Não me enche

Hoje vamos analisar a mente das pessoas que enchem o meu saco (mentira, não vamos analisar, analisar. No máximo comentar por cima)

Por que elas me amolam tanto?

Essa pergunta permanece sem resposta mas, mesmo assim, elas continuam a me torrar. Há várias formas de encher o saco de alguém, especialmente o meu. O mais fácil é ficar ligando aqui pra casa, sem parar, me obrigando a fazer algo que eu não quero fazer – e é domingo, ainda por cima, for fuck’s sake! Caralho! Que esforço que é não fazer nada nesta vida.

Pra mostrar como eu gosto de não fazer nada, muitas vezes abdico do jantar, só para não gastar um tempo em que eu poderia estar fazendo nada. As pessoas não entendem. E as pessoas que gostam de encher o saco, elas sim, elas sempre querem fazer alguma coisa. Ficar de boa não é uma opção. A única opção é fazer alguma coisa e falar sem parar.

As pessoas falam demais, sempre querem ficar com historinha, contando, contando, uma história saindo da outra Eu dirigindo e o maluco lá que não, que saiu outro dia, encontrou um amigo cuja namorada namorou um outro amigo dele, se pã eu ligo ele, vai saber, de repente, ele fazia até um rap num passado recente, e eu “A-ham”. Porra, mano, conta logo essa história! Aonde você quer chegar com isso?! Seja objetivo, termina essa merda e fica quieto! Mas não, fica lá, sentado de lado no banco, olhando pra mim enquanto dirijo. Uma coisa puxa a outra, parece uma cartola de mágico. E pior ainda se houver um computador por perto. O computador é uma metralhadora na mão de um chato. Se deixar ele vai, mostra meia música, depois uma foto, um pedaço dum filme, outra música, e depois outra, em cima, não mostra nada direito, só quer ilustrar a torrente de merda que corre em seu cérebro. Pior: ele quer nos impor essa avalanche de merda.

Fica quieto, caralho.

Se falar demais já é um pecado, falar alto então nem se fala. Aí é bonito de ver. Engata num assunto e começa, quase a berrar “AH MAS É QUE”. Aí, doidão, baixa o farol. Esse você não pode deixar se crescer, se calha um assunto no qual ele se sente seguro, aí já era. Fala alto pra caralho, sem parar, sem pensar, sem ouvir nem merda nenhuma. Essas pessoas enchem bastante o meu saco.

Mas não tem raça que encha mais meu saco que mulher. Mulher no metrô. 9 da manhã, 9 da manhã, elas falando sem parar – sobre o quê? Sei lá, não sei, nem elas sabem. Elas se encontram e falam sem parar. Caralho, vocês trabalham juntas, vão passar as próximas 8 horas sentadas lado a lado, pra que falar tanto agora?

Se eu encontro com algum conhecido meu, o diálogo é sempre o mesmo:

-E aí, mano!

-E aí, firmão?

-Beleza, beleza. E aí… tá lá ainda?

-Ô, to sim. E você?

-To, to. Mas e aí, tá jogando bola onde?

-To lá cos moleques lá, na quadrinha, mas tem umas duas semanas que eu não vou.

-É, foda. Eu tava jogando com um pessoal, mas aí meio que miou semana passada, então sei lá.

-Só. Se quiser jogar com a gente lá, dá um toque.

-Firmão, pode deixar.

Então os dois ficam quietos, um ao lado do outro, até chegar a estação de um dos dois. Aí o diálogo vai assim:

-Opa, to indo lá, mano. Qualquer coisa eu te ligo.

-Firmão, é nois, falô.

-Falô.

E eu não tenho o telefone dele, nem ele o meu. Nós sabíamos disso desde o começo da conversa, mas melhor deixar assim, né? Conversamos o estritamente necessário, e isso porque gostamos muito mesmo um do outro.

Se fosse um amigo de longa data, por exemplo, um amigão pra valer, com quem você sempre conversa quando pode, etc., a conversa seria assim:

-Ô, e aí, pegando metrô agora?

-É, mano. Tenho que fazer uma parada lá na Paulista.

-Só… do trabalho?

-É.

-Só.

Então ficaríamos quietinhos, brotherzaços pra caralho, até que alguém lembrasse de alguma coisa realmente altamente comentável:

-Haha ow, e aquele dia lá, você vomitou?

-Haha vomitei, mano. Tudo na porta do carro. Minha mina ficou puta comigo haha.

-Haha só, mulher é foda né.

-Haha só dá problema.

É assim que amigões são.

1 Comment

Filed under Coitado do Manolo, Crise!, Praia e maconha, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis

One response to “Não me enche

  1. FASM

    “O computador é uma metralhadora na mão de um chato. Se deixar ele vai, mostra meia música, depois uma foto, um pedaço dum filme, outra música, e depois outra, em cima, não mostra nada direito, só quer ilustrar a torrente de merda que corre em seu cérebro. Pior: ele quer nos impor essa avalanche de merda.”

    Truer words have never been spoken.
    Tem um chato que mora aqui perto de casa que é assim. O caralho, cala a boca.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s