Monthly Archives: March 2011

Diário de um trabalhador

Segunda-feira
Minha meta da semana é ver a calcinha da feiinha que fica na sala ao lado. Ela veio de vestido a semana passada inteira e senta bem de frente pra porta, as pernas desguarnecidas. Raramente as cruza.

Impressionante como sempre arregaçam o banheiro. 10 da manhã já está insuportável. À tarde, voltando do almoço, a mesma coisa. Quem são essas pessoas? O que comem esses animais?

12h03, estou com fome. Hoje caiu o vale refeição, então quer dizer que vamos comer bem, como reis.

Acabei de ligar pra minha mãe, perguntar sobre uns documentos que preciso lhe enviar. Comentamos sobre o Ronaldo, e ela disse que ficou chateada com a sua aposentadoria. Disse que “aqueles corintianos” não deveriam ter feito aquilo com o Ronaldo. Eu disse que o Ronaldo é meu ídolo, e ela disse que dela também. Eu disse que, quando crescer, quero ser igual a ele (por causa dos travecos), e ela riu.

Terça-feira
“I’m going on na aeroplane / And I don’t know If I’ll be back again”, to curtindo um Kanye West aqui. Ontem não consegui ver a calcinha da feiinha, mas hoje é um novo dia.

Passei em frente à sala e percebi que hoje ela veio com um vestido longo, que cobre as pernas. É uma pena. Mas eu deveria ter antecipado isso, sabia que aconteceria. Ontem o tempo já não estava tão quente, mas ela veio com a saia acima dos joelhos, puro descuido. Hoje ela aprendeu a lição. O tempo está mudando, é natural que se enganasse um dia. Mas dois, não.

Merda. Já planejava fingir que estava ao telefone no corredor e, quando fosse pegar minha carteira (por algum propósito na minha ligação fictícia) no bolso, a deixaria cair no chão, agacharia e, insuspeitamente, veria por entre suas pernas em paralelo, por dentro de sua saia suspensa, sua calcinha escondida.

Mas não hoje.

Que sono. Falta pouco mais de uma hora pra eu dar o fora, estou morrendo de sono. Almoçamos pizza. Estava boa mas, como sempre, senti instantânea vontade de cagar após a refeição. Me segurei e não caguei. Caguei logo de manhã, assim que cheguei. Cheguei mais cedo, até tomei um café com brownie (que não comi inteiro), antes de subir. Acordei uma hora antes do que estou acostumado. Seis da manhã, tudo ainda escuro.Custei a dormir, suando feito louco. Acordei no meio da noite e resisti bravamente à idéia de me masturbar. Ainda bem, teria sido trágico para o meu sono.

Quarta-feira
Ainda não conferi, mas é possível que a feiinha tenha vindo de saia. Hoje o dia esquentou. No metrô, porém, eu calculava que seriam necessários dois dias de sol inquestionável para que ela voltasse aos vestidos e pernas de fora. Pouco a pouco o tempo vai esfriando e, embora seja insuportável trabalhar nesse calor, é a melhor época para se ver calcinhas.

Ela é feiinha, como eu já disse, mas tem boas pernas. Uma silhueta razoável, mas as pernas são seus melhores atributos.

Ainda estou quebrado por causa do futebol de segunda-feira, corri à exaustão. Era a despedida do Ronaldo, e eu queria mostrar fôlego por ele. Que saudades, Ronaldo.

Agora, 10h41, trabalhar.

11h08, ela está de calça, minha primeira teoria estava correta. Levantei a suspeita (esperança) de que ela viria de saia por causa da sua colega, loira e gatinha, que veio, efetivamente, de saia. O dia promete poucas emoções.

15h53, quase morri de sono. Tive de dormir no banheiro.

O açúcar está acabando. Tenho um sachê, que guardo para este tipo de emergência. Provavelmente vou usá-lo em breve, mesmo já tendo tomado quatro xícaras hoje. É minha vez de trazer açúcar, não posso esquecer. Caso contrário, não vai dar pra tomar café amanhã de manhã (na hora do almoço eu roubo uns sachês do restaurantes).

Estou ouvindo Jorge Ben. Está chovendo torrencialmente faz um tempinho. São 16h22 e já anoiteceu. Provavelmente vai alagar tudo. Só não alagar a Anchieta que eu to de boa.

17h28, eu comeria mais uma pratada da feijoada do almoço. Tava uma delícia. Mr. Mill’s tem cozinha criativa e ambiente acolhedor. A tiazinha é um amor, e sempre toca música boa. Outro dia tava tocando “A tábua de esmeralda”, do Jorge Ben, enquanto eu pesava a comida. E sobremesa incluída (gelatina ou salada de frutas).

Quinta-feira
Descendo as escadas rolantes do Alto do Ipiranga, notei que não havia menina nenhuma de saia. O céu, porém, está limpo. Desde cedinho, azul em toda sua extensão. Isso é um bom sinal. De acordo com as minhas contas, mais um dia como este já é o suficiente para as mulheres voltarem a usar saias. As mais ousadas (e ligadas na previsão do tempo) (ou que saem pra trabalhar mais tarde) já podem usar hoje mesmo. A chuva torrencial de ontem pode ter inibido muitas pernas. Andando da estação até o prédio, pensei em como as pernas das mulheres (ou, melhor dizendo, sua exposição) pode servir como índice de confiança no tempo – até previsões metereológicas podem se basear em pernas femininas. Como, por exemplo: “Pela manhã, tempo nublado com calças leggins e saias abaixo do joelho. O tempo já melhora no início da tarde, com mini-saias e vestidos levinhos, e deve se manter estável até a noite. Possível ocorrência de blusinhas sem sutiã ao final da tarde.”

Lembrei-me também da minha teoria dos contatos sexuais. Devo desenvolvê-la nos próximos dias.

A feiinha não ainda não chegou.

11h 43. Minhas suspeitas, como de costume, se confirmaram. A feiinha veio novamente com um vestido longo; sua colega, loirinha gatinha (ousada por natureza), veio com as pernas à mostra, de saia.

16h45, finalmente começa a chover. Isso deve inibir a feiinha amanhã. Se alagar, certeza que ela vem de calça. Essa chuva tem de passar rapidamente, e esquentar.

A chuva em si, está caindo e o vento, parece, vem de todos os lados. Gotas grossas, céu claro, parecem flocos de neve – não que eu saiba como são flocos de neve.

Sexta-feira
Não tive tempo de fazer minhas previsões (pois estava trabalhando, pra variar um pouco), mas minhas avaliações mais otimistas se realizaram. Hoje, a feiinha veio de vestido. Branco, tomara que caia e acima dos joelhos. Uma peça ínfima de roupa e, indo ao banheiro agora, vi suas pernas em paralelo, firmes e cheias de viço. Sua colega loira gatinha mais uma vez se destaca e está um passo à frente: hoje veio de shorts, surpreendendo, como uma pessoa que ganha seguidas partidas de par-ou-ímpar e, na hora H, muda sua estratégia, antecipando o pensamento do adversário e vencendo a série inteira.

Fui ao banheiro, indignado com o Jairo, que tentava limpar sua camiseta com um pano imundo. Assim que o vi de pé, falei “Olha a camiseta suja”, só pra estragar sua manhã. No banheiro, mijando, a porta da cabine, aberta, não parava de oscilar. Pensei se tratar do ar condicionado, mas fiquei com preguiça de verificar. Acho que vou tomar uma água pra ver as pernas da menina. Interessante que ela tenha vindo de saia logo na sexta-feira. Parece que leu meu pequeno diário e quer realizar minha fantasia de ver sua calcinha até o fim da semana.

Um filho da puta estava tampando minha visão. Gostaria de ter acesso também ao decote da loira que fica no corredor. Vejo seus colares e mergulho no vão entre seus seios. É loco o bagulho.

Segunda-feira
Há alguma relação entre o calor e a vontade de cagar. Sob o sol, eu sinto minhas entranhas derretendo, como chocolate, cada vez maior é a vontade de cagar. Mal cheguei aqui, tive que ir ao banheiro. Acho que todo mundo teve a mesma idéia (ou necessidade), pois o banheiro se encontrava num estado deplorável.

Muito sol hoje, digno de suar em bicas no caminho pra cá. A feiinha provavelmente está de saia, mas hoje já não tenho a mesma disposição da semana passada. Minha meta era fechar a semana vendo sua calcinha, o que não aconteceu. Como ela se sentava sempre da mesma forma, fiquei irritado – ainda mais depois de descobrir que provavelmente trabalho no feriado. Isso deprime qualquer um.

Esqueci de dizer, mas a feiinha veio de vestido longo. Que se foda ela.

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Born to lose

Nascido para perder tempo, dinheiro e fazer merda.

Por muito tempo fui um desempregado orgulhoso do meu papel. Eu era uma roda girando em falso na engrenagem capitalista, dando prejuízo ao meu pai. Ao meu pai e à sociedade, afinal eu estudava numa universidade pública, sentado no dinheiro dos contribuintes, bombando duas vezes a mesma matéria às custas dos cidadãos de bem que não fazem greve nem precisam estudar história pra saber que a vida não é brincadeira.

Mas que se foda esse tipo de gente. Por isso eu ficava lá, deitado no banco de cimento depois do almoço, os braços cruzados atrás da cabeça, observando aquele céu azul sem fim, os pássaros passando de lá pra cá, e eu pensando que toparia, sim, claro, uma cerveja. Sexta-feira à tarde, me sentindo muito brasileiro por passar calor de bermuda e chinelo, a caneta na mão, escolhendo o lugar mais gelado possível pra sentar e escrever sobre as pernas das meninas, dando nota pra cada uma delas.

Na lanchonete, tomando café, mate gelado, e a mesticinha vai pegar seu pão na chapa, na ponta dos pés, a saia preta, o tecido leve, se ajustando às suas curvas e deixando as pernas longilíneas nuas para, entre um gole e outro, a gente dizer “Porra, eu chuparia essa mina – e o que ela tem a perder deixando? Nada!”

It’s a win-win situation.

Meu conselho para as próximas gerações é: evite o trabalho. E orgulhe-se disso!

Um cara, inveterado maconheiro, dizia com a voz rouca de fumaça “Tanta gente aí, morrendo do coração, estresse… eu vou evitar trabalhar o quanto puder”.  A jóia da família.

Mas então, que se foda, deixa tudo pra lá, e você pega e diz que não tem dinheiro, que precisa arranjar um trabalho, mas então, que se foda, pede uma cerveja pra pensar melhor, e outra enquanto nenhuma idéia boa aparece, e quando você percebe qual é a boa, você já está bêbado, e beber é como fazer sexo: você quer mais, mais, até vomitar.

Então lá está você, sentado com a mão em cima da mesa, o dedo no copo, apertando os olhos, míope de bêbado. A menina do outro lado, fica difícil saber o que ela quer, se ela está preocupada com a hora ou se está fazendo charme. Mas você nasceu pra perder, não foi? Nasceu pra fracassar. Essa hora é a sua única hora. Ela sai pra fumar, você pede o prazer da companhia, faz uma piada qualquer, pisa na poça d’água e agora seu pé fica sambando no chinelo. Mas você deve sempre ter orgulho das merdas que faz.

Surpreendentemente, eu me formei. E foi fácil. Tudo foi fácil, a escola, vestibular, a faculdade. Bombar foi fácil, moleza. Até explicar é simples. Da primeira vez, a culpa foi o futebol. Copa de 2006, matava aula pra ver jogo, cheguei atrasado à prova, aborrecido (a Argentina acabava de ser eliminada), tirei 4,5. Simples. Relutei até o último instante em fazer a recuperação, não queria ocupar minha cabeça com essas merdas, data, horário, mas fiz. E tirei 4,5.

Da segunda vez, bombei por causa das mulheres. Mais especificamente pela falta de mulheres. Sempre fui um aluno aplicado, fazendo anotações antes mesmo de a aula começar e bem depois de terminada. Escrevia sobre as meninas, quais eram gostosas, por que eram gostosas, onde estavam sentadas, o que poderiam nos oferecer (um upskirt, um downblouse, o quê?), o que sabíamos delas (rede de amizades, leitura, gosto musical, nome, etc.). Aconteceu de, bem nessa maldita aula de sexta-feira, não ter uma única mulher digna de nota. Ao meu lado, um sujeito que desenhava dragões e princesas (um papo meio estranho), ali atrás, uma menina com cara de assustada, aqui à minha frente, um grupo de semi-conhecidos, que fiz questão de ignorar por um semestre inteiro.

Lá eu batendo o lápis no caderno, a professora falando, e uma única menina decente, do outro lado da sala. Como estávamos alinhados longitudinalmente, eu tinha de me esticar para frente para ver seu perfil. Ela tinha bons peitos, mas raramente demonstrava ousadia na hora de se vestir. Já não era aquelas coisas, então ela largou a aula e eu fiquei lá, sozinho no meio de semi-conhecidos. Bombei. Desta vez, foi direto: 2,5, sem direito a recuperação.

Fiquei abalado. Caminhei da faculdade à Casa de Cultura Japonesa debaixo de chuva, perdi um botão da minha camisa, me joguei na cadeira e não lembro o que o Felipe disse. Provavelmente ele riu. Puta cagada da minha parte. Bom, a vida continua, e no final eu me formei muito bem.

Depois, muito tempo de desemprego, o que foi ótimo. É realmente excelente. Eu só recomendo às pessoas que sejam ricas. Sendo rico, você pode se dar ao luxo de não fazer nada – e fazê-lo com estilo. Já eu, vivia sob o fantasma da obrigação de arranjar um emprego. Pior ainda: sob o fantasma de não ter dinheiro pra beber.

Mas vocês sabem que com bebida a linha se distorce, nada é retilíneo. Então eu sempre bebi muito bem. E eu não sou um cara de comprar roupas. Essa camiseta, por exemplo, já tem uns 5 anos. A calça, nem se fala. A meia foi baratinha. E esse All Star tá só o pó. Bem, mas nunca deixei de beber, deixei?

Não tenho grandes aspirações, e não tenho mesmo. Não quero comprar um carro, ou um apartamento. Você tem que arranjar um lugar pra morar, né. Mas tudo bem, depois a gente pensa nisso. Agora não é a hora. Agora é a hora de beber. Minha mãe diz que eu não posso tomar destilado, que faz mal. Eu respondo que não apenas posso como devo. Eu preciso beber agora. Porque quando ficar velho, já era. Aí azeda tudo, você vai morrendo e tem de cortar destilados – ou pior: bebidas em geral. Aí sim você sopesa sua vida e vê o que é melhor daí pra frente: viver ou morrer.

Já o meu pai diz que é loucura beber uísque com cerveja, mas po, é muito bom.

Desempregado e sem dinheiro você não pode se dar a um luxo desses. Você mantém a dignidade tomando cerveja, sempre a mais barata, no lugar mais barato. Talvez comprando umas aqui outras ali, alguma qualidade, você economiza o almoço e compra umas longnecks pra passar a tarde, você toma pinga vendo futebol, você mistura uísque com vinho pra sentar e escrever alguma coisa.

Você abre a janela e a noite encharcada invade o quarto. Todo o céu leitoso, pastoso, as ruas laranjas. É como se você pudesse subir no parapeito, depois se sentar, e escorregar lá pra baixo, deslizando pela neblina, pela noite muito próxima.

A vida é assim, e tá lá: quarta-feira, três horas da tarde, você de óculos escuros, bermuda e chinelo tomando uma cerveja no boteco, lendo jornal. Os passarinhos cantando sem parar, o cachorro deitado melancólico na calçada; o chão mosqueado em dourado através das folhas das árvores. Lindo dia de sol.

Mas aí eu arranjei um emprego e as coisas começaram a ficar cinzas.

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Diálogos

-Põe na MTV.
-O que tá passando?
-Põe na MTV.
-Mas o que tá passando?
-Põe na MTV rápido!
-O que é?
-Já foi.
-O que era?
-Cabou já.

O primeiro rapaz é um idiota. Ele quer porque quer que seu amigo coloque na MTV, mas não revela a razão. Será um clipe raro? Briga ao vivo? Alguma gostosa? Por que ele se nega a dizer o que é? E o segundo rapaz, por que não coloca na MTV e acaba com isso de uma vez por todas? Porque ele está batendo punheta. Mas tá certo isso, punheta às 3 da tarde? Tá. A mãe dele foi ao mercado e ele achou oportuno bater aquelazinha.

*

-Tá deixando a barba? [Tá horrível]
-To. E aí, gostou? [Tenho alguma chance?]
-Prefiro sem. [Prefiro meu namorado]
-Vou tirar então. [Faço qualquer coisa se você deixar eu te chupar]
-Tira, tira. [E fica longe de mim]

A menina queria apenas provocar o feioso, mas viu que o pobre coitado é um poço de lama do qual ela tem dificuldades em se livrar. Nota mental: nunca mais falar com esse seboso.

*

-Me dá uma carona?
-Não. Até onde?
-Até ali, na minha casa.
-Não.

O cara que está pedindo é muito folgado, pois ele mora logo ali e está é com preguiça de ir andando. E o outro cara: por que pergunta “até onde” se ele já negou a carona? Porque o folgado preguiçosão tem uma irmã gostosinha. Mas esse esquema da carona nunca deu certo nem nunca dará – ela não lhe dá a menor bola. Ele apenas alimenta falsas esperanças quando pergunta “até onde” seria a carona. Não estaria na hora de ele desencanar da irmã gostosinha do colega? Além do mais, ela tem 13 anos!

*

-O que você quer beber?
-Cerveja.
-Qual?
-Qualquer uma, porra.
-Calma.
-Pede logo.
-Qual?

Escolher cerveja é coisa de boiola (sem homofobia, só não curto veadagem).

*

-Gostei dessa blusa. [Tinha esquecido como você é gostosa]

Vocês não conseguem ver daí, mas a mina é realmente muito gostosa. Tem a cinturinha fininha e uns peitos muito bons. E essa calça tá fazendo um estrago!

*

-Se eu fosse uma mina, eu seria mó vagabunda.
-Tipo a sua mãe?

Típica piadinha desse sujeito da língua afiada. Pode parece legal assim, vendo uma só, mas o problema é que ele fala isso toda hora. E quando não está fazendo piadinhas, é totalmente inconveniente. Por exemplo: outro dia, num churrasco de aniversário de um amigo seu, o pai do aniversariante chegou oferecendo: “Quem quer lingüiça?” e o rapaz deu um sonoro “Hihi”, e logo emendou “Você”. O pai do aniversariante, acontece, é gay, e faz pouco tempo que se assumiu. Foi bem traumático pra toda a família. A irmã mais nova do aniversariante ainda tem graves crises e está indo ao psicólogo. Pra você ter uma idéia.

*

-Tá vendo aquela menina ali?
-Uhm.
-Bundinha arrebitada.

Por que ele foi dizer isso pra namorada? Não bastava ele ter trocado carinhos muito animados com sua ex-namorada no dia anterior? E mais: o que ele está fazendo bebendo às 11 da manhã de um domingo?

*

-Você viu a namorada do Pedro ontem?
-Vi. Que que tem?
-Você… não achou que… ela tava muito gostosa?
-A gente fala sobre isso agora?
-Num sei, pode?
-Acho que pode. O Pedro nem é tão amigo nosso assim.
-É, ele é mais amigo dos moleques.
-Tava muito gostosa!
-Ela é gostosa pra caralho!

Ela é realmente muito gostosa mesmo. E todos os moleques ficam de olho (inclusive os amigos do Pedro). E o Pedro nem gosta tanto dela, gosta? De qualquer forma, é melhor abrir o jogo e traçar limites, né? Porque, senão, o pessoal vai pagando pau pra mina alheia na surdina e, quando viu, tão um passando a mão na bunda da namorada do outro. O que não seria uma má idéia, mas tem de avisar as meninas primeiro, né? Pelo amor de Deus, garotada, Dia da Mulher foi outro dia e vocês vão dar uma dessas?

*

-Essa sua blusa é o máximo. [Eu quero te chupar]
-Quem te deu permissão pra pegar na minha barriga?
-Só queria ver onde tá seu umbigo. [Onde tá sua boceta]

Quando um cara elogia a roupa de uma menina, com certeza ele tem segundas intenções. Afinal, quem sequer olha pra roupa de uma menina quando não a está imaginando totalmente nua, peladinha mesmo? Não é verdade? Costumam dizer que “em tal menina, toda roupa cai bem”. Isso quer dizer que tal menina é bem gostosinha mesmo, e que ficaria esplêndida pelada.

*

-Ontem saí com uma mina.
-E aí?
-Ela nem era tão gostosa.
-Só…

A mina nem era tão gostosa. Por que, então, ele tocou no assunto? E mais: por que ele foi falar isso pro cara que organiza a entrada do vagão especial do metrô? E o cara até que foi receptivo, não foi? Será que eles são amigos? E quem conhece alguém que trabalha no metrô? Eu conheço. Acontece que é bem comum trabalhar no metrô. Aliás, sabe uma coisa que é comum de trabalhar no metrô? Ninfetinhas. Toda estação tem pelo menos duas, sempre menores de idade e bonitinhas que viu, vou te dizer.

*

-Mano.
-Uhm.
-Aquela mina ali.
-Uhm.
-Ela é muito dahora.
-Uhm.
-Ela pegou no meu pau.
-Uhm.
-Vou lá então.
-Falou.

A mina pegou no pau dele. E daí? Eles estão num puteiro, caralho! É isso que as minas fazem num puteiro! E por que ele foi amolar seu amigo, que estava recebendo uma famosa gulosa? Aliás, que termo, hein? Gulosa. Que coisa mais absurda. Mas você prefere o quê? Boquete? Pelo amor de Deus, né. Pepeta? Aí também não. Bem, independentemente do nome que se dê, vai sair 20 reais. Muito barato por sinal. Será que ele está usando camisinha? Não, até porque não teria graça, não é? Mas então, um boquete de 20 conto sem camisinha. O que esse cara quer?

*

-Gostei do botão da sua calça. [Quero-te-chupar]

Esse cara tá bêbado, alguém segura que ele vai fazer merda já já.

*

-Sutiã combinando com a calcinha, é? [Quero te ver pelada]
-Aii, como você sabe? [Aii, seu tarado]
-Ah, eu to ligado, né! [Peladaça!]

Totalmente tarado esse cara, e pior que ele observou muito bem. Já tinha visto a calcinha da menina antes, por debaixo da saia. Agora, viu o sutiã, ligou uma coisa à outra e está jogando essa idéia torta na menina. Vai dar certo? Tomara, porque a mina é bem dahorinha. E ela sempre dá meio mole – além do mais, tá meio bebinha também, o que ajuda. Só tomar cuidado pro rapaz não beber demais, porque ele tá a duas cervejas de vomitar as tripas e não são nem duas da manhã.

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