Onde, quando e como (por que não?)

Hoje é dia do que, criançada?

-Chuva de graniiizoooo!

Não, não! Nada a ver! Só por que tá chovendo vocês gritam isso?

-Rafael, onde foi parar sua criatividade?

Ninguém sabe.

Mas hoje é dia de dizer onde, quando e como ver calcinhas! Yes!

Estava com isso na cabeça há muito tempo. Quer dizer, desde que bati aquela primeira punheta sem querer, lá nos meus (quantos?) 13 anos, sei lá, a fixação por calcinhas e, em menor grau, mulheres, não sai da minha cabeça. Hoje, então, é dia de criar um manual completo de

COMO VER CALCINHAS DAS MENINAS (SEM QUE ELAS DESCUBRAM) (DE PREFERÊNCIA) (DE PREFERÊNCIA)

Beleza! Primeiro, como o título já entrega, o mais importante é ver uma calcinha. Claro, você vai querer ser discreto, não vai enfiar sua cabeça debaixo da saia de qualquer gatinha por aí -VAI?

Eis a questão. Há calcinhas e calcinhas (fique claro). Há aquelas que você toparia ver. Claro, toparia ver essa calcinha. Se ela desse uma cambalhota, claro, eu olharia sua calcinha. Há aquelas que você quer ver. Sim, eu quero ver essa calcinha. Nesse caso você torce pra que o vento levante a saia dela por favor DEUS! E há aquelas calcinhas que você tem que ver. Nesse caso, levando em consideração os perigos e implicações, vale a pena se arriscar por uma calcinha. Por exemplo: você precisa ver a calcinha daquela menina, nem que isso lhe custe um tapa na cara. Beleza. Você fica esperto, segue com os olhos, antevê os movimentos e, quando ela vai se levantar pra ir ao banheiro bam! você desliza pela cadeira que nem gelatina e dá aquela olhada descarada, se pá até corre um pouquinho de quatro e enfia sua cabeça por debaixo da saia dela e levanta a menina com a nuca e suspende mais com os braços e fica delirando, olhando pra cima, pra calcinha, aquelas pernas nuas se debatendo, os gritos, movimentação assustada no bar, as sombras e luzes através da saia diáfana, ah, mais um sábado à noite.

Então, tendo isso claro, agora, para horror dos pais de família preocupados com a integridade sexual de suas filhas, vamos analisar qual o melhor momento para ver uma calcinha!

Quando

Toda hora é hora de ver uma calcinha – mas, como no relógio: algumas horas são melhores que as outras. Zooming out, eu diria que do século XX em diante ver calcinhas tem se tornado mais fácil e praticável. Antes, porém, seria muito bem mais recompensador, apesar de difícil. Imagina, ver a calcinha de uma mina no século XVII. Isso sim que era um bom tarado.

Mas, ao contrário do que diz o imaginário popular, sim: se fazem tarados como antigamente. Aliás, a tara, diferentemente de outras artes – como a literatura ou o futebol – não entrou em crise. Apesar de também ser cooptada pelo mercado, a tara tem feito apenas se especializar e aumentar sua qualidade e repertório, num espiral de ousadia, superação e satisfação.

Agora, aproximando mais a nossa lupa do tempo, eu não imporia limitações de idade ou coisa que o valha para ver uma calcinha. Desde a puberdade (ou até mesmo antes dela – instintos!) até os píncaros da decrepitude, um homem deve buscar uma calcinha. Como diria Josep Guardiola:

Som els que sempre busquem la porteria contrària

O timing é fundamental para um bom observador de calcinhas. Primeiro, você nunca deve se descuidar de sua missão. Ver calcinhas deve ser uma idéia fixa, das legítimas. Você deve ver calcinhas involuntariamente, olhar decotes de velhas, de crianças, de ops polícia federal.

Então, disposto a dedicar sua vida 24 horas por dia à observação de calcinha (isso se você, como eu, for um perdedor, daqueles que só vê calcinha na seção de roupas femininas do Wal-Mart), você começa a encontrar padrões nos movimentos femininos. Por exemplo, uma mulher sempre se agacha para pegar algo no chão. Quando agacha, aliás, toma cuidado redobrado com a saia. Portanto, não espere que, jogando uma nota de 20 reais na frente da menina, ela vá se dobrar inteira e deixar aquele rabo gostoso (que eu sei) à mostra, fácil assim, de graça (tudo bem, foram 20 reais) – a não ser que ela seja uma prostituta. Nesse caso, nunca jogue 20 reais no chão de um prostíbulo – você estará sendo um perfeito idiota.

Com o tempo, você percebe que as mulheres têm seus descuidos. Meninas novas tendem a entregar o jogo em qualquer situação adversa. Por exemplo: gritaria no andar debaixo – elas vão correndo em direção ao para-peito, mesmo sabendo que ele é vazado. Aí, sua perspicácia fala mais alto e, em vez de ver a briga de gente grande que tá comendo entre a mulher da cantina e a menina da recepção, você vê várias calcinhas descuidadas. Outra situação excepcional, para a qual as meninas novinhas não estão preparadas, é uma chuva. Uma mera chuva. Ela se molha e, quando vai se secar, sem querer entrega os pontos, suspendendo a saia demais, enxugando com excesso de zelo, essas coisas.

Já as mulheres mais velhas são páreo duro. Acostumadas com a vida, elas não dão bobeira. Em compensação, como se sabe, quanto mais velha uma mulher é, mais suscetível a aberturas intencionais ela se torna (fica safada). Essa é a forma que Deus encontrou pra equilibrar as coisas.

Deus: um grande cara.

Onde

Onde, haha, essa é risível. Por que, eu não sei. Mas to rindo aqui. Talvez seja esse baseado que eu fumei, e essa reprise de O mundo de Beakman que eu estou vendo. De qualquer forma, onde, afinal, ver calcinhas?

Primeiro, é necessário compreender a lógica física da coisa. São dois  fatores preponderantes: assentos (o ato de sentar e levantar) e desníveis (escadas, andares).

Quem sabe fazer contas logo percebeu que a faculdade é um ótimo lugar para se ver calcinhas. As escadas leves e vazadas, os andares que se comunicam, pátios internos, seminários em roda, tudo isso forma um ambiente favorável.

Outro lugar muito fértil para a observação de calcinhas é o bar. A dinâmica cerveja/banheiro é implacável. Ali, elas bebem uma, duas cervejas, e já estão descuidando na hora de ir ao banheiro. É nessa hora que um olhar treinado e incansável leva a melhor. Quando você vê, nem 2 da manhã e você já viu várias calcinhas (agora é só postar no blog).

Que vida triste, né, galera?

Como (por que não?)

Aqui não tem essa de depressão, ou desse pensamento feminino de “Ah, você gosta de olhar, não consegue pegar mulher?” Isso ela tá dizendo só porque quer que você a agarre logo pela cintura arranque suas calças mas não, você permanece virgem, prossegue a mística: 27 anos contrariando a estatística.

Zuei.

A verdade (e a verdade é uma só) é que o homem não se deixa abalar, o homem nunca pára. Nada o detém. Sexo, relacionamentos, nada o represa – pelo menos não suficientemente.

Você está sentado, e é essa força invisível que guia seus olhos, ao sabor do vento, acompanhando as dobras da saia que sobem, sobem, e quase mostram. É necessário perícia, momento certo de agir, mas você diz “Foda-se!” se levanta e vai lá ver. Chama a responsabilidade e, sem medo, vai lá ver essa calcinha. Andando alheio a todos, no meio de todos, você olha pra cima, ninguém entende, ela, lá na varanda, mal desconfia. Descuidada, vem pra beirada, o vento, seu amigo, bate e levanta a saia. Você vê, do patamar inferior: ela usa shorts por debaixo da saia.

-Vagabunda.

Uma mina que usa shorts por debaixo da saia. Que se foda uma mina dessas.

Mas nem sempre você abrir mão de sua discrição. Como eu, hoje, no shopping. Ela não era lá essas coisas, mas eu já a reconheci como alvo em potencial, quando passou, mãos dadas com o namorado, por mim. As pernas brancas, poderia ser mais magra, mas o vestido largo, aberto, easy going. Fui tentar a sorte na escada rolante – talvez eu veja uma calcinha, sorte aleatória, e ela era a única. Apoiada ao para-peito, sem dó, o namorado de um lado e um amigo do outro. Vagabunda. Eles já estão virados pra escada rolante, essa vai ser jogo duro, preciso ser invisível. Entro na escada rolante tropeçando, quase despenco em 12 metros de queda livre, direto no saguão principal – chamem as meninas da faxina. Agarro-me ao corrimão, meu Deus, que papelão. Eles com certeza me viram, esse jovem imbecil, barba na cara, tropeçando feito caipira na escada rolante. Eu vou, mantenho a cabeça travada na direção certa, os olhos de esguel vendo os três, lá em cima. Vai, vamos, olhando, com calma, quase me saltam das órbitas, eles me olham, tenho certeza, a saia vai, vai um pouco mais, aberta, larga, é a oportunidade perfeita.

Não, não dá. Eles já esperavam por essa. Fui derrotado. Mais uma vez. O perseguidor.

Mas elas não se dão contam, parecem não perceber… 103 anos, desde a invenção do Ford T, não foram o suficiente para que o gênero feminino evoluísse na sutil arte de sair do carro. E é agora que nós entramos em ação. O cenário perfeito é um (mas um bom observador contorna qualquer cenário ruim): você vem descendo e ela, parada no sentido da subida, abre a porta e sai do carro. É nessa hora. Nessa hora que toda a cautela feminina vai pro inferno, nessa hora que ela bobeia, nessa hora em que ela abre as pernas e apeia à calçada. Nessa hora que, deslizando por debaixo do tecido da saia, as pernas nuas se revelam e, subindo as coxas, pouco a pouco, a parte interna da perna, que você quer beijar, beijar, e sobe, calmamente, pacificamente, é apenas um segundo, mas tudo é muito claro, cheio de significados, e ali está, polpuda, algodão ou sintética, tão simples e clara: a calcinha.

1 Comment

Filed under Bataille, Bunda, Coitado do Manolo, Crise!, Crumb, Mulheres gostosas, Não foi bem assim, Pedofilia é crime, Putaria e abominação, qq isos morena, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis

One response to “Onde, quando e como (por que não?)

  1. já lhe disse insistente e inconvenientemente ao vivo, mas preciso registrar: você é bom meu caro.

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