aula de História da Ciência, um esboço sobre uma faculdade fictícia.

F.H.C.E., 30/03/05,

Faculdade de Humor e Ciências Engraçadas

Matérias obrigatórias: Ironia aplicada I, II e III;
Humor Sem Graça;
A Piadização do Mundo Moderno I e II;
Humor Numérico;
Conotações Sexuais e Machismo;
Humor Marxista:
Trocadilhos I, II, III e IIII;
A Homossexualização da Soc. Ocidental;
Minorias Étnicas I e II;
Maiorias Étnicas III e IV;
Enredos Cômicos;
Tristeza Alheia I e II;
Sinônimos;
Cachota, beboche e humilhação própria I e II;
Piadas Ibéricas I e II;
Aulas Covers I, II, III, IV, e V;
Errorização de Eventos Históricos;
Sitcoms:
Sátiras Televisivas I e II:
Piadas Audio-visuais;
Concordância do Desconcordante;
Gerundio I e II:
Piadas em Línguas Estranhas:
Sarcasmo I, II e III;
Mentiras Humorísticas I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, mentira;
Humor Espontâneo;
Críticas Destrutivas;
Exagerização I e II:
Humor Como Meio de Combate:
A Dominação Pela Graça:
Artes Cômicas:
Pintura Corporal Obscena;
Etc e tal I, II e III.

Centro de apoio à pesquisa desnecessária Hermes e Renato
Cátedra Jerry Seinfeld
Fundação Whoopie Goldberg

A Faculdade de Humor e Ciências Engraçadas (FHCE) abriga apenas um único curso, o curso de Humor e Ciências Engraçadas, obviamente. Um único, porém, abrangente. O curso visa introduzir o aluno em um mundo amplo de farsas, irresponsabilidades e desnecessariedades. Ao se formar, o aluno recebe o título de Bacharel de Mentira, ou até mesmo de Humorista, ou qualquer outro título, até o de Campeão paulista, a escolha fica na mão de idiotas completamente incompetentes que nem fazem parte da faculdade. A omissão e a falta de solidariedade por parte dos professores e funcionários dá ao aluno um maior sentimento de individualidade e falta de responsabilidade social, um dos pontos fortes do bom comediante. Tudo no ambiente da faculdade inspira o riso, desde piadas brilhantes até as reprovações sistemáticas e infundadas de alunos, classes e até turmas intenras. A complexidade da burocracia escolhas desencoraja até os mais pacientes, e posso assegurar a todos vocês, ninguém nunca conseguirá se formar neste curso por meios legais.

O Reitor

Ps: O uso de uniformes e obrigatório

Ai, meu caralho! As aventuras magníficas de Senhor Shozo, o homem da técnica e do trabalho,

“Batman e Robinsbawm”

MULHERES, SAIAS E PERNAS

Do meu caderno de aula,

Hoje a Ódio estava atacada. Falou merda até dizer chega. A lista tá vindo aí. Eu, como um bom stalker, vou decorar o nome da menina ali. T é o sobrenome, mais nenhuma dica. Nem curso de origem, nem nada. Apenas os dois nome e o número USP. O Mistério permanece. E agora tenho assunto pra perder um bom tempo na internet! Oooba!

Mas ela é linda! Lorena T – que perigo pôr essas coisas no papel! mas verdade seja dita, mesmo que em letras miúdas.

Nossa! Que vontade de cagar!
-Aquela menina, (descobri o nome furtivamente), Lorena, está bonita. Com os óculos de sempre, uma blusa preta, saia azul-verde e meia-calça preta. Está bonita e deliciosa, se me permitem. Uhm!
-Que sono.

Que sono monstruoso, cacete! Eu quero assinar a lista e dar o fora!
Agora!

Opa, opa, opa! Very nice, INDEED.
Lorena veio de saia hoje, e está sentada de frente pra mim! A aula tá ficando boa! Já não quero ir embora agora! NÃO CONSIGO PARAR.
-Prometo não dar trégua pra essas pernas!
Opa! Ela descruzou e cruzou as pernas. Foi um momento tenso e fantástico. Foi um segundo de beleza e emoção lancinantes.
Pernas enormes.
Pernas fabulosas. Pena que ela percebeu. Fiquei triste.
Nem tanto.

Do meu diário,

Que perigo estas meninas! O mundo está infestado de mulheres feias, é verdade, mas não é difícil encontrar uma beleza por aí. O que se vê, aliás, é uma coisa. Pois, nua, toda mulher é mais bonita. Salvo exceções, é uma beleza de se ver, e uma inevitável tortura de se imaginar.

Lorena, menina bonita, bem composta, de óculos, está de vestido. E o melhor de tudo: está sentada de frente pra mim.
É uma situação maravilhosa. Até perdi o sono. Duas pernas fortes, maiores do que eu esperava. Com o vestido, posso ver todo o contorno do seu corpo. Somente o pano, sobre a carne. Assim, mais próximo, iminente, é maravilhoso. Impressionante como ela fica simplesmente linda com essa única peça de roupa. Se estivesse de calça, não seria tão bonito.
As pernas são enormes, descomunais. Não consigo tirar os olhos.
Neste momento, são as pernas mais belas que já se viu. Enormes, por debaixo do pano. Hipnotizantes.
Não é preciso dizer da emoção que é qualquer momento.
Ela acabou de descruzar e cruzas as pernas. Foi lindo, e ela percebeu que eu olhei. O que posso fazer? É lindo. Um espetáculo. Sinto muito, mas essas pernas são simplesmente maravilhosas.

FRAGMENTOS

Índices da modernidade, 29/05/2009,

Tensão entre tradição e modernidade. “O e-mail, que é o signo da modernidade”. “A sua adesão aos índices da modernidades (…) não é exclusivo de Rui Duarte de Carvalho, mas muito pelo contrário”. Puta merda! 11 horas! E eu já to entregando os pontos aqui. “Mais do que o achado, vale a busca?” – sobre a falta de verdades absolutas, fugindo aos juízos simplificadores ► J. Mª Crosariol ► Diego Marques Ferreira. Essas minas feias me entristecem. Cara, vou dar o fora. Não to aguentando.

Análise do discurso, 06/11/2009,

Cheguei cedo. Quer dizer: super cedo. Acordei antes das 6, porque bebi ontem. Logo meu bom humor virou ressaca, e quase vomitei chegando à Consolação, passando ao lado de um mictório de mendigos. Nossa, que nojo. Minha mãe me disse para trazer blusa, mas me neguei – e agora estou com frio devido ao ar condicionado. E to sem bateria no celular. Atravessando a Consolação, perguntei a uma menina – que depois descobri que era linda – as horas. Ela disse “7:20” (eu, impassível), depois se corrigiu “Não: 8:20” e sorriu. Tive um pensamento duplo: “Que menina linda” e “Caralho, que cedo”. Aí bateu um sono.
Dica do dia: “Se um viajante numa noite de inverno”.
►Léo Áquila veio sem sutiã de novo. How badley is that?

Na minha pós, há algum tempo, o Léo Áquila estava na mesma sala que eu. E ele é legal, viu!

Aedes aegypti,

Maestra, do meu caderno de espanhol, 26/10/2009,

-Porra, ninguém vem mais na aula. E temos esse trabalho final ridículo pra fazer. Porra. Se ninguém vier, puta que parió. Calor. Calor. La maestra tá muy guapa hoje. Not bad. Not bad at all! Punta que parió.
-A professora disse que, en pareja, é bom discutir pra depois fazer as pazes. Meu coração palpitou!
Que gracinha. Ela apertou um botão, mudou de tela (pc dando pau) e ela virou, com um sorrisinho lindo, eu, caralho, que papo é esse, RAFAEL?! HEIN?
Que graça, “yo conozco”

Do meu diário, 25/04/2008,

14:17, sexta, 25/04/2008. Hoje sonhei que o Felipe (FASM) engolia, literalmente, um cachorro. E hoje minha vó me ligou perguntando se hoje é quinta ou sexta! Inusitado, no mínimo! Estou na aula de Medieval. O dia fica em aberto. Com licença

Depois, atualização na mesma página,

Este dia prometia uma continuação emocionante, mas deu que não houve nada de marcante. (01/05/08)

O que é isso?, 10/3/2008,

Tem uma menina aqui ao lado com duas tabelas (feitas por ela mesma, creio) cheias de lacunas, com coisas escritas, numa letra minúscula – algumas com vistos – e ela vai pintando algumas lacunas com grafite, seguindo uma lógica que eu gostaria de compreender. O que é isso?

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Flashfoward – Que babaca

Inedistismo. Masturbação. Nossa.

Eu ia fazer um jogo de palavras, num consegui chegar nem na segunda.

Questão: masturbação é crime?

Resposta: não que eu saiba. Se for, fodeu!

O que tem a ver isso?

Hoje é dia do quê?!?

dorgas, manolo!

Pois é, hoje, como todo dia, é dia de drogas!

Fora isso, hoje é um grande dia, pois hoje é o dia do primeiro flashfoward do blog!

-Aee!

Grita a massa ensandecida. Roupas ao chão, lojas saqueadas, muito amor, mas muita sacanagem também. Claro, muita sacanagem também.

Como vocês sabem, no Flashback coloco aqui um texto previamente publicado no meu fotolog, já que vocês acham que tudo que eu escrevo agora uma bosta! Seus filhos das putas!

Mas hoje não é um flashback, no, fuck no. not today. Thank you kindly. Hoje é dia de flashfoward! E o que isso quer dizer?

Primeiro, quer dizer que eu não estou num dia lá muito criativo, porque se estivesse, estaria falando sobre bundinhas aqui. Aliás, bundinhas, hein.

Meditemos um pouco sobre bundinhas.

Uns 5 minutos.

Meditai, meus filhos.

Num contei, né, mas ganhei um livro do Crumb de aniversário! Legal, né? Pois é, foi meu aniversário. Rolou uma festa aqui em casa, com bebidas e tal, e eu não me recordo de muita coisa. Quer dizer, não me recordo de nada. Quando eu vi, estava acordando às 5 da manhã, dor de cabeça, e tinha gente na sala ainda, sentados, conversando civilizidamente.

Hoje é dia de flashfoward, e flashfoward é aquela coisa, vocês sabem, né? Elias Negro Lindo entrando em campo.

O texto de hoje eu não me recordo de ter escrito. Ele é legalzinho, na minha opinião, mas ainda apresenta alguns defeitos que eu pretendo corrigir. Mas não hoje. Hoje, não! Hoje, com vocês, o texto bruto, sem correções, com passagens babacas, Rafael sem retoques. Muito amor, mas muita sacanagem também. Com vocês,

Que babaca

Eu gosto de uma bundinha lindinha, não vou negar; mas a dela não era nada demais. Eu sou fã de uns peitos também, não vou negar. Eu prefiro os medianos; os dela eram pequenos. Bom, fazer o quê. E eu nunca fui muito fã de loiras; mas dela eu era. Acho que a única coisa que ela tinha em comum com todas as outras meninas por quem fui apaixonado era o gênero. Já o meu amor por ela era basicamente o mesmo amor que eu nutri por todas até hoje: duvidosamente correspondido e inevitavelmente babaca. Este último sou eu.

Mas a vida é uma festa! Sim, senhor! E já que a vida é uma festa, antes de ir eu passei no mercado, comprar cerveja, porque chegar de mão abanando não dá, né, pessoal! Então Rafael Zanatto, o herói da molecada, foi lá, abraçou dois packs de long neck (porque ele quer parar de tomar latinha) e foi desajeitadamente até o caixa rápido, onde havia uma fila. As cervejas estavam geladas e começando a suar, e Rafael pensou Hoje é o dia e, imediatamente emendou Fodeu, preciso de uma cerveja. Entrou no carro já em pânico, pensando em como aquele dia era o dia, em como aquela noite seria a noite! Ele ia dar um fim naquele negócio! E o fim que ele queria era começar alguma coisa, especialmente alguma coisa muito quente e molhada. Toda essa perspectiva fazia Rafael entrar em desespero, e para aplacar o desespero, nada melhor que uma cerveja, né, pessoal? Abriu uma long neck (desmantelando o pack todo) no antebraço e estava quente. Universo 1, Rafael 0.

Cheguei na festa, atravessei o salão com passos altivos, andar elegante, nariz empinado, corpo ereto, cabeça nas nuvens e me dei conta de que tinha que colocar aquelas porras de cervejas em algum lugar porque já não tava agüentando ficar abraçado com aquela merda, meu braço todo tremendo já então fui até o tanque cheio de gelo e joguei aquela porra toda lá dentro, me arrependendo imediatamente, com medo de quebrar uma garrafa – que não quebrou. Este sou eu, fazendo cagada e morrendo de medo de dar errado.

Na verdade, fazer cagada já é dar errado, e Rafael tem mesmo é medo das conseqüências desastrosas de seu comportamento irreflexivo e idiota. Só depois de fazer ele se dá conta, e foi exatamente isso quando ele começou a atravessar a pista imitando um robô, embalado a Beastie Boys. Olha lá, que nem um robô, que nem um robô. Rafael robô agora. Intergalactic planetary, planetary intergalactic – intergalactic planetary, planetary intergalactic! Robozão, robozão ela o observava com escárnio na varanda Puta merda! Que papel de idiota! Arruinei tudo! Agora, sim! Arruinei! Joguei minhas chances pela janela! Ela sabe que eu sou um idiota, ela tem certeza agora, pronto, parabéns, Rafael. Aliás, as meninas sempre olham com escárnio pro Rafael, né? Baixa auto-estima? Tem que ver isso aí.

Joguei tudo pro alto (ou no lixo) e me aproximei, percebendo que ela estava rindo. Uhh! Na traaaaave! Mais uma vez Rafael escapa do sufoco. Isso aí, ela não me acha um idiota, pensou que eu estava brincando. Eu era um robô – nossa, isso é muito idiota. Rafael, ONDE VOCÊ TÁ COM A CABEÇA, RAFAEL? Chegando, fiz uma reverência afetadíssima e enquanto olhava seus pezinhos na sandália, já ia me arrependendo. Rafael, você ta se sabotando. Tem que ver isso aí.

Ela riu de Rafael, para surpresa de todos, inclusive a minha. Acho que, no final das contas, ela gosta de um homem babaca. Ou ela só acha esse pobre garoto babaca mesmo e ta rindo dele, foda-se mesmo. Não. Não, simplesmente não, pensou Rafael. Neste momento, foi tomado por uma confiança além dos limites (esqueci de dizer que ele estava com uma cerveja na mão, e assim que se viu flagrado dançando Intergalactic, ingeriu 70% do conteúdo alcoólico num lapso de 40 segundos), e eu estava lá, mamando naquela garrafinha, enquanto ela ainda tinha um sorriso na cara por causa da minha reverência. Conversamos amenidades e eu já havia pego mais duas garrafas (uma de cada vez) e, meu amigo, o menino bebia. Não que ela não bebesse, ela bebia. Mas ele bebia só pra se manter ali, de pé, em frente à menina. E, vocês sabem, esse plano não faz muito sentido. Ele, Rafael, já se embaralhava gostoso.

-Você sabe…

Eu falei isso? Ou eu tava só pensando? Tava pensando, tava pensando.

-Sei o quê?

Meu Deus, eu falei isso? Não, não, Rafael! Minha cerveja abriu a boquinha e disse “Rafael, que cagada!” e os Rolling Stones até mudaram o refrão pra dizer “Hehehe Rafael, você foi cabaço nessa, hein”, ah Mick, não me enche o saco! Que problemão! Que problemão! Que cagada, que problemão!

Hesitei, por um momento eu hesitei, e quando eu digo isso, quero dizer que fiquei dois minutos ameaçando abrir a boca, só gemendo, desesperado, enquanto ela continuava com aquela cara de interrogação. Aquela linda cara de interrogação. Ah, que menina linda. Acho-as todas lindas, talvez seja um exagero, mas não seria isso o amor? Não seria amar simplesmente a capacidade de encontrar o belo? Talvez. Talvez isso, ou talvez eu realmente tremesse pensando na sua calcinha deslizando suas pernas abaixo. Tremo agora, tremo agora!

-Bah – Bah? Eu disse bah? Onde eu estou com a cabeça?! – Nada não, eu to só brincando com você!

Com o pretexto de pegar outra cerveja, saí de lá.  Saí, mas saí por cima, fui rebolando e ela me olhando, certeza que ela me olhava, eu sei que você quer, você sabe também, você sabe, não tem papo, e eu cheguei perto das cervejas, me apoiei no balcão e girei sobre os calcanhares, muito elegante, para pegá-la no flagra, olhando pra mim, com malícia, e ela estava já conversando com outro cara.

Com o pretexto de manter a cabeça em cima do pescoço, enxuguei outra garrafa. E mais outra. E mais algumas. O suficiente pra encher de tampinhas o bolso da minha camisa. E toda vez, agora, que eu batia no meu coração pra me certificar dos meus sinais vitais, eu tilintava. Certificado.

O álcool teve o efeito esperado no meu corpo, e permitiu que eu me comportasse de forma ridícula. Não que antes eu não fosse ridículo, patético e ridículo, mas agora, bêbado, tudo era permitido. Rafael bebia para sublinhar-se. Com as luzes apagadas e o som rolando, como dizem, nada mais de Montecchios ou Capuletos, just banging tunes and DJ sets, mas depois a festa foi minguando, algumas pessoas foram embora, e eu me vi sentadinho na varanda, melancólico, olhando o fundo da minha, o quê?, sétima, vigésima, milésima garrafa.

Dei-me por mim, ela se sentou ao meu lado, sem falar nada, acendeu um cigarro. Malditos fumantes! Eles podem fazer qualquer coisa! Eu, sentado aqui, só patético, sozinho. Ela, sentada aquil, está fumando, dando um tempo da galera. Malditos. Fui puxar papo mas enrolei a língua. Ela perguntou que foi e eu decidi ficar quieto. Sorriu, gostou. Difícil saber o que ela vai gostar. Anyways…

-Quer uma carona?

-Quero!

Agora, sim, tudo nos esquemas! Se Rafael aprendeu alguma coisa nesta noite, foi que deveria play it cool e não dar muita bola, então ele foi andando, quem nem um robô, olha só, Rafael robô, até o carro, abriu a porta pra ela (Rafael é um cara muito educado), pegou o volante e foi, foram, conversando, a conversa fluindo muito bem, Rafael sem preocupações, eu era articulado, falava bem das coisas, nem parecia que estava totalmente fora de controle de bêbado, eu era inteligente, espirituoso, esperto, engraçado, falava o que viesse na telha, sem a menor reflexão, e tudo se encaixava perfeitamente, Rafael se sentiu um fantoche na mão de Deus.

Chegando em frente ao prédio dela, puxei o freio de mão, desliguei o carro, ela tirou o cinto, agradeceu deu boa noite saiu atravessou a rua quase correndo entrou pelo portão e sumiu, simplesmente assim! Porra! Fiquei desolado, essa é a palavra, essa ou outra palavra, como filho da puta da minha cara (isso não é uma palavra) ou qualquer outra coisa. Coloquei as mãos no volante, nem pensava em ligar o carro. Não conseguia nem colocar em palavras a tragédia que tinha acabado de acontecer. Comecei a raciocinar sobre a minha reação, em vez de sentir a tristeza do momento, o que torna o episódio extremamente impessoal. Pensei em bater a cabeça no volante e disparar a buzina com a testa, mas não me permiti tamanho clichê. E além do mais poderia acordar alguém (Rafael é um cara muito educado, preocupado e consciente). Que bosta, viu.

Meu celular começou a tocar e eu confirmei minha suspeita: era ela! Tocou uma vez e eu já sabia o que ela ia dizer Ah, desculpa sair assim, nem nos despedimos, mas lembrei que to sozinha aqui em casa, então você não quer subir? Você não ta longe, ta? Dá tempo de voltar? Então volta e sobe aqui. E eu já pensava tudo que ia acontecer, também, eu ia entrar pela porta da sala já agarrando-a num beijo maravilhoso, finalmente, e a jogaria no sofá, ela estaria doidinha, arrancaria suas roupas, beijaria seu corpo inteiro, ela me agarrando pelos cabelos, não, não precisa ser tanto, não precisa ter sexo, não, seria algo romântico, tomaríamos um vinho, sei lá, uma música no rádio, ficaríamos sentados, tudo com muita calma, eu seria um amor, conversando os dois sentados no sofá – ou no chão mesmo, e eu ficaria cansado, deitado no chão, ela deitada do meu lado, passando a mão nos meus cabelos, sendo um amor que ela sabe ser que eu sei e um beijo gostoso, deitados lá, no chão, sem frescura nem nada, sem nada demais, só nós dois, então eu atendi o telefone, com a voz totalmente segura, simpático, ah, a noite perfeita!

-Alou.

-Ahh, não, não, nada – eu não entendia – não, é que eu achei que minha chave talvez tivesse caído no seu carro, mas ta aqui, acabei de achar! Brigada!

-Haha, opa, sempre às ordens.

-Brigada, boa noite!

-Boa noite!

Ah, meu Deus, que patético eu sou. Aí eu realmente bati a cabeça no volante e disparei a buzina, no que eu me assustei, liguei o carro e saí pela rua, já fazendo planos de chegar em casa, bater uma punheta e ir dormir, quer saber, nem punheta, que bosta, que babaca, que ridículo, que sono, sempre às ordens, sempre às ordens, nossa, que babaca.

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Flashback – Rapaz enche a cara e flerta (unilateralmente) com uma menina, dorme, acorda e toma banho.

Hoje é dia do quê!

Flashback, manolo!

Quero ver todo mundo assim!

Mentira, fumar é errado, especialmente se você for um crustáceo.

Mas o que eu realmente queria dizer é que agora é a hora de postar um texto velho que ninguém gosta!

EBA RAFINHA QUE LEGAL

Nossa, quanto tempo, hein?

É VERDADE FAZ TEMPO PORQUE VOCÊ FEZ ISSO COMIGO?

Seria “por que” na verdade.

COMO ASSIM?

“Por que”, separado.

MAS RAFINHA EU TO FALANDO COMO VOCÊ SABE COMO EU ESCREVI A GENTE NÃO TÁ SUPOSTAMENTE FALANDO?

Supostamente.

MUITO SUPOSTAMENTE!

AH BOM ENTENDI.

(Quem falou “Muito supostamente” foi o Rafael, aliás)

MAS! Pouco importa tudo isso!

O texto que lhes apresento a seguir é apenas a primeira parte de uma saga eletrizante mas muito ruim, e só esse pequeno fragmento vale alguma coisa – não sei o que, mas vale. Talvez não valha nada. Bom, vai saber! De qualquer forma, são os pensamentos de um rapaz already drunk, na iminência de flertar com uma jovem menina. E a menina é gostosa. Bom, na verdade não dá pra saber, isso não fica claro – ou fica? Não sei, não reli. Bom, vou reler, vamos ver.

Inovativo, Rafael apresenta aqui sua técnica batizada agora mesmo de diálogo interior, numa rede de citações e referências. E o título, graças à supressão da sequência, é totalmente enganoso. Com vocês,

Rapaz enche a cara e flerta (unilateralmente) com uma menina, dorme, acorda e toma banho

-Eu acho – uma crítica, não me leve a mal – acho que eu poderia ser mais legal.
-É, mas animado, talvez.
-Extrovertido, né?
-É, isso, é, é verdade. Também acho.
-Tem tanta gente legal por aí…
-Sim, claro, mas legal nós somos.
-Não; isso, com certeza.
-No doubt about THAT.
-No doubt INDEED.
INDEED – Darth Vader
-Exatamente.
-Só digo uma coisa que eu não sei.
-Diga.
-Nao sei como não estão todas aos nossos pés
-Exatamente!
-Simplesmente não sei!
-Não há nenhuma explicação lógica.
-É só questão de tempo!
É só questão de tempo o fim do sofrimento. Um brinde pros guerreiro. Zé povinho eu lamento.
-Racionais.
-Exatamente.
-Só esperar!
-Wait and see.
-Quem viver…
-Verá!
-É sempre assim.
-É; no final das contas, sempre acaba nisso.
-Se a história nos ensinou algo, é isso.
-Definitely. Wait and see.

(…)

-Bom, vejamos. Currently, eu sou o cara mais legal da festa.
-No doubt about THAT.
-Mas e aí, que resta? Poderíamos tomar uma cerveja.
-Só… poderíamos pra caralho.
-Uma bem gelada..
-Mas só tem quente.
-Bem… o que se pode fazer?!
-O que, afinal?
-Ao bar.

(…)

-Olha…
-Diz.
-Não podemos culpar o George Michael.
-Não, senhor!
-Não podemos culpá-lo de forma alguma.
-No, sir.
-Quem aqui?!
-Quem aqui?!, exatamente.
-Quem aqui não a levaria pro banheiro?
-Quem?
-Quem vai ser hipócrita de negar uma coisa dessas?!
-Quem?
-Só isso que eu quero saber.
-Exatamente: quem?!
-Ninguém! – ambos.
-As coisas são assim, oras!
-Orra se são!
-Ainda mais se você for gay!
-Orra. Vestiário de time de futsal feminino – só isso que eu falo!
-Exato!
-Só isso!
-Depois da vitória…
-Todas peladas…
-Todo mundo a fim…
-George Michael!
-Louvado seja!
-Count me in!

(…)

-Eu vou…
-Vai!
-Eu vou agarrar a cintura!
-Vai! Agarra!
-Eu vou…!
-Não tá dando pra agüentar!
-No, sir!
-Falta isso.
Agora não falta mais!
-Visa.
-Right on.
-Mas eu vou. Passar a mão pela cintura.
-O que mais que se pode fazer?!
-O quê? Me diz: o quê?
-Quem você vai culpar?!
-The devil made me do it!
-É uma manifestação clara – claríssima – do divino!
INDEED.
The lure of the animal!
-Vai lá, cara! Agarra essa cinturinha que você me faz feliz!
-Gil Brother, no quadro do diabinho no elevador!
Fastidious and precise!
Killer Queen!
-We’re gettin’ good at this!
-No doubt about THAT!
-Vou puxar.
-Puxa, cara!
-Agora!
-Não tem melhor hora!
Well, I guess it would be nice!
If I could
-É agora!
-Até George Michael tá com a gente!
-Esse cara sabe o que fala!
-No doubt about THAT!
-Eu digo: melhor não!
-Tragédia!
-Let’s play it cool.
-Vamos até ali.
-Vamos, encostar aqui.
-Isso. Now..
-Wait and see.
-Precisely

(…)

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