Não segue

ela disse que vinha de carona com uma amiga. no quadro estou eu, aqui à direita, na mão a cerveja, o curativo novo, e as pernas suspensas no ar. a menina chegou em mim e começou a dançar, com malícia. sendo assim, sem chance, sem mulher. tem uma aposta, você sabia?, ela perguntou. e nada dela chegar. eu já ficando meio bêbado. tentei dar um perdido e fui colocar um kanye pra variar. azul da cor do mar e a mina colou em mim, a boceta na minha coxa, os peitos roçando meu braço, minhas costelas, minhas mãos, de propósito, quando eu gesticulava. que eu era um merda e sei lá o quê. com g, nossa. rafael também, caralho? hood phenomenon, the neymar of rhyme. você se acha pra caralho, ela disse. eu só falei que jéssica tem que ser com j. eu comecei na cerveja, mas logo enchi um copo com uíque. foi numa festa aqui, nesta casa, que nos conhecemos. você num disse que vinha com uma amiga? quem é esse cara? apostamos quem pega você primeiro. e tem dinheiro envolvido? eu via a bunda dela pelo espelho ― nada mal. eu a vi passando com um cara pelo espelho ― puta que pariu. não vou seguir. corintiano, caralho, olha pra minha cara; seu nome, aliás? ela usava óculos naquela época… eu gostava. o mundo girando devagarzinho. ela mordeu o lóbulo da minha orelha. eu nunca vou conseguir dormir desse jeito. você se acha demais, fica escrevendo essas merdas suas e acha que sabe tudo de todo mundo. ela veio falar comigo, os olhos baixos, segurando a latinha, as unhas pintadas ― ela sabe que eu não gosto ―, usava brincos ― ela sabe ―, o cara ali do lado fazendo hora ― eu sei. porra, que merda. não. aposta pra ver quem pega você primeiro, ela disse. secos e molhados. e como ele chama? ficou nervosona, disse que ela merecia coisa melhor (e que já tinha arranjado, inclusive). as peças se encaixando agora. ela mordeu minha orelha!, você não se importa com isso?! e eu só ria. olhando as pernas, vendo o tempo passar, meu curativo novo ― o cara da farmácia disse que vai ficar marca. vai marcar. vai sarar. faz tempo que não me importo com nada. o carro dela lá parado na rua, filha da puta do caralho, vagabunda. e-u-t-e-a- me deu uma onda quente pelo corpo inteiro, comecei a suar. não pensei na rita esse tempo todo, pensei. e tá todo mundo participando? mas, porra… é assim? paulo coelho e clube da luta são a mesma coisa. me passou pela cabeça. mijando com a testa apoiada na parede. mil fita. she said you are what you eat. relaxa, que se for escrever sobre você eu mudo o nome. ela tava quase chorando já. eu também. era coisa de duas cervejas por música, e nada dela chegar. e num tem nenhuma melhor participando da aposta, não? mais uíque. larguei o emprego, caralho… nem lembrava dessa. bom, que tudo mais vá pro inferno. pensei em mijar na maçaneta mas tava triste demais. acho que não dá mais, ela disse. é triste demais, mas acho que não dá. nem sei como voltei pra casa. arrebentado. consegui dormir com a primeira claridade do dia. que géssica com g é feio pra caralho, eu gritei. não, ela disse. não

Leave a comment

Filed under Bunda, Crise!, Putaria e abominação, Que papo é esse?, Seres Humanos Reprováveis

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s