Flashfoward – Que babaca

Inedistismo. Masturbação. Nossa.

Eu ia fazer um jogo de palavras, num consegui chegar nem na segunda.

Questão: masturbação é crime?

Resposta: não que eu saiba. Se for, fodeu!

O que tem a ver isso?

Hoje é dia do quê?!?

dorgas, manolo!

Pois é, hoje, como todo dia, é dia de drogas!

Fora isso, hoje é um grande dia, pois hoje é o dia do primeiro flashfoward do blog!

-Aee!

Grita a massa ensandecida. Roupas ao chão, lojas saqueadas, muito amor, mas muita sacanagem também. Claro, muita sacanagem também.

Como vocês sabem, no Flashback coloco aqui um texto previamente publicado no meu fotolog, já que vocês acham que tudo que eu escrevo agora uma bosta! Seus filhos das putas!

Mas hoje não é um flashback, no, fuck no. not today. Thank you kindly. Hoje é dia de flashfoward! E o que isso quer dizer?

Primeiro, quer dizer que eu não estou num dia lá muito criativo, porque se estivesse, estaria falando sobre bundinhas aqui. Aliás, bundinhas, hein.

Meditemos um pouco sobre bundinhas.

Uns 5 minutos.

Meditai, meus filhos.

Num contei, né, mas ganhei um livro do Crumb de aniversário! Legal, né? Pois é, foi meu aniversário. Rolou uma festa aqui em casa, com bebidas e tal, e eu não me recordo de muita coisa. Quer dizer, não me recordo de nada. Quando eu vi, estava acordando às 5 da manhã, dor de cabeça, e tinha gente na sala ainda, sentados, conversando civilizidamente.

Hoje é dia de flashfoward, e flashfoward é aquela coisa, vocês sabem, né? Elias Negro Lindo entrando em campo.

O texto de hoje eu não me recordo de ter escrito. Ele é legalzinho, na minha opinião, mas ainda apresenta alguns defeitos que eu pretendo corrigir. Mas não hoje. Hoje, não! Hoje, com vocês, o texto bruto, sem correções, com passagens babacas, Rafael sem retoques. Muito amor, mas muita sacanagem também. Com vocês,

Que babaca

Eu gosto de uma bundinha lindinha, não vou negar; mas a dela não era nada demais. Eu sou fã de uns peitos também, não vou negar. Eu prefiro os medianos; os dela eram pequenos. Bom, fazer o quê. E eu nunca fui muito fã de loiras; mas dela eu era. Acho que a única coisa que ela tinha em comum com todas as outras meninas por quem fui apaixonado era o gênero. Já o meu amor por ela era basicamente o mesmo amor que eu nutri por todas até hoje: duvidosamente correspondido e inevitavelmente babaca. Este último sou eu.

Mas a vida é uma festa! Sim, senhor! E já que a vida é uma festa, antes de ir eu passei no mercado, comprar cerveja, porque chegar de mão abanando não dá, né, pessoal! Então Rafael Zanatto, o herói da molecada, foi lá, abraçou dois packs de long neck (porque ele quer parar de tomar latinha) e foi desajeitadamente até o caixa rápido, onde havia uma fila. As cervejas estavam geladas e começando a suar, e Rafael pensou Hoje é o dia e, imediatamente emendou Fodeu, preciso de uma cerveja. Entrou no carro já em pânico, pensando em como aquele dia era o dia, em como aquela noite seria a noite! Ele ia dar um fim naquele negócio! E o fim que ele queria era começar alguma coisa, especialmente alguma coisa muito quente e molhada. Toda essa perspectiva fazia Rafael entrar em desespero, e para aplacar o desespero, nada melhor que uma cerveja, né, pessoal? Abriu uma long neck (desmantelando o pack todo) no antebraço e estava quente. Universo 1, Rafael 0.

Cheguei na festa, atravessei o salão com passos altivos, andar elegante, nariz empinado, corpo ereto, cabeça nas nuvens e me dei conta de que tinha que colocar aquelas porras de cervejas em algum lugar porque já não tava agüentando ficar abraçado com aquela merda, meu braço todo tremendo já então fui até o tanque cheio de gelo e joguei aquela porra toda lá dentro, me arrependendo imediatamente, com medo de quebrar uma garrafa – que não quebrou. Este sou eu, fazendo cagada e morrendo de medo de dar errado.

Na verdade, fazer cagada já é dar errado, e Rafael tem mesmo é medo das conseqüências desastrosas de seu comportamento irreflexivo e idiota. Só depois de fazer ele se dá conta, e foi exatamente isso quando ele começou a atravessar a pista imitando um robô, embalado a Beastie Boys. Olha lá, que nem um robô, que nem um robô. Rafael robô agora. Intergalactic planetary, planetary intergalactic – intergalactic planetary, planetary intergalactic! Robozão, robozão ela o observava com escárnio na varanda Puta merda! Que papel de idiota! Arruinei tudo! Agora, sim! Arruinei! Joguei minhas chances pela janela! Ela sabe que eu sou um idiota, ela tem certeza agora, pronto, parabéns, Rafael. Aliás, as meninas sempre olham com escárnio pro Rafael, né? Baixa auto-estima? Tem que ver isso aí.

Joguei tudo pro alto (ou no lixo) e me aproximei, percebendo que ela estava rindo. Uhh! Na traaaaave! Mais uma vez Rafael escapa do sufoco. Isso aí, ela não me acha um idiota, pensou que eu estava brincando. Eu era um robô – nossa, isso é muito idiota. Rafael, ONDE VOCÊ TÁ COM A CABEÇA, RAFAEL? Chegando, fiz uma reverência afetadíssima e enquanto olhava seus pezinhos na sandália, já ia me arrependendo. Rafael, você ta se sabotando. Tem que ver isso aí.

Ela riu de Rafael, para surpresa de todos, inclusive a minha. Acho que, no final das contas, ela gosta de um homem babaca. Ou ela só acha esse pobre garoto babaca mesmo e ta rindo dele, foda-se mesmo. Não. Não, simplesmente não, pensou Rafael. Neste momento, foi tomado por uma confiança além dos limites (esqueci de dizer que ele estava com uma cerveja na mão, e assim que se viu flagrado dançando Intergalactic, ingeriu 70% do conteúdo alcoólico num lapso de 40 segundos), e eu estava lá, mamando naquela garrafinha, enquanto ela ainda tinha um sorriso na cara por causa da minha reverência. Conversamos amenidades e eu já havia pego mais duas garrafas (uma de cada vez) e, meu amigo, o menino bebia. Não que ela não bebesse, ela bebia. Mas ele bebia só pra se manter ali, de pé, em frente à menina. E, vocês sabem, esse plano não faz muito sentido. Ele, Rafael, já se embaralhava gostoso.

-Você sabe…

Eu falei isso? Ou eu tava só pensando? Tava pensando, tava pensando.

-Sei o quê?

Meu Deus, eu falei isso? Não, não, Rafael! Minha cerveja abriu a boquinha e disse “Rafael, que cagada!” e os Rolling Stones até mudaram o refrão pra dizer “Hehehe Rafael, você foi cabaço nessa, hein”, ah Mick, não me enche o saco! Que problemão! Que problemão! Que cagada, que problemão!

Hesitei, por um momento eu hesitei, e quando eu digo isso, quero dizer que fiquei dois minutos ameaçando abrir a boca, só gemendo, desesperado, enquanto ela continuava com aquela cara de interrogação. Aquela linda cara de interrogação. Ah, que menina linda. Acho-as todas lindas, talvez seja um exagero, mas não seria isso o amor? Não seria amar simplesmente a capacidade de encontrar o belo? Talvez. Talvez isso, ou talvez eu realmente tremesse pensando na sua calcinha deslizando suas pernas abaixo. Tremo agora, tremo agora!

-Bah – Bah? Eu disse bah? Onde eu estou com a cabeça?! – Nada não, eu to só brincando com você!

Com o pretexto de pegar outra cerveja, saí de lá.  Saí, mas saí por cima, fui rebolando e ela me olhando, certeza que ela me olhava, eu sei que você quer, você sabe também, você sabe, não tem papo, e eu cheguei perto das cervejas, me apoiei no balcão e girei sobre os calcanhares, muito elegante, para pegá-la no flagra, olhando pra mim, com malícia, e ela estava já conversando com outro cara.

Com o pretexto de manter a cabeça em cima do pescoço, enxuguei outra garrafa. E mais outra. E mais algumas. O suficiente pra encher de tampinhas o bolso da minha camisa. E toda vez, agora, que eu batia no meu coração pra me certificar dos meus sinais vitais, eu tilintava. Certificado.

O álcool teve o efeito esperado no meu corpo, e permitiu que eu me comportasse de forma ridícula. Não que antes eu não fosse ridículo, patético e ridículo, mas agora, bêbado, tudo era permitido. Rafael bebia para sublinhar-se. Com as luzes apagadas e o som rolando, como dizem, nada mais de Montecchios ou Capuletos, just banging tunes and DJ sets, mas depois a festa foi minguando, algumas pessoas foram embora, e eu me vi sentadinho na varanda, melancólico, olhando o fundo da minha, o quê?, sétima, vigésima, milésima garrafa.

Dei-me por mim, ela se sentou ao meu lado, sem falar nada, acendeu um cigarro. Malditos fumantes! Eles podem fazer qualquer coisa! Eu, sentado aqui, só patético, sozinho. Ela, sentada aquil, está fumando, dando um tempo da galera. Malditos. Fui puxar papo mas enrolei a língua. Ela perguntou que foi e eu decidi ficar quieto. Sorriu, gostou. Difícil saber o que ela vai gostar. Anyways…

-Quer uma carona?

-Quero!

Agora, sim, tudo nos esquemas! Se Rafael aprendeu alguma coisa nesta noite, foi que deveria play it cool e não dar muita bola, então ele foi andando, quem nem um robô, olha só, Rafael robô, até o carro, abriu a porta pra ela (Rafael é um cara muito educado), pegou o volante e foi, foram, conversando, a conversa fluindo muito bem, Rafael sem preocupações, eu era articulado, falava bem das coisas, nem parecia que estava totalmente fora de controle de bêbado, eu era inteligente, espirituoso, esperto, engraçado, falava o que viesse na telha, sem a menor reflexão, e tudo se encaixava perfeitamente, Rafael se sentiu um fantoche na mão de Deus.

Chegando em frente ao prédio dela, puxei o freio de mão, desliguei o carro, ela tirou o cinto, agradeceu deu boa noite saiu atravessou a rua quase correndo entrou pelo portão e sumiu, simplesmente assim! Porra! Fiquei desolado, essa é a palavra, essa ou outra palavra, como filho da puta da minha cara (isso não é uma palavra) ou qualquer outra coisa. Coloquei as mãos no volante, nem pensava em ligar o carro. Não conseguia nem colocar em palavras a tragédia que tinha acabado de acontecer. Comecei a raciocinar sobre a minha reação, em vez de sentir a tristeza do momento, o que torna o episódio extremamente impessoal. Pensei em bater a cabeça no volante e disparar a buzina com a testa, mas não me permiti tamanho clichê. E além do mais poderia acordar alguém (Rafael é um cara muito educado, preocupado e consciente). Que bosta, viu.

Meu celular começou a tocar e eu confirmei minha suspeita: era ela! Tocou uma vez e eu já sabia o que ela ia dizer Ah, desculpa sair assim, nem nos despedimos, mas lembrei que to sozinha aqui em casa, então você não quer subir? Você não ta longe, ta? Dá tempo de voltar? Então volta e sobe aqui. E eu já pensava tudo que ia acontecer, também, eu ia entrar pela porta da sala já agarrando-a num beijo maravilhoso, finalmente, e a jogaria no sofá, ela estaria doidinha, arrancaria suas roupas, beijaria seu corpo inteiro, ela me agarrando pelos cabelos, não, não precisa ser tanto, não precisa ter sexo, não, seria algo romântico, tomaríamos um vinho, sei lá, uma música no rádio, ficaríamos sentados, tudo com muita calma, eu seria um amor, conversando os dois sentados no sofá – ou no chão mesmo, e eu ficaria cansado, deitado no chão, ela deitada do meu lado, passando a mão nos meus cabelos, sendo um amor que ela sabe ser que eu sei e um beijo gostoso, deitados lá, no chão, sem frescura nem nada, sem nada demais, só nós dois, então eu atendi o telefone, com a voz totalmente segura, simpático, ah, a noite perfeita!

-Alou.

-Ahh, não, não, nada – eu não entendia – não, é que eu achei que minha chave talvez tivesse caído no seu carro, mas ta aqui, acabei de achar! Brigada!

-Haha, opa, sempre às ordens.

-Brigada, boa noite!

-Boa noite!

Ah, meu Deus, que patético eu sou. Aí eu realmente bati a cabeça no volante e disparei a buzina, no que eu me assustei, liguei o carro e saí pela rua, já fazendo planos de chegar em casa, bater uma punheta e ir dormir, quer saber, nem punheta, que bosta, que babaca, que ridículo, que sono, sempre às ordens, sempre às ordens, nossa, que babaca.

1 Comment

Filed under Blog, Crumb, Escrever, Flashfoward, Mulheres gostosas

One response to “Flashfoward – Que babaca

  1. li conconi

    cinco estrelinhas

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